Sabado, 24 de Setembro de 2016 - 09:41 (Colaboradores)

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MÍMICA VENTRÍLOQUA - Por Max Diniz Cruzeiro

Mímica é um ato de expressão sublingual com o objeto de transmissão de comunicação sem que haja necessidade de movimentos de abertura do eixo da boca.


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Mímica é um ato de expressão sublingual com o objeto de transmissão de comunicação sem que haja necessidade de movimentos de abertura do eixo da boca.

É uma prática circense milenar que tem como foco em sua principal atividade o entretenimento.

É uma forma peculiar de abastecer a imaginação principalmente de crianças quando a brincadeira se apresenta na forma de indução de bonecos em que o ventríloquo empresta sua fala para caracterizar a expressão e vontade do brinquedo.

Como forma de brincadeira ela pode servir para persuadir pessoas a expressarem uma subjetividade que não pode ser dita diretamente, em que o sujeito que expressa não é identificado facilmente.

A coisa pode manifestar a fala, e o mímico apenas sinalizar o movimento, como é caso do artista que utiliza os lábios para similar uma boca de peixe, em que um boneco próximo passa a dialogar com este pelo empréstimo da sonoridade.

Então há que se raciocinar em termos de dois eventos que ocorrem simultaneamente, uma expressão gutural que faça parte de um conteúdo interno à boca que é alicerce para a mímica, e uma outra estrutura sublingual que move os fluxos e barreiras de ar para a geração do som a fim que o conjugado das narinas possa promover o ato de expressão labial sem que com isto se use os lábios para que o som se projete do interior para a parte externa da boca.

A mímica ventríloqua pode ser comparada como o uso da inconsciência para que o indivíduo possa expressar-se sem ser denunciado. A fim de que a sua parte retida ganhe o extravasamento de que necessita para comunicar algo que se pressupõe oculto ou adormecido, que não pode ser objeto de expressão, que por ser inconsciente sofre a influência do recalcamento.

Esta inconsciência é liberta, pertence a outro, e não ao mensageiro que a expressa. Portanto não é conveniente que o sujeito que a expressa sinalize que é algo consciente que dá vazão a sua linha de raciocínio.

É um código moral que se segue, da negação daquilo que não pode ser exposto, porque é um ente inconveniente, incapaz de se sensibilizar aos apelos e expressão de um ego consciente.

Portanto é um ego inconsciente que aflora, em que assusta quem esteja presente, visualizado muitas vezes na figura do palhaço que brinca com truques que enaltecem a sua própria sorte.

Embora inconsciente é por vezes lúdica, em muitas outras condições se apresenta de forma onírica, onde o pensamento se constrói como uma identidade do sujeito que quer emergir para se mostrar ao mundo de forma tão evasiva.

É uma brincadeira de uma criança que testa suas habilidades do repercutir de forma inconsciente um mundo abstrato que se expõe, sem que com isto venha se configurar uma transgressão a uma regra de comunicar.

E se expondo, o mímico ventríloquo coloca à mostra parte de sua liturgia sarcástica. Onde também é possível brincar com a imaginação dos ouvintes.

É necessário um controle muito específico da voz num nível interno sem a necessidade de deslocar os lábios, fazer em termos de maestria um deslocamento mínimo em que os receptores não consigam identificar de que localidade o som está sendo disseminado.

Portanto há que se pensar em um momento oculto, em que o sujeito não quer se identificar. Quer ser cônscio, sem mostrar a sua identidade, quer ser atuante, e ao mesmo tempo fazer parte de um inconsciente rumo a uma coletividade quando a expressão é colocada para fora, ou seja, por sobre o eixo ambiental.

É uma imitação de si mesmo, de algo percebido, porém não nomeável em que o sujeito reverbera conteúdos circulares para dizer verdades que não teria força de expressão pela via natural da expressão da fala.

E conduzindo o laceio se enfeita para dar personalidade distinta para os personagens que se constrói na luz do bordado que se fabrica como uma expressão lúdica de um pronunciamento em que a subjetividade diz respeito ao outro que estava represado e que agora encontra um motivo de existência no plano real.

Este laceamento preenche um vazio que não pode ser tocado, mas que ao ser laceado transborda em excitações que atingem a circunvizinhança na forma de redemoinhos a construir a retórica do saber do objeto de expressão, que é o boneco que ilustra a trajetória do personagem.

É um local onde o artista se isenta, para dar lugar a uma criação que sobrevive dentro de si, sem existência real, onde o imaginário está presente dentro de sons e falas submersas que somente podem emergir por meio de um interlocutor-objeto distante de sua real personalidade.

O mímico transborda em criatividade, mas sem deixar se afetar pela personagem do seu interlocutor: o boneco; onde se constrói uma cisão de personalidades, em que a segmentação passa a comandar identidades distintas que não podem se entrelaçar, a fim de que o sentido cada vez real da separação torne real o efeito de informar ao público de que o imaginário é que esteja se expressando de fato.

Então o mestre ventríloquo é um sujeito bipartido, onde um se ausenta para dar sentido de expressão e emotividade para outro que emerge, mesmo que se construa um diálogo, onde a percepção de um não adentra sobre o outro e se monstra dentro do princípio de criação de insights que surpreendem boneco-interlocutor na tecelagem de um tecido de entendimento no ato de transmitir um conteúdo de fundo psíquico.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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