Domingo, 05 de Novembro de 2017 - 12:43 (Cultura)

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O CASO DO BAR DO ZIZI DEVE AFETAR OUTROS ESPAÇOS DEDICADOS À PROMOÇÃO DA CULTURA, ARTE, MÚSICA E DA GASTRONOMIA BEIRADEIRA

O uso e ocupação do tradicional espaço fincado ao largo da raça Presidente Vargas, abrangendo o quadrilátero das vias Henrique Dias, Presidente Dutra, Dom Pedro II e ..., acontecia há anos e sempre foi referência turística e da política nativa.


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Porto Velho, Rondônia – O caso do ‘Bar do Zizi’, que cerrou suas portas depois de mais de três décadas atendendo o público no Mercado Cultural, ainda não foi digerido por freqüentadores, turistas e visitantes que chegam a esta Capital.

O uso e ocupação do tradicional espaço fincado ao largo da praça Presidente Vargas, abrangendo o quadrilátero das vias Henrique Dias, Presidente Dutra, Dom Pedro II e José de Alencar, acontecia há anos e sempre foi referência turística e da política nativa.

O clã dos ‘Do Casal’ (vide patriarca Zizi, Vera, Moacir e Diogo), com fortes raízes no vizinho Amazonas (Careiro da Várzea), diariamente, fazia a alegria do público entre uma oferta de salgados (saltenha, coxinha, etc) e sucos regionais (Graviola, Cajú e Maracujá, além de outras iguarias e o bom papo, onde  sobre o fuxico entre os poderes no público e privado era botado em dia.

Cerrada as portas, o ‘Bar do Zizi’ encerra também mais uma etapa do ciclo da história política, social e sindical dos idos do então Território Federal de Rondônia e a criação, instalação e funcionamento do Novo Estado na era Jorge Teixeira de Oliveira.

Era no bunker do ‘Zizi’, entrecortadamente, nos recônditos do espaço destinado às mesas com nomes de vultos da história e da cultura ‘beiradeiras’ que muitos dos políticos, artistas plásticos, músicos, compositores, entalhadores e outros profissionais tiveram os nomes projetados no cenário regional e nacional.

O ‘Bar’, um misto de point cultural e de papo de esquina depois do rush do dia, ou na vacância do emprego, pela manhã, à tarde ou à noite, serviu de abrigo e de inspiração a muitos de seus freqüentadores, entre os quais, os músicos Bainha, Tenente, Genésio, o internacional Rubens Parada e outros, hoje, ‘é só saudade’.

A GOTA D´ÁGUA – Começou a definhar, de forma aceleradíssima, logo após o fim do ponto de táxi e o fechamento da área de acesso por grades no inicio do governo do tucano Hildon Chaves – acusado de fazer ouvidos de mercador e preferiu toca uma política de privatização do espaço inerente ao Mercado Cultural.

Findo o fluxo e refluxo de pessoas, que degustavam as tradicionais iguarias, além da boa música nos finais de semana, o ‘travamento’ das serestas e eventos outros, só apressou o fechamento, na inicial, do ‘Bar do Zizi’, e logo seguirão os demais espaços na esteira da política defendida pela Fundação Cultural, acusa um anônimo historiador e arquiteto famoso.

Segundo ele, ‘ainda se pratica uma política de revanche a nomes contrários aos que deixam o governo e se abre oportunidades discutíveis aos que chegam ao poder’.

Vira e mexe o fechamento do Mercado Cultural atiça seus antigos ocupantes com a reprise desse tipo de debate ‘que nos cheira uma verdadeira caça às bruxas’, assegurou a fonte.

Historicamente, o ‘Bar do Zizi’ deixará aberta uma profunda cicatriz no mundo político adverso ao do prefeito Hildon Chaves e de seus seguidores. Aos poucos, a cidade perde lugares lúdicos, capazes de serem revitalizados e humanizados. Porém, ‘são deixados de lado em nome de uma política de exclusão e entregues a improvisadores’, diz a acadêmica Francisca da Silva, 56 anos.

Em outras capitais do país, lembra o historiador que preferiu não revelar a identidade, ’o uso futuro do Mercado pode ser quase político e não será bom para esta suposta norma política neo-liberal’. Nem para quem faz cultura, arte, música, teatro, baillet ou sobrevive com a falta de investimento em turismo em Porto Velho cujo legado sempre foi entregue à própria sorte.

Ao NEWSRONDÔNIA muitos disseram que, ao menos se o Mercado Cultural fechasse para reforma ou mesmo cerrasse suas portas aos contrários à cultura, ‘os impactos negativos não seriam sentidos tão violentamente’, como o fechamento do ‘Bar do Zizi’.

- Era um espaço do povo, onde um pequeno lanche funcionava a duras penas em nome da tradição construida por seu criador, o ‘Zizi Do Casal’, vindo da cidadezinha do Careiro da Várzea, no Amazonas, lembrou Francisca da Silva.

Ao menos, diante das dificuldades enfrentadas pelos remanescentes do patriarca do clã dos Do Casal, o prefeito Hildon Chaves tivesse tido a sensibilidade de restabelecer o ponto de táxi, as serestas das quintas-feiras, o incentivo ao samba do Fina Flor, aos agitadores culturais e a outros projetos, ‘o Mercado Cultural cumpriria a finalidade à qual fora criado’, acreditam fazedores de cultura ainda fora dos programas sociais e artísticos do governo tucano.

Fonte: NewsRondônia

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