O FOGO DE WALKIRIA – Por Max Diniz Cruzeiro - News Rondônia Amanheceu. Walkiria desperta das profundezas de um sono profundo, em uma posição que lembra um feto no ventre de sua mãe à espera da sua entrada no mundo da luz.

Porto Velho,

Segunda-Feira , 28 de Novembro de 2016 - 09:27 - Colaboradores


 


O FOGO DE WALKIRIA – Por Max Diniz Cruzeiro

Amanheceu. Walkiria desperta das profundezas de um sono profundo, em uma posição que lembra um feto no ventre de sua mãe à espera da sua entrada no mundo da luz.

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Amanheceu. Walkiria desperta das profundezas de um sono profundo, em uma posição que lembra um feto no ventre de sua mãe à espera da sua entrada no mundo da luz. A almofada entrelaça suas pernas desnudas e carnudas, numa posição que seduz o encontro do vinco do objeto com a posição pubiana da bela moça de 23 anos.

Ela se esquia no movimento e com a suavidade dos traços passa sua mão sobre suas colchas como quem quer perceber a mínima vibração de pelagem sobre sua pele. E não percebendo nenhum atrito na pele lisa, e lustrosa, passa um creme por todas suas curvas se encontrando as mãos em sua região mais sensível ao lubrificar o seu precioso cofre do Éden.

Seus músculos superiores nesta hora se contraem, e indo ao encontro do espelho para colocar a tradicional maquiagem se vê mulher, em que o bico do peito salta, imagem enrijecida, como quem se prepara para encontrar-se com o fecho que irá penetrar em sua carne como um objeto de consumo desejado.

Ela então despida se encontra na banheira, onde o toque da pele contra o sabonete torna ainda mais sedutora sua visão de mulher.

E sua sedução matinal se encontra com as escolhas em que a vestimenta de trabalho segue um padrão jovial onde é permitido a moça ousar com a imaginação, a libido e a sensação de incorporação dos homens.

Walkiria então passa a seduzir vestida, onde uma minissaia encontra-se a dois palmos do joelho, em que suas pernas se mostram quase desnudas com a insinuação de uma meia fina projetada para seduzir os homens no desejo de lhe retirar as vestimentas com os dentes.

imagem ilustrativa

Ela como boa trabalhadora, entra figurante em um automóvel e parte para o seu ambiente de trabalho: livre, desinibida, pronta para fisgar o primeiro olhar pretensioso de um homem vulgar que lhe dirige como um insulto a penetração da física da luz sobre sua pele... e quando se entrecruza com este olhar, lhe fere um ar de repugnância, seguido de uma demonstração de fragilidade, como que servisse para atrair a caça para que seja devorada pelo caçador. Dizendo com a expressividade, se atreva a me seduzir ainda mais.

E neste olhar Walkiria se mostra mulher. No qual se reduz a um eixo racional que atrai e deixa esguiamente enrijecer a face e os músculos do peito numa demonstração de libido aceita como sinal de que seu corpo está preparado para se deixar seduzir pelo caçador.

Quando Walkiria desembarca e cruza o semáforo, uma multidão transita do outro lado da rua. É aqui Walkiria exposta na multidão. E é uma multidão de olhares que se entrecruzam com a moça desejando devorar o seu corpo.

Walkiria é mulher que finge que não sabe que está sendo sedutora. Porém quando o seu destino se encontra na escada rolante, é o coração de Walkiria que estremece ao ver o seu objeto de desejo descer pela escada anteposta à direção que leva ao seu escritório.

Então o anônimo na multidão não sabe de Walkiria, nem ao menos é capaz de perceber se seu corpo seduz, se é Walkiria mesmo o seu nome, apenas é capaz de visualizar a moça da cintura para cima, numa fração de 5 segundos toda manhã que a direção antagônica que expõe ambos os corpos os coloram há 3 metros de distância um dou outro, distanciando ainda mais com o avanço dos degraus no foco de destino.

Walkiria passa a desejar que toda manhã os horários se entrelacem para que enfim sua vontade de possuir e ser possuída possa enfim se encontrar com o olhar desconhecido do outro lado, no porto dinâmico da escada rolante.

Até que um dia o transeunte enfim nota sua presença, e passa a observar que Walkiria sempre figurante está com seu olhar fixo sobre o corpo do moço que vai embora em sentido antagônico.

Na projeção de seus sonhos, é Walkiria destemida para se guiar pelo olhar frágil que o fracionamento do tempo permite segundos de encontro.

Até que um dia os horários não mais se entrecruzam na escada rolante, e Walkiria passa a se encontrar com o transeunte próximo ao cruzamento onde os caminhos também passam a se cruzar.

Nesta altura não existia ninguém mais, era como se a multidão inteira deixasse de existir, e apenas um único transeunte era sentido há quilômetros de distância quando seu trajeto passava a significar um encontro de outros 5 segundos em que os passos passavam a se entrecruzar.

Até que um dia Walkiria temendo que os fusos horários não mais coincidissem o encontro matinal, vem sedutora para o cruzamento, retardando o seu passo de propósito para se encontrar com seu amado-transeunte em um lugar onde pudesse o destino provocar uma pausa, uma ruptura dos passos, e que o seu corpo, expressão e fala pudessem se encontrar de fato com a pessoa desconhecida que Cupido havia lançado a flecha.

Então a moça, deslocando-se sobre a avenida, ao observar o seu objeto de desejo, se projeta sobre ele com a fala, e ele não percebendo que o deslocamento da afetação de um encontro jamais concebido estivesse por ocorrer passa sem sinal de pausa.

