Terça-Feira, 14 de Novembro de 2017 - 11:55 (Colaboradores)

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LIVRE

MUNDO SAZONAL - POR JÚLIO OLIVAR

Nada me espantaria se depois de Francisco retomemos discursos arcaicos na Igreja Católica e que o papa seja sucedido por algum defensor da TFP.


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Numa mesma era vemos surgirem líderes mundiais completamente antagônicos entre si, em todas as frentes, que impedem uma direção menos tortuosa para a humanidade. É um vai-e-vem que não permite vislumbrarmos algo linear; ficamos sem referências, sem rumo. Um passo para frente e outro para trás, de modo que não saímos do lugar. 

Depois de Obama, um negro no poder central em plena meca do capitalismo, parecia muito evidente que não haveria um retrocesso como foi a eleição do atual presidente. Mas, somente o desenho politicamente incorreto Os Simpsons conseguiu prever o que nenhum cientista político conseguiu. A alma do norte-americano não mudou! E não é diferente em lugar nenhum do mundo. Nada me espantaria se depois de Francisco retomemos discursos arcaicos na Igreja Católica e que o papa seja sucedido por algum defensor da TFP. 

A "culpa" pelo surgimento dos líderes radicais de direita é, via de regra, dos próprios progressistas que, no poder, se corrompem e se tornam "amigos do rei", por meio da adoção de medidas que só reiteram o status-quo. Falta-lhes a coragem necessária para desmascarar os inimigos e mostrar ao povo de forma didática quem é quem. 

Para compreender o que ora afirmo recomendo a leitura de "A mosca azul", de Frei Betto. É um relato com valor documental do primeiro Governo Lula. A conquista do poder por um operário que chegou a obter quase 90% de popularidade e fazer Dilma, uma anônima, como sucessora, poderia ser a mola propulsora de mudanças sem volta. Mas... O que se viu foi a incorporação pelo PT de preceitos reprováveis como a corrupção e as alianças com o mercado, o modus operandi da velha política, Calheiros, Sarney, IURD, etc, que custaram muito caro e, agora, culminarão no retardo em décadas de um governo que volte a emanar do povo. 

A desconfiança que o povo demonstra ter em relação à classe política não é o suficiente para ele encarar a necessidade de apenas corrigir o que está errado. Ao contrário, começa a imaginar-se frágil e insciente para conduzir a si por meio de representantes de sua classe preferindo, assim, aderir à doutrina do opressor. O que acaba acontecendo é apenas uma substituição dos sonhos frustrados pelos políticos que sempre estiveram por aí, mesmo que se apresentem agora como "novos". São espectros da UDN com plumagens renovadas para enganar o senso-comum. 

Ressurgem os adesistas perniciosos que, agora, usam um discurso construído pelas práticas dos progressistas. Na verdade, eles, os conservadores, não creem em quase nada do que afirmam em nome do "politicamente correto".

Eles são resultado do desastre dos inocentes úteis que, no poder, adoram as mordomias e se comportam como "bem-nascidos". Começam a assinar com Mont Blanc, viajam de primeira classe e tomam toda a agenda por práticas previsíveis. É um quadro igualzinho àquela história de A revolução dos bichos. 

Até as mulheres dos líderes populares  se comportam como matronas, peruas, não assumindo qualquer desafio em benefício de uma nova percepção do mundo; é dever de quem tem o poder fazer o povo pensar, despertando seu senso crítico. Todo esse comportamento do "poderoso de ocasião" é sintomático; é a negação do pobre bem-sucedido em relação à sua própria trajetória. Algo que só Freud explica.

Júlio Olivar, jornalista e escritor, presidente da Academia Rondoniense de Letras e superintendente estadual de Turismo em Rondônia.

Fonte: Júlio Olivar/NewsRondônia

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