Segunda-Feira, 25 de Março de 2013 - 07:35 (Colaboradores)

O BAIXO MERETRÍCIO DE RONDÔNIA NÃO VEIO ABAIXO

Nossa fonte militou nos garimpos do Bom Futuro, do Araras, Serra Sem Calça e do Rio Madeira. Nos anos 80, doente e com a idade avançada, viu-se obrigada a suspender a bateia e trabalhar na condição de arrumadeira na ‘Casa da Luz Vermelha’. Dona Nita, uma migrante pioneira, dita as ordens na casa.


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Cacoal, Rondônia– Facções criminosas e de prostitutas ainda se enfrentam à cata de dinheiro que lhes garantam a sobrevivência em todos os grotões do Estado rondoniense. A peleja é antiga, afirma uma pupila da ‘Casa da Luz Vermelha’, na Porto Velho Capital do século passado.

Segundo ela – que optou pelo anonimato – ‘nos 80 e 90 o dinheiro era de montão na bateia de nós, meninas’. Cheiroso ou fedorento, negro ou branco, maranhense ou sulista, podia mais quem tivesse mais dinheiro na boroca’, ela disse.

Na BR-364, nas últimas duas décadas do século XX, os bordéis viviam cheios. Ninguém tinha motivo para chorar o leite derramado, como agora, lamenta a anônima Mariposa. Ela diz que, ‘à época, o Bom Futuro garantiu escola, comida e roupa lavada para nossos filhos’. E, ainda assim, muitos dos filhos renegam a própria mãe que um dia se sujeitou a triste vida de vender o próprio corpo em quem o patrão era a prefeitura, o garimpeiro e os políticos.

- Atualmente, ainda pode se encontrar advogados, juízes e até artistas zapeando pelas ruas do País com o dinheiro ganho pelas Damas da Noite dos garimpos do Bom Futuro, Periquitos, Araras e da Serra Sem Calça. Aqui, de Rondônia’, ironiza a mesma fonte.

A maioria desses profissionais, ela lembra, ‘pode até negar esses feitos’. Mas um estudo mais apurado a cargo de sociólogos, assistentes sociais ou outros segmentos de pesquisas, ‘encontrará indícios de que irão atestar a origem do dinheiro que garantiram a formação deles.

Nossa fonte militou nos garimpos do Bom Futuro, do Araras, Serra Sem Calça e do Rio Madeira. Nos anos 80, doente e com a idade avançada, viu-se obrigada a suspender a bateia e trabalhar na condição de arrumadeira na ‘Casa da Luz Vermelha’. Dona Nita, uma migrante pioneira, dita as ordens na casa.

Por lá, viu gente famosa ‘esquentar os costados de belas mulheres’. Muitas delas, mato-grossenses, maranhenses, acrianas, manauaras, sulistas, indígenas e até travestis das cidades de Pelotas e Gramado’, confirmou a este site.

De acordo com o relato da fonte anônima, ‘favores eram trocados entre visitantes ilustres e os donos de bordéis’. Isso acontecia, geralmente, com políticos e policiais que se deleitavam com ‘o cardápio do dia’. Sobre isso, ela diz que, ‘se tratava das meninas mais novas, umas em inicio de carreira’. Outras eram dadas de graça aos bam-bam-bans do governo da época; entre as quais, ‘lindas e belas virgens’.

A DECADÊNCIA – Com final do ciclo, logo após a intervenção da Marinha contra os dragueiros ilegais que aportaram a montante e a jusante do Rio Madeira, ‘a pindaíba nos bordéis rondoniense tomou de conta e muitos donos foram obrigados a abandonar a atividade e enveredar por novos caminhos’, como o tráfico de drogas, de pessoas e a lavagem de dinheiro dos garimpos do Mato Grosso, Amazonas e da Bolívia.

O baixo meretrício, mesmo com a decadência na “Belle Epoque’ de Porto Velho, bordéis e clubes dançantes dos anos 81 a 98, volta a tomar fôlego com a continuidade de casas  do tipo Copacabana, Paissandú, Aribóia, Sema, Bar e Restaurante Arapuca [Trevo do Roque] e mais ao largo do Cai N’Água, o QBec [5º BEC], Ipiranga, Flamengo, Ferroviário e no ritmo quente ditado pelos Embalos de Sábado À Noite [Batcaverna, Studio 29, Metropolitan, Porão, ao som de  Danna Summer, Gloria Gaynor, John Travolta, Bee Gees, além da lambada comandada por Beto Barbosa.

TROTOIAR DE VOLTA – Além da anônima ‘dama da noite’ cacoalense, este site tenta repaginar a história das prostitutas mais famosas da ‘Belle Epoque’ de Porto Velho. No rosário dessas ‘estórias’, no seio da velha guarda rondoniense, não há quem não se lembre de uma dezena delas. Mas é de Nita e Maria Eunice quem causa alvoroço, sobretudo quando o assunto ‘é fofoca de garimpeiros nos bordéis da Capital.

A dupla até hoje inspira saudosistas dos garimpos. Basta um deles bamburrar no garimpo do Belmont, arredores de Ariquemes e da Mutum Paraná. Não é novidade achar ‘pencas de mulheres dentro da casa onde funcionam remanescentes de Maria Eunice [Tenreiro Aranha com a D; Pedro II] e de dona Nita, na Afonso Pena com a Avenida Marechal Deodoro, onde existiu o ‘Tartaruga’ – um dos mais tradicionais bordéis da Capital.

Com o fim do ‘Ciclo do Ouro’, profissionais do sexo [mulheres e gays] passaram a disputar o mesmo espaço na luta pelo dinheiro de clientes potenciais. Tudo isso ocorre à luz do dia e no clarão das noites ao largo da Avenida Carlos Gomes e pontos turísticos da cidade.

O que se vê nesses locais, ‘é que, pelo menos, a três anos atrás, o Ciclo das Usinas alavancou o comércio do sexo pago; de um lado, rondonienses, acrianas, amazonenses e migrantes de todos os cantos do País’. Lá, também, a crise chegou para ficar, conta-nos um taxista que faz ponto em um dos hotéis da área central. Segundo ele, ‘há casos de gays, rufiões e prostitutas chegam às vias de fato’.

Ele diz ainda que, ‘nesses locais há também um lado negro da vida cotidiana entre clientes e as presas que irão ao abate’. Ele se refere como abate, o momento que o cliente contrata a mulher ou o gay desejados. Na maioria dos casos envolvendo gays, os clientes são bissexuais e no quesito mulher, a cliente quase sempre tem dupla opção. Ou seja, ‘a cliente está um  pouco distante do conceito de mademoiselles’.

 

Xico Nery é Produtor Executivo de Rádio, Jornal, TV, Repórter Fotográfico e CONTATO de Agências nas Amazônias, Países Andinos e Bolivarianos.

Fonte: Xico Nery/Newsrondonia

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