Porém, o braço de Walkiria fora mais imponente e intrusivo que o destino, e lhe feriu dois sutis golpes com o indicador sobre o ombro, como quem lhe diz: “me perceba, pois estou me dirigindo a palavra a você”. E ele paciente passa a perceber que aquele olhar de meses de cruzamentos enfim fora capaz de se entrecruzar num momento que não era esperado.

E Walkiria estendendo os braços lhe pergunta: “Pode o Senhor, por favor aceitar meu cartão?”. Onde o rapaz retribuiu com um olhar sincero pegando o cartão das mãos da moça e ambos se deslocaram em sentidos antagônicos em direção aos seus postos de trabalho.

Nos cinco metros seguidos de Walkiria foi como se um peso enorme de consciência se abatesse. As pernas não mais obedeciam ao movimento de seguir em linha reta para o escritório. E para dispersar a aceleração dos movimentos cardíacos Walkiria parou em uma loja de guarda-chuvas para passar o denso processo emocional que a havia acometida.

A ilusão do olhar, numa expectativa sem fim de meses de transitividade, enfim havia dado lugar para outro tipo de comportamento que passaria a moldar a sua vida a partir daquele instante indefinido.

Então no lugar da expectativa, surgiu outro preenchimento de que Walkiria agora se via nomeada a partir de um simples pedaço de papel, cartão que trazia sua identidade, e que agora seria possível sua localização do coração deste moço que ainda se figurava de forma desconhecida.

Walkiria sabia que estava conectada agora por grau de associação um pouco maior a imagem da pessoa ao qual o seu coração havia canalizado.

Sabia que o amor poderia se posicionar e deixar de ser um germe de trigo para vir a ser carne, preenchimento e penetração de desejos.

Porém o destino sabia que nada seria fácil para Walkiria, que ao chegar em casa se distrai com seu próprio corpo e sem querer, vê o seu telefone estilhaçado em mil pedaços pelo descuido de seus bem formados e modelados pés.

O cartão agora estava incompleto. Walkiria não podia mais estabelecer contato com a alma do transeunte, pois a sua nova expectativa havia sido descartada para o lixo.

Então indo para uma loja adquiriu um novo aparelho de celular. Mas este somente iria chegar em sua casa depois de 4 dias úteis. Haveria afinal tempo para que Cupido pudesse organizar um novo encontro? Seria possível que esse amor pudesse ser paciente o suficiente para que a flâmula do amor enfim encontrasse uma haste para significar corações que se entrelaçam com afinidade de sentido? Seria Walkiria vítima de sua própria ilusão onde a correspondência era certa dentro de sua mente?

Nesta altura nada mais importava para Walkiria a não ser pedir as forças criacionistas que as coisas pudessem florir para si de forma que o bem fosse consumado.

Nos dias seguintes Walkiria sonha sendo devorada e devorando o transeunte. Imaginava estando partindo em um navio para terras além do atlântico, e na pequena e doce Marselha, ser o destino final de sua glamorosa partida para os campos floridos europeus.

E indo trabalhar em uma floricultura, parecia que algum aspecto, adereço de sua vida ficara adormecido em seu passado, quando sua vida estava ingressa em uma capital de terceiro mundo.

Até que um dia preocupada em organizar a casa de flores, não observava que um homem havia entrado no recinto. E ao regar as plantas, a doce e estonteante Walkiria respondia às perguntas do jovem sem entre olhá-lo e seguia sem notar a sua presença.

Até que ele solapou dois socos com o indicador direito sobre suas costas, e lhe perguntou com quem diz com a expressão “Olhe para mim, estou falando contigo, me dê atenção”: “Jovem, você aceita um cartão de visitas?”.

Neste instante o inconsciente de Walkiria estremeceu e interligou associações em que as emoções passaram a aflorar a imaginação da moça. O passado se tornou presente, o inconsciente à céu aberto aflorou a sensação das pernas bambas como se o evento anterior estivesse saindo de uma nova expectativa.

Walkiria se virou. Seus olhos não acreditavam no que estava acontecendo. Enfim sua vontade de ser localizada finalmente foi possível, e em seu sonho fora despertada com um caloroso beijo aquecido pelos fluídos que escorriam do encontro da almofada entre as pernas da moça.

Essa manhã a banheira tinha um toque mais especial, a temperatura da água contribuía para acelerar ainda mais a pulsação. O chuveirinho irrigava as partes pubianas de Walkiria que com os olhos fechados passou a sentir um prazer de consumo que elevava a libido matinal para uma dimensão muito mais dinâmica que os dias anteriores.

Então a moça fez uso de seus instrumentos sexuais artificiais para consumar aquele desejo de possuir o transeunte que por alguns poucos segundos se cristalizou em sua mente na forma de um sonho pelo reencontro.

Ela se arrumou ainda mais sedutora. Pegou o automóvel, passou o cruzamento, e nunca mais os dois se entrecruzaram, Cupido havia destinado a separação daquele par que nunca foi elo de fato, que fora apenas uma doce expectativa enquanto existiu o senso de busca e procura. Porque havia de esperar que outro elo viesse à tona, em outra oportunidade, em outro momento, mas ao menos ele sabia o meu nome. E Walkiria era uma identidade para ele onde estivesse.

A vida tornou-se complexa, de repente todas as pessoas da rua foram percebidas. Não se sabia para Walkiria de onde estivesse saído tanta gente. Mas era assim todos os dias, todas as manhãs em direção ao escritório.

Walkiria parecia liberta, mas capaz ainda de ser feliz por poder sustentar sua capacidade de amar. E não ter medo para provocar um novo encontro quando Cupido estivesse novamente posicionado para agir em seu nome.

Porque assim se constrói estruturas que se amam. Entre olhares de uma dinâmica em que escadas rolantes trazem e levam o nosso amor para próximo ou para longe de nós mesmos, esperando uma oportunidade para um agir ou contribuir para um deslocamento sincero.

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Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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