Domingo, 21 de Janeiro de 2018 - 12:46 (Colaboradores)

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LIVRE

LET ME TRY AGAIN* - POR JEFRSON SARTORI

Nunca achei que fosse boa ideia tirar a própria vida por causa de mulher. Mas nesse caso, era Ava Garner, alguém que já foi considerada a mulher mais linda que já foi fotografada em toda a história.


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“Eu devia ter estado lá ao lado dela.” Murmurava dolorosamente, desabando em prantos um senhor de olhos azuis. Este homem era Frank Sinatra e acabara de receber a notícia da morte de Ava Gardner em janeiro de 1990. Eles haviam sido casados de 1951 a 1957, um casamento que oscilava entre a felicidade e o glamour ou brigas e caos emocional. Mesmo depois da separação, nunca esqueceram um ao outro. Dizem à bocas miúdas, que Frank Sinatra tentou suicídio quando Ava terminou o casamento.

Nunca achei que fosse boa ideia tirar a própria vida por causa de mulher. Mas nesse caso, era Ava Garner, alguém que já foi considerada a mulher mais linda que já foi fotografada em toda a história. Qualquer homem que tivesse um pingo de juízo deveria por uma questão de brios, tentar tirar a própria vida – mesmo que jamais tivesse a intenção de perder nem a vida nem Ava. No tocante a esse assunto, se eu tivesse conhecido alguém que tivesse levado um fora da Ava, e este meu conhecido não tivesse atentado contra a própria vida, surpreso eu diria: “O que há de errado com você homem?! Quer que eu lhe pague uma boa dose de veneno ou um pedaço de corda?”

Brincadeiras à parte é digno de nota que Sinatra nunca mais foi o mesmo depois da separação. Para quem aprecia suas canções de amor mal resolvido, pôde notar que as gravações após esse episódio, adquiriram uma intensidade única, nunca antes vista (ouvida) e a isto junta-se sua inigualável voz – termo aliás, pelo qual Sinatra é conhecido até hoje nos Estados Unidos, apenas “a Voz” -, formaram ingredientes fundamentais para a construção de um ícone da música mundial.

Quanto a Ava Gardner, também jamais esqueceu Sinatra, para os dois a fama, a glória o glamour, a riqueza, e o tempo não foram capazes de atenuar as lembranças dos muitos bons momentos juntos com carinho, cuidado e amor de um para com o outro; bem como não atenuou a amargura de um amor perdido. Quando esteve no hospital, até o momento de sua morte, Ava manteve apenas uma fotografia numa pequena mesa ao lado de seu leito, na fotografia via-se ela e Sinatra em um apaixonado beijo.

Sofrer por algo que não fizemos, sem dúvidas é a pior de todas as dores. A respeito disso muito acertadamente comentou meu grande amigo Senilson: “Arrependimentos tardios e cruéis são mais comuns que supomos.” A amarga distância desses dois corações, a fria solidão entre as multidões que os veneravam tornou-lhes a vida um tanto quanto secundária, perdendo espaço para uma outra vida, a que sonhavam ter vivido. Em seu momentos finais, ao observar a fotografia que mencionei, Ava disse a uma confidente: “Eu o amava demais, sempre o amei e deveria ter continuado cuidando de Frank.”

* Uma das mais belas canções interpretadas por Frank Sinatra.

Jefrson Sartori

Fonte: Jefrson Sartori / News Rondônia

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