Segunda-Feira, 31 de Outubro de 2016 - 15:32 (Colaboradores)

L
LIVRE

LOUCOS SÃO APENAS OS SIGNIFICADOS NÃO COMPARTILHADOS. A LOUCURA NÃO É LOUCURA QUANDO COMPARTILHADA. ZYGMUNT BAUMAN

Fica obrigatório dizer que se é feliz. Dizer que não se está bem, é motivo de crítica. Se sente se mal, alguém oferece um calmante, um remédio, uma terapia, uma oração.


Imprimir página

O que é certo? O que é errado? Ética volta sempre a ser tema da vida. Como disse Zygmunt Bauman, em forma de analogia, qualquer coisa só é estranha quando não é partilhado por todos.

Uma roupa, um calçado, uma cor de cabelo, uma opinião. Se não for compartilhada por todos, pronto, o agente vira motivo de críticas e de rótulos.

Pensando assim, se existe um tipo de comportamento e de alguma forma os que estejam ao redor ajam da mesma forma, vira se ícone, no entanto, se por algum motivo, alguém sinta se excluído, automaticamente cria se um grupo a parte com adeptos do mesmo pensamento que passarão a julgar o comportamento que anteriormente era perfeito.

Fica obrigatório dizer que se é feliz. Dizer que não se está bem, é motivo de crítica. Se sente se mal, alguém oferece um calmante, um remédio, uma terapia, uma oração. Pois bem, algumas dores precisam ser sentidas, precisam ser exteriorizadas. Difícil é fazer as pessoas entenderem isso, porque se entenderem, terão que apenas ficar ali e admitir a impotência humana.

Ando pensando muito a respeito de sentimentos. Se por acaso não tivesse dentro da cultura, nenhum Ser sobrenatural, ou regra que julgasse. Se fosse possível fazer qualquer coisa sem ser punido. Será que as ações seriam as mesmas? Deus está vendo. Sua mãe vai brigar. O que seu chefe vai achar disso? Seus amigos continuarão amigos depois disso? Não faça o que você gosta quando todos estiverem vendo, faça escondido. Crie um “Fake”. Afinal isto pode fazer mal a sua reputação.

E as escondidas, quando crê que ninguém esteja vendo, liberta se da culpa e da possível sanção e entregasse as vontades. Creio que a grande revolta dos detentores das análises marginais, seja a falta de coragem de fazer em público, e assim, melhor destruir quem faz.

Cumprimente! Temos que ter etiqueta. Sorria, todos estão sorrindo. Não fale desta forma, vai que alguém interprete mal. Omitisse a individualidade para que as outras pessoas tenham a imagem que a sociedade quer que elas tenham, e nesse sentido, quando alguém é espontâneo, faz as coisas porque gosta, é original, acredite a interpretação muda. Liberdade. O limite da liberdade fica preso aos direitos do outro. Podemos fazer qualquer coisa, desde que essa coisa, não incomode ninguém. Continuemos sorrindo, não concordar é crime.

Por vezes tomasse para si, inclusive a dor, amor, ódio e desprezo do outro. Passasse a ter os mesmos sentimentos em relação a coisas e pessoas, tão somente porque alguém que interesse diretamente os tem. Cuidado! Não congregar dos mesmos sentimentos te faz diferente, motivo de desconfiança.

Hipocrisia ao discursar com ênfase aquilo que não faz. Mas acredite, as pessoas vão gostar. Frases feitas para responder aquilo que nem se ouve. Deprimente. Explicações demasiadas ajudam a acreditar naquilo que não se tem certeza. Cuidado novamente! Dizer sim ou não, é crime. É necessário discutir o sexo dos anjos.

Ética, fazer as coisas independentemente de sanção ou de norma estatal, social ou religiosa. Dizer não, onde todos dizem sim, ou o inverso, mesmo que tão somente não se concorde, é crime.

Novamente Zygmunt, a incerteza foi sempre o chão familiar da escolha. Há dois valores essenciais que são absolutamente indispensáveis para uma vida satisfatória, recompensadora e relativamente feliz. Um é segurança e o outro é a liberdade. Você não consegue ser feliz, você não consegue ter uma vida digna na ausência de um deles, certo? Segurança sem liberdade é escravidão e liberdade sem segurança é um completo caos, incapacidade de fazer nada, planejar nada, nem mesmo sonhar com isso. Então você precisa dos dois.

Lembre se que quem bate em pilastra sólida, quebra a cabeça. Ouvi que em regra, o primeiro é sempre Joana D’Ark, vai ser queimado.  No entanto um dia o murro cai. De tanto errar, aprendi algumas coisas, não repetir o mesmo erro. Refletir e seguir, ainda que ninguém esteja vendo. 

Nina Lee Magalhães
Advogada, professora, palestrante e apresentadora

Fonte: Nina Lee Magalhães

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias