'NÓIS VAI MAL, NÓIS NÃO SABE LER OS LIVRO' - News Rondônia 'Pudíamos ensserrar por aqui, deixando açim que vossê tirace suas própias concrusões'.

Porto Velho,

Quarta-Feira , 22 de Julho de 2015 - 09:34 - Colaboradores


 


'NÓIS VAI MAL, NÓIS NÃO SABE LER OS LIVRO'

'Pudíamos ensserrar por aqui, deixando açim que vossê tirace suas própias concrusões'.

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No Brasil, a Educação nunca foi a real prioridade de nenhum governo e apesar de ser a 7º economia mundial está sempre entre os últimos no ranking da OCDE (Organização Continental para o Desenvolvimento da Educação) em matéria educacional.Isso por que a riqueza produzida pela classe trabalhadora brasileira –composta por sua maioria de negros(as) e mulheres – não é investida nas áreas sociais e principalmente em uma educação de qualidade.

Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) divulgada pelo IBGE, o país ainda tem 3 milhões de crianças e jovens entre 4 e 17 anos fora da escola, mais de 13,2 milhões de analfabetos e o alarmante número de 33 milhões de analfabetos funcionais, isto significa que apesar de saberem ler estes brasileiros não desenvolveram por exemplo a capacidade de entender o que lêem.

O compromisso assumido por 164 países, entre eles o Brasil, de melhorar a qualidade da educação até 2015 não será atingido globalmente. O“Compromisso Educação para Todos”, traz seis metas que integram o Acordo de Dacar (Senegal), assinado em 2000. Pelo acordo, até este ano (2015), os países devem expandir cuidados na primeira infância e educação, universalizar o ensino primário, promover as competências de aprendizagem e de vida para jovens e adultos, reduzir o analfabetismo em 50%, alcançar a paridade e igualdade de gênero e melhorar a qualidade da educação.

As metas, no entanto, continuarão a ser perseguidas depois desse ano (2015),  e serão definidos critérios claros e mensuráveis e objetivos específicos de financiamento para a educação. "É vital que se coloque em prática uma sólida estrutura educacional global pós-2015 para solucionar problemas pendentes e, ao mesmo tempo, lidar com novos desafios", acrescenta o relatório.

O Brasil também não vai atingir essa meta o País precisa observar se os recursos para a educação estão de fato sendo bem empregados. Além da redução no analfabetismo, o Brasil precisa alcançar uma melhor qualidade de ensino e corrigir as distorções idade/série.

Ensino Superior  - Entre os estudantes do ensino superior, 38% não dominam habilidades básicas de leitura e escrita, segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), divulgado pelo Instituto Paulo Montenegro (IPM) e pela ONG Ação Educativa. O indicador reflete o expressivo crescimento de universidades de baixa qualidade. Criado em 2001, o Inaf é realizado por meio de entrevista e teste cognitivo aplicado em uma amostra nacional de 2 mil pessoas entre 15 e 64 anos. Elas respondem a 38 perguntas relacionadas ao cotidiano, como, por exemplo, sobre o itinerário de um ônibus ou o cálculo do desconto de um produto.

Analfabetismo, um longo aprendizado -  75% das pessoas na faixa etária dos 15 aos 64 anos não conseguem ler e escrever plenamente. 68% são considerados analfabetos funcionais. Estes identificam letras e palavras, mas não conseguem utilizá-las no cotidiano e têm dificuldades para compreender e interpretar textos No Brasil Apenas um em cada quatro brasileiros consegue ler, escrever e utilizar essas habilidades para continuar aprendendo. Os números estão na quinta edição do Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (Inaf), pesquisa lançada pelo Instituto Paulo Montenegro

Só 25% dos brasileiros entre 15 e 64 anos são capazes de ler, entender totalmente o que está escrito e escrever corretamente, enquanto 8% são analfabetos. Outros dois grupos, nos níveis 1 e 2 de alfabetização, são analfabetos funcionais. Embora saibam ler e escrever, não tem como usar esse conhecimento para entender mais de uma frase. Representam, respectivamente, 30% e 37% da população. Os dados constam de uma pesquisa realizada com 2 mil pessoas em todo o País pelo Instituto Paulo Montenegro/Ibope, em parceria com a organização não- governamental Ação Educativa

O site El País, o jornal de maior circulação da Espanha e um dos mais importantes do mundo, destacou em sua página do Brasil,  que o município de Alagoinha do Piauí, por causa de fraude, é uma das cidades mais analfabetas do país. A reportagem feita por Talita Bedinelli, que foi ao município, que fica na região sudeste do estado, conheceu a realidade de uma população que ultrapassa sete mil habitantes.

Segundo a reportagem, Alagoinha do Piauí foi beneficiada com vários programas do Governo Federal, como o Brasil Alfabetizado, que por falta de fiscalização não gerou os resultados esperados, enquanto os recursos eram enviados normalmente. Hoje cerca de 44% dos jovens são analfabetos, taxa muito acima da média nacional. Vale ressaltar que a matéria do El País fala ainda que o município de Alagoinha é investigado por suspeita de irregularidades na contratação de uma ONG pela prefeitura para administrar a escolha e o cadastro dos alfabetizadores. A atual administração, cujo prefeito é Pedro Otacílio (PSB), afirma conhecer as denúncias, mas até agora ninguém foi punido pela fraude.

A aquisição da leitura e da escrita é indiscutivelmente hoje um problema social, cultural e econômico. As demandas da sociedade multiplicaram-se em relação aos níveis de leitura e invariavelmente as necessidades de formação e de informação requerem leitura e mais leitura. Considerando-se a característica grafocêntrica de nossa sociedade, compreende-se que o analfabetismo acarreta uma condição de exclusão social. Cabe ressaltar que essa condição não se restringe aos que não aprenderam a ler e a escrever, mas também se estende àqueles que embora possuam habilidades de leitura e de escrita, não conseguem fazer uso dessas habilidades em suas atividades e práticas sociais.

Isso é válido tanto para os cargos de trabalho qualificado, quanto para as atividades profissionais pouco remuneradas. São os que sofreram os efeitos da ineficiência da escola brasileira e encontram-se em uma condição de exclusão social que buscam os programas de Educação de Jovens e Adultos (EJA).

As dificuldades inerentes a uma escolarização em programas de EJA, o cansaço após o dia de trabalho, a exposição a uma situação culturalmente associada à infância, os sentimentos de vergonha e de incompetência provocados por longos anos de não aprendizagem dentro da escola, assim como a exigência de mobilização de tantos recursos cognitivos e afetivos, não são fatores suficientes para afastar esses alunos da escola.

EUA - Sessenta bilhões de dólares por ano. Foi esta a cifra imponente que a agência empresarial americana National AAlliance of Business (coligação de organizações voltada para o aperfeiçoamento da mão-de-obra) e o National Institute of Literacy estimaram como prejuízo causado pela deficiência de habilidades básicas dos empregados nos Estados Unidos. Os problemas são causados por trabalhadores que não entendem sinais de aviso de perigo, instruções de segurança, instruções ao longo do processo, recomendações de embalagem, estocagem ou embarque de produtos etc. O tamanho da conta

Brasil - A CONTA NO BRASIL é difícil mensurar essas perdas, mas estima-se que por conta do alfabetismo precário, nas empresas brasileiras perde- se uma cifra entre US$ 6 bilhões e US$ 10 bilhões por ano. Essa estimativa foi feita pelo professor Daniel Augusto Moreira, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da Universidade de São Paulo (FEA-USP) a partir de estudo feito em conjunto pela National Alliance of Business e pelo National Institute of Literacy dos Estados Unidos. O cálculo considera a proporcionalidade do PIB entre os dois países.

Para uma mudança efetiva na educação é preciso inverter a lógica política dos últimos governos. Para tanto se faz necessário combinar um maior investimento na educação básica com: a valorização dos profissionais e uma reforma educacional mais profunda. Isso só será possível com 10% do PIB pra educação pública imediatamente, e não com remessas desse recurso para a iniciativa privada e só em 2023 como quer a Dilma e os demais políticos que estão no poder.

Que conhecer algumas metas importantes para a Educação do Brasil?  Veja algumas delas:

Escola e opressões:

Desvinculação das cotas raciais das sociais.

Ações afirmativas para entrada e permanecia de pessoas trans* nas escolas e universidades;

Ouvidoria de combate às opressões (machismo, transfobia, lesbofobia, homofobia e racismo) em todas as escolas e universidades. Chega de impunidade;

Educação laica;

Trabalhadores da Educação:

Diminuição da jornada de trabalho dos funcionários da escola e universidade, tantos os efetivos quanto os terceirizados/precarizados e política salarial condigna;

Fim das contratações emergenciais, com a realização de concurso público que considere o tempo de trabalho dos atuais contratados por tempo determinado, chamados de emergenciais e que tenha provas práticas para os cargos onde os trabalhadores de um modo geral tenham baixa escolaridade;

Atendimento à pauta de reivindicações dos trabalhadores em educação;

Investimento na formação do trabalhador para que esta se dê de forma constante e atenda às demandas reais de cada projeto pedagógico das escolas e universidades;

