Terça-Feira, 08 de Novembro de 2011 - 09:39 (Colaboradores)

MORTE ANUNCIADA, por Emerson Barbosa

É justamente lá, no pedaço, no montinho de terra onde o dinheiro público nem passa perto. É terra de gente onde perspectiva é algo tão abstrato que morrer e ter um enterro digno é palavra distante


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A morte prematura do repórter cinematográfico da TV Bandeirantes do Rio de Janeiro, Gelson Domingos, no último domingo (06) já era anunciada. O que não se sabia é que a violência que tanto as emissoras de televisão narram, faria  como vítima um colega de profissão. Um jornalista que passou boa parte da vida atrás de imagens de um mundo totalmente sem glamour e que as telenovelas não mostram. Gelson Domingos entrou para a estatística brasileira como mais uma número do poder paralelo, que é dominado pelas milícias existentes, não apenas no Rio de Janeiro, mas em todas as periferias de cada região marginalizada no Brasil.

É justamente lá, no pedaço, no montinho de terra onde o dinheiro público nem passa perto. É terra de gente onde perspectiva é algo tão abstrato que morrer e ter um enterro digno é palavra distante. A morte de Gelson Domingos, assim como o jornalista da TV Globo Tim Lopes que foi executado com requintes de crueldade, no dia 02 de junho de 2002, listam mais um capítulo da violência brasileira, onde os verdadeiros culpados fogem da mira de um fuzil como o diabo da cruz.

A partir de agora a Justiça vai buscar um bode ou mais um famoso boi de piranha e nele ou neles descarregar toda a sua miserável atuação, que entra ano e sai ano e  tudo continua igualzinho como era no velho mundo, aqui no Brasil.  O Estado mais uma vez esconde seu fracasso, a sua péssima atuação mirando em bandidinhos de quinta estipe, com o simples intuito de tentar vendar os olhos do povo. Todos sabemos que o problema não acaba na troca de tiros entre a polícia e milicianos durante encontros marcados nos becos e nas ruelas das favelas cariocas ou como preferir das comunidades, como hoje são esteriotipadas. É um problema que a presidente Dilma Rousseff e tantos Lulas da República sabem e sabem também o endereço de todas elas.

É nas fronteiras sem nenhum controle que aportam 90% da violência do Brasil.  É por elas que passam toneladas de cocaína e todos os tipos contrabando inclusive a arma que tirou a vida do repórter cinematográfico Gelson Domingos.  Prender traficantes não adianta em nada se o poder deles continua nas mãos da hierarquia passando de filhos para irmãos, de irmãos para namorada, da namorada para os cunhados. O vilão pode até ser o bandido, mas o bandido é apenas uma cria de um Estado que não governa para o povo. Já basta!

Fonte: Emerson Barbosa

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