Domingo, 08 de Março de 2015 - 12:32 (Colaboradores)

MILITARES DE RONDÔNIA LEVAM TERROR A ASSENTAMENTOS NO SUL DO AMAZONAS

Fora da jurisdição onde deveriam atuar, ao menos, dois deles recheiam um dossiê sobre a violência no campo entre os vilarejos amazonenses e a capital Porto Velho.


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CANUTAMA, Sul do Amazonas – Não é de hoje que policiais rondonienses são acusados de agirem de forma considerada ilegal dentro do território amazonense.

Fora da jurisdição onde deveriam atuar, ao menos, dois deles recheiam um dossiê sobre a violência no campo entre os vilarejos amazonenses e a capital Porto Velho. É ao longo da BR-319, que atuariam em nome do grupo que é dono da Fazenda Jaó e madeireiros clandestinos.

O militar já foi identificado e viria agindo armado em ações de intimidação, coação e constrangimento a agricultores familiares estabelecidos em áreas de Projetos de Assentamentos do INCRA [Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária] no entorno de grandes fazendas.

Nas áreas onde já ocorreram vários casos de enfrentamento entre os agricultores e o policial. Nessas localidades, a figura de um subtenente, sempre à paisana e fortemente armado, ‘foi filmado empunhando uma arma de grosso calibre, cujo material estaria com o produtor rural, Donizete Cordeiro’.

Um dos casos de truculência atribuída aos militares citados chegou ao conhecimento da Corregedoria da PM rondoniense, mas até a presente data ‘nenhum procedimento teria sido divulgado’, de acordo com agricultores dos rios Azul e Mucuim.

Apesar da ação dos militares seja do conhecimento de outros órgãos de controle policial e ministerial – um deles estaria lotado no gabinete do Comandante Geral, mas que antes fora assistente na Assembléia Legislativa -, ‘é visto liderando o núcleo de segurança da JAÓ nos limites com os assentamentos e ocupações do entorno da BR-319’.

De acordo com pedido de informações à Corregedoria Geral da Policia, subscrito com base na Lei de Informações Públicas [art. 5º, Incisos XXXIII, da CF; art. 24 da Lei nº 9.784/99; arts. 22 e 23 da Lei nº 8.159/91; e art. 32 do Decreto nº 2.134/97], ‘órgão criado para apurar o envolvimento de militares em casos de má conduta ou crimes, designara apenas uma equipe para informar-se sobre o autor onde poderia ser encontrado’.

Decorridos anos das primeiras denúncias que envolvem militares rondonienses em território amazonense em ações ilegais, o governo rondoniense ainda não deu sinais de que irá contê-los. O grupo faz bico, denunciam os agricultores da Linha 10, no quilômetro 32 e do Joana D’Arc.

A maioria estaria a serviço do latifúndio e do agronegócio madeireiro, sobretudo no sul de Canutama, Lábrea e Humaitá, municípios constantemente roubados e invadidos a mando do cartel da madeira e pecuário de Porto Velho.

Por sua conta e risco, os agricultores decidiram denunciar o rosário de abusos e violência atribuídos aos militares, sobretudo o que estaria lotado na Ajudância do novo comandante da PM de Rondônia.

Da violência sofrida por eles, dentro do rosário contido no dossiê a ser encaminhado ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, à presidente Dilma Rousseff, ao Ouvidor Agrário Nacional, desembargador Gercino Silva e ao comandante Geral das Policias Militares brasileiras, há um vídeo onde um dos denunciados aparece de arma apontada ao agricultor Donizete Cordeiro e aos colegas de pré-nome Beto e Renato. 

Fonte: Xico Nery/NewsRondonia

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