Segunda-Feira, 06 de Outubro de 2014 - 15:45 (Colaboradores)

LER É NAVEGAR EM MARES ESTRANHOS!

É natural se decepcionar, mas nem por isso todos os livros seguintes irão lhe decepcionar também.


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Você nunca sabe o que te espera nas próximas páginas. Você não sabe se vai rir, chorar, sentir vontade de rasgar o livro ou simplesmente parar de lê-lo. Os livros são como os mares, imprevisíveis! Nunca sabemos o que podemos encontrar pela frente. E é exatamente essa busca pelo desconhecido que a vontade de continuar lendo surge. É natural se decepcionar, mas nem por isso todos os livros seguintes irão lhe decepcionar também. 

Te faz criar seu próprio mundo literário. Ler te dá um misto de sensações gostosas, te faz rir até a barriga doer, ou chorar até as lágrimas acabarem. Ler é conhecer o mundo em que vivemos (e outros também). Ler modifica o pensamento, o modo de agir, de falar, de olhar o lugar em que dividimos com outras pessoas, te faz enxergar os menores detalhes de situações aparentemente insignificantes. 

A importância da leitura tem se perdido a medida que os jovens e crianças (principalmente) ingressam no mundo da tecnologia, os bons e velhos livros estão sendo deixados de lado... Mas tecnologia não é desculpa para não ter o hábito de ler, os livros digitais estão aí pra isso não é? Falta de tempo também não é desculpa. Deixo meu conselho para todos. Ler é maravilhoso. Tire um tempinho, nem que seja 10 minutos do seu dia para ler algumas páginas de um livro. Comece pelo que gosta. Mas não se prenda em um só gênero, explore todos possíveis. 

Pais, incentivem seus filhos a ler, leiam para eles não por obrigação, mas para fazer deles pessoas melhores no futuro. Incentivem a criatividade, a criação literária de seus pequenos, isso é bom não só para as crianças, mas para os próprios pais que ao passar um dia inteiro trabalhando, terem um tempo com os filhos, e da melhor maneira, lendo! 

Eu fui incentivada desde bem pequena, comecei a ler cedo, com os gibis da Turma da Mônica, depois o gosto só foi aumentando e hoje leio de tudo, até rótulo de shampoo. Então essa é a minha dica, e para quem quer começar a pegar gosto, deixo minha indicação literária aqui.

A Menina Submersa: memórias

Autora:  Caitlín R. Kiernan

Título original: The Drowning Girl, a memoir

Editora: Darkside Books

Número de páginas: 320

Gênero: Romance psicológico/Realismo mágico

A Menina Submersa é um livro que desafia sua lógica. Em toda a narrativa, India Morgan Phelps (Imp) dá um nó em sua mente. Com vinte e poucos anos, moradora de um pequeno apartamento em Rhode Island, Imp sofre de esquizofrenia, como sua mãe e avó-já falecidas por suicídio-. Pintora, resolveu começar a escrever sua história de fantasmas. Tudo começou quando Imp, deixando a namorada Abalyn em casa trabalhando, saiu, e dirigindo em suas saídas rotineiras pelas estradas, vê Eva Canning, nua, pálida e molhada, branca e misteriosa, à beira de um lago. Outra pessoa acharia que era uma assombração e certamente não pararia para conferir. Não Imp. Estacionou o carro na beira da estrada e foi até ela. Acabou levando Eva Canning para casa, afinal, para Imp, poderia ser a reencarnação de um quadro muito importante para ela (citado no livro, chamado "A Menina Submersa" de Philip George Saltonstall, alguns outros quadros e pintores foram citados, mas os dois mais citados, Saltonstall e Albert Perroult, foram criados apenas para o livro, para a minha tristeza). Eva Canning despertou em Imp um sentimento que talvez nunca tivesse sentido de fato. India decide contar como a chegada de Eva transformou sua vida-e certamente- a de Abalyn também (relato de convívio/relacionamento que lembra muito o filme Azul É A Cor Mais Quente). E começou a datilografar em sua máquina de escrever. 

A narrativa não tem tempo linear, portanto, você sempre se pega tentando entender as passagens de tempo, além do mais, Imp fala sobre sua esquizofrenia, o que torna duvidoso todos os relatos feitos por ela. Te faz refletir. Te faz se sentir tão esquizofrênica quanto ela. Te faz pensar que tudo que você sabe sobre o mundo-e sobre lobos e sereias (não no sentido literal de ambos os seres)- se resume a nada. Eva é o espírito do livro, durante a narrativa eu montei várias hipóteses com Imp: ela poderia ser uma sereia, um espírito de uma moça afogada, a reencarnação de um lobo, ou a própria menina submersa, de Saltonstall. 

Imp te leva ao mais profundo dos oceanos, te faz mergulhar em um grande lago verde-escuro enquanto tentamos descobrir alguma coisa que faça sentido sobre Eva Canning. É tudo muito efêmero, ora estamos no apartamento dela, ora estamos à beira do lago em que Eva foi encontrada. India Morgan Phelps só quer escrever sua história de fantasmas, colocar em ordem as memórias e pensamentos de sua vida longamente esquizofrênica, o que ela chama de "Maldição da família Phelps" (tendo em vista que a mãe a avó sofriam do mesmo problema). Imp faz várias citações durante toda a narrativa, de autores reais e fictícios, uma das mais interessantes é sobre a Aokigahara, a Floresta do Suicídio do Japão, o local mais popular para tirar a própria vida, local famoso e citado em vários romances e contos dos anos 60.

É um livro dentro de um livro. Alguns momentos senti que ia surtar, igual à ela. É uma história sinistra e misteriosa. Grifei uma frase que resume tudo, inclusive o livro. "Há sempre um canto de sereia que te seduz ao naufrágio". Além de ser uma grande verdade, o livro é exatamente isso, vai te seduzindo página por página, até você se ver tão esquizofrênica quanto Imp. E eu datilografei: "Não vou falar mais sobre esse livro, vou deixar que cada um descubra sozinho- com a ajuda de India Morgan Phelps e Eva Canning- o monstrinho esquizofrênico que há dentro de cada um".

Ps: O livro é lindo! É da editora Darkside e foi muito bem trabalhado nos detalhes, sou tão apaixonada pela capa que, lia um pouco e depois olhava boba para a menina da capa (risos). Eu pensei bem antes de escrever sobre essa obra que para mim é magnífica, queria esse livro só para mim, mas né... 

Para finalizar o post, vou deixar uma poesia. Escrevi meio inspirada nesse livro, que apesar de toda loucura, existe aquela atmosfera amorosa, principalmente quando Imp compara seu amor platônico à uma sereia. Isso mexeu comigo, afinal, sou amante de sereias.

Fonte: Herta Maria

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