Tempo coletivo para reunião pedagógica dentro da jornada de trabalho;

Ensino:

Implementação de uma política que garanta Educação Profissional com qualidade para os estudantes que demandarem tal modalidade de ensino através de parcerias com os governos estadual e federal;

Passe livre para os estudantes;

Contra a privatização do ensino através da terceirização e/ou PPP’s nas escolas. Estatização de todas as universidades privadas. Educação não é mercadoria;

Contra as avaliações externas e a meritocracia. Expansão de vagas nas universidades e escolas técnicas combinada com a expansão de recursos humanos via concurso público e estrutura física, rumo ao fim do vestibular.

Defesa da Universidade Estadual de Rondônia,  pública e gratuita, autônoma, democrática e de qualidade socialmente referenciada;

Política salarial condigna para os professores, a fim de que estes possam trabalhar em apenas uma jornada diária;

Combate ao analfabetismo e ampliação do atendimento da EJA. Abertura de salas e respeito à opção de matrícula do estudante trabalhador.

Por uma educação libertária: revolução nos currículos; diálogo entre os saberes; respeito às vivências e aos conhecimentos populares; ensino centrado nos sujeitos e não nos conteúdos.

Por uma gestão democrática nas escolas e universidades que garanta o fortalecimento das instâncias democráticas da escola (Assembleia Escolar e Colegiado Escolar) e o respeito aos Projetos Político Pedagógicos das instituições escolares;

Saúde e escola:

Política de saúde do professor e funcionário das escolas e universidades: promoção, prevenção e tratamento;

Política de saúde da mulher trabalhadora, uma vez que esta é maioria na educação e sofre com o acúmulo das jornadas de trabalho escolar e doméstica;

Política de saúde para os estudantes das escolas: promoção, prevenção e tratamento;

Diminuição do número de alunos em sala, principalmente em sala em que houver alunos de inclusão;

Investimento:

Repúdio a projetos de voluntariado na educação, a exemplo do “amigo da escola”, e desvio de verbas públicas a instituições de ensino privado e/ou estranhas à educação.

10% do PIB para a educação pública!

Por um PNE dos trabalhadores, que seja uma síntese da defesa de uma educação pública de qualidade;

Financiamento que atenda às demandas de uma escola básica, de ensino médio, Educação Profissional e Universidade de qualidade com infraestrutura e materialidade adequadas.

Como afirma Paulo Freire, não podemos manter a ilusão de que o fato de saber ler e escrever, por si só, contribuirá para alterar as condições de moradia, comida e trabalho. Dado que, além da simples capacidade de ler, estão as formas de inserção das pessoas no tecido social e a distribuição da riqueza econômica e dos bens culturais. Isso implica, entre outras coisas, na possibilidade de que o indivíduo, ao se tornar um leitor, ganha mais autonomia em relação à sua própria vida. Ainda que seja consenso de que não há justiça possível sem transformação nas relações de poder, concordo com o Grande Educador Paulo Freire, ao defender a idéia de que não existe transformação social sem a contribuição da educação:

Sendo assim, acredito que seja necessário elaborar um projeto de alfabetização que compreenda a leitura enquanto processo de ressignificação do objeto lido, que pode ser um livro, uma obra de arte, um texto, entre outras coisas, que amplie a noção de leitura e a visão de mundo, de tal modo que se possa compreender o homem como um ser histórico e social.

Reconheço também os avanços já obtidos nos últimos anos – especialmente com a universalização do ensino básico – para garantir que os brasileiros saibam ler e escrever.  No entanto, lembro que as ações precisam ir além da escola. O primeiro passo é garantir que não haja mais “novos analfabetos”. Não há como resolver o problema do analfabetismo se não alfabetizarmos as crianças na idade correta,  uma criança que não aprende a ler e a escrever quando deveria, começará a enfrentar dificuldades para acompanhar os conteúdos e acabará desistindo da escola. Esses desistentes entrarão para as estatísticas negativas da reprovação e do abandono escolar. Algumas farão parte dos números dos analfabetos.

A situação de ser analfabeto, de precisar silenciar porque não domina os mecanismos da leitura e da escrita, porque não entende o que a sociedade letrada e digital de hoje exige, tem origem e encontra razões na própria sociedade e não em sua incapacidade como sujeito do aprender. Nunca será demais enfatizar que a política educacional para respeitar a ética da igualdade e promover a justiça precisa garantir oportunidades e condições a todos. 

Autor Professor e Jornalista Zecca Paim
MTB| 1453/RO

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Fonte: Zecca Paim

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