Segunda-Feira, 18 de Abril de 2016 - 15:51 (Colaboradores)

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MICHEL TEMER (PMDB) JÁ TEM ALGUNS NOMES COTADOS PARA MINISTROS E JÁ DISCUTE MEDIDAS

Com impeachment à vista, vice-presidente se mantém discreto, mas discute cenários com aliados. Bolsa de aposta de ministeriáveis está em alta. José Serra, Paulo Skaf e Nelson Jobim são cotados.


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O vice-presidente Michel Temer já começa a traçar a organização de seu eventual governo, caso o processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff seja de fato aberto.

Temer também quer reduzir sensivelmente os 22 mil cargos comissionados espalhados pela Esplanada. Até que o Senado decida sobre o afastamento temporário de Dilma, no entanto, a ordem é não dar declarações específicas sobre o futuro governo em respeito ao Senado e também porque, neste interregno, a presidente do país continua sendo Dilma.

Confira os cotados para as pastas:

Armínio Fraga

FAZENDA: Foi presidente do Banco Central no segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso. Sócio-fundador da Gávea Investimentos, é um dos economistas mais influentes do Brasil com bom trânsito entre os tucanos.

Ronaldo Caiado

José Serra

Dois nomes são considerados ministros dos sonhos do vice: o senador José Serra (PSDB-SP), para a Saúde, e Armínio Fraga, para a Fazenda — embora este último já tenha sinalizado que tem dificuldades de aceitar um eventual convite. Dois outros economistas são vistos como possíveis indicações para a equipe econômica, especialmente no caso de recusa de Armínio: os presidentes do Insper, Marcos Lisboa, e da Federação Brasileira dos Bancos, Murilo Portugal — ambos ex-secretários do Ministério da Fazenda.

Mas, Para não afastar aliados, os peemedebistas buscarão evitar o loteamento de cargos no primeiro escalão com nomes do próprio partido, ficando com o comando de quatro ou, no máximo cinco ministérios. Isto porque a intenção é de que o “núcleo ideológico” do novo governo seja comandado por PMDB, DEM, PSB e PSDB — ainda que os tucanos não desejem até este momento ocupar cargos institucionalmente. Juntos, estes partidos somam 176 deputados. Para formar maioria, o vice sabe que precisará do apoio das outras legendas de sustentação do governo Dilma, como PP, PR e PSD. A expectativa, portanto, é que eles também tenham ministérios relevantes. Mas aliados de Temer dizem que haverá critérios mínimos de qualificação.

Deputados integrantes de legendas como o DEM, o Solidariedade, o PSDB, o PPS, o PSD, o PP e o PR já admitem nos bastidores que devem compor a base de sustentação de um eventual governo Michel Temer (PMDB), caso seja aprovado o processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff.

Apesar disso, parlamentares dessas siglas afirmam que será necessário que um eventual sucessor busque todas as legendas para um diálogo político, principalmente em relação aos rumos da política econômica do Brasil, porque sozinho ele não consegue governar.

Em caráter reservado, os parlamentares do Solidariedade já admitem “apoiar em peso” um eventual governo Temer. “Nós somos contra o governo Dilma. Queremos tirar a Dilma e não adianta fazer isso e tentar derrubar seu sucessor”, admitiu um importante integrante da sigla sob condição de anonimato.

Temer também vai deflagrar em conversas com aliados as negociações para montar sua futura base aliada no Congresso. Assessores dizem que não estão descartadas nem sequer conversas com alas do PT no sentido de tentar desmotivar reações radicais de entidades simpáticas ao petismo, como o MST.

A equipe de Temer também vai procurar estabelecer negociações com o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB- AL), para aparar arestas entre os dois e buscar que ele acelere o processo de votação na Casa da autorização dada pela Câmara para abertura do processo de impeachment contra a presidente.

Li hoje uma entrevista ao O Estado São Paulo, Serra mostrou desenvoltura para falar sobre o futuro do Brasil. “O PSDB será chamado [a participar de um novo Governo] e terá a obrigação de participar”, disse ele, lembrando que as duas áreas mais críticas atualmente no Brasil são a economia e saúde. Por coincidência, duas áreas nas quais foi ministro (Planejamento e Saúde) nos tempos do Governo de Fernando Henrique Cardoso (1994 a 2002). O senador, que já concorreu à presidência da República duas vezes (foi derrotado por Lula em 2002, e por Dilma em 2010), chegou a sugerir que o atual vice peemedebista não dispute reeleição em 2018 caso chefie este Governo de transição.

Temer toma distância das especulações. Nesta segunda, soltou uma nota em clara resposta à entrevista de Serra. “Michel Temer não tem porta-voz, não discute cenários políticos para o futuro governo e não delegou a ninguém anúncio de decisões sobre a sua vida pública”, afirmou. O recado  é duro para preservá-lo dos holofotes, mas nos bastidores ele conversa com interlocutores de todas as cores partidárias. “Ele se faz de morto para aparecer mais vivo do que nunca quando for convocado a entrar em campo”, diz um observador próximo.

Existe a chance ainda de um pronunciamento do peemedebista em tom de busca da “pacificação nacional”, tentando indicar que fará um governo de união com todas as forças políticas. Já nesta segunda-feira (18), a equipe do vice diz que passa a ter uma “perspectiva concreta” de poder e, por isto, ficará confortável para fazer “sondagens oficiais” de nomes que poderão compor seu ministério.

Por Jornalista e Professor

José Carlos Paim
MTB 1453/RO

Fonte: José Carlos Paim

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