Sexta-Feira, 17 de Novembro de 2017 - 09:42 (Geral)

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MAIS DE 40 MIL SOLDADOS DA BORRACHA MORRERAM SEM DIREITO À INDENIZAÇÃO E REPATRIAÇÃO AOS ESTADOS DE ORIGEM

À época, os nordestinos recrutados integravam uma lista extensa de pessoas que fugiam do flagelo da seca e da fome que campeava no sertão e do semi-árido.


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Porto Velho, Rondônia – Do efetivo de soldados da borracha recrutados, praticamente, à força no nordeste brasileiro para atuar os seringais amazônicos estariam vivos apenas cerca de 20% em idade acima dos 90 anos.

Segundo dados fornecidos pelo Vice-Presidente do Sindicato dos Seringueiros e Soldados da Borracha (SINDSBOR), o ativista George Telles de Menezes – viajou a Brasiléia, no Acre, colhendo assinaturas para um abaixo-assinado ao governo federal -, o governo dos Estados Unidos teve papel fundamental no recrutamento dos soldados à Amazônia Brasileira’, onde foram explorados e a morte morta pela Malária e animais selvagens.

À época, os nordestinos recrutados integravam uma lista extensa de pessoas que fugiam do flagelo da seca e da fome que campeava no sertão e do semi-árido. A situação, de acordo com George Telles (O Carioca), ‘eram homens simples, de baixa de escolaridade e de prole muito grande abandonados à própria sorte pelos governos do Brasil e dos Estados Unidos’.

A missão dos seringueiros amazônicos e dos soldados da borracha nordestinos era extrair o látex nos seringais da Amazônia para abastecer a indústria bélica para os países aliados na 2ª Guerra Mundial. Segundo historiadores consultados, ‘mais de 100 deles foram recrutados para a ‘Batalha da Borracha’, com a maior parte deles vítimas de doenças, acidentes, ataque de feras (onça, obras etc) e pistoleiros a mando de seringalistas.

Segundo dados repassados a site, ‘outra parte dos soldados da borracha e seringueiros morreram por pressão física e psicológica dos patrões do Norte do Brasil ainda nos anos 40, cinco antes do término da Guerra com a capitulação dos japoneses, italianos e alemães’.

- Na contagem dentro desse sinistro depósito de ossos na floresta amazônica, estima-se que mais de 40 mil soldados da borracha tenham tombado dentro e fora dos seringais amazônicos, revelou George Telles.

Com a maioria dos soldados da borracha mandada à Amazônia - já morta - sem obter o reconhecimento de combatentes de guerra pelo governo brasileiro, de acordo com registros no obituário em poder do Sindicato da categoria para os estados de Rondônia, Acre, Amazonas, Pará e Amapá, ‘resta, com uma minoria ainda viva, apenas aos familiares aguardarem pela aceitação desse direito’.

Historicamente, sabe-se, no entanto, que, ‘por conta das graves violações dos direitos humanos desses brasileiros mandados aos seringais, mesmo por força do Acordo de Washington, que garantia todos direitos a salários e indenizações junto ao Ministério da Guerra, através dos governos do Brasil e dos Estados Unidos, ‘eles continuam esquecidos’.

Em troca do trabalho árduo e perigoso nas estradas para a coleta do látex enviado aos Aliados durante a Grande Guerra, ‘restou ao abandono provocado por sucessivos governos do Brasil’, sobrevivendo os que ainda estão vivos e seus familiares remanescentes, ‘de uma minguada pensão de até dois salários mínimos’, denuncia o presidente do SINDSBOR, José Romão Grande, de 93 anos.

Fonte: NewsRondônia

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