Quinta-Feira, 18 de Fevereiro de 2016 - 11:11 (Colaboradores)

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LENHA NA FOGUEIRA: ASFALTÃO

Ha alguns anos, entrevistamos um dos que participaram do primeiro desfile da agremiação o compositor Jorge Makumba que lembrou de como nasceu a entidade.


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Ontem a escola Asfaltão comemorou 45 anos de fundação. Acontece que a história postada pela direção da escola não bate de jeito nenhum com os fatos.


Acontece que a terça feira de carnaval de 1971 foi no dia 23 de fevereiro e não no dia 17 de fevereiro, como a história está sendo passada para a juventude.


Vou dar uma de Antônio Cândido o Poeta que se preocupa em contar a história real e não a sonhada ou imaginada.


É só prestar atenção no trecho da entrevista que fiz com o José Araújo – Bacu um dos fundadores do Bloco para ver que a decisão de desfilar não foi tomada no dia dos desfiles dos blocos e escolas de samba, ou seja, 23 de fevereiro. (Naquele tempo os desfiles dos blocos e escolas de samba aconteciam na terça feira de carnaval).


E segundo Bacu eles estavam degustando uma “Panelada”, prato típico da nossa região, que é preparado com as Patas do Boi ou Vaca, tripas, bucho, livro, etc... na Usina de Asfalto que ficava na hoje esquina da Rua Tiradentes (antes era Estrada da Penal) com a Rio Madeira nas proximidades do Conjunto Marechal Rondon e tomando Mocoró, uma invenção do José Meireles outro fundador do bloco, que era uma mistura de várias bebidas alcóolicas.


Bacu também afirma que por ser amigo do então prefeito Luiz Gonzaga, foi escalado para pedir a ajudada financeira do prefeito para comprar os apetrechos do bloco inclusive a bebida, no que foi atendido.


Isso quer dizer, que o Bloco surgiu antes dos desfiles de carnaval daquele ano, ou seja, no dia 17 de fevereiro uma semana antes do carnaval oficial. 17 de fevereiro de 1971 foi uma quarta feira e mais... Conta Bacu que o bloco saiu da Usina de Asfalto com aproximadamente 50 brincantes e passou pela frente do palanque oficial montada na avenida Sete de Setembro (onde hoje é a Discolândia) com no máximo dez brincantes.


Não estou dizendo que o Asfaltão não foi criado no dia 17 de fevereiro de 1971. O que quero esclarecer, é que seus fundadores, não estavam naquele dia, trabalhando no asfaltamento da avenida Sete de Setembro, eles haviam terminado o trabalho uma semana antes do carnaval e resolveram criar o Bloco de Originalidade Asfaltão. Se organizaram e criaram a entidade que por muito tempo foi considerado como Bloco Oficial da Prefeitura e até recebia subsídio “por fora”, ou seja, independente dos subsídios repassados as demais agremiações carnavalescas, o Asfaltão recebia mais uma ajuda da prefeitura.


A data está correta, o que não está correta é a história do jeito que está sendo contada, inclusive por mim. Só depois da entrevista com o Bacu foi que as coisas ficaram claras.


Independente de data certa ou não, desejamos a escola de samba Asfaltão muitas glórias, muitos carnavais vitoriosos. Hoje a escola de samba Asfaltão é a única agremiação carnavalesca que realmente se preocupa em fomentar a cultura do samba em Porto Velho.


Durante o ano todo e todo ano, sua diretoria passa promovendo eventos culturais na famosa Tenda do Tigre. Pelos grandes carnavais, pelo respeito para com a nossa cultura e acima de tudo, pelos seus carnavais, tiramos o chapéu para o Grêmio Recreativo Escola de Samba Asfaltão.



A escola será a primeira a desfilar no dia 27 deste mês na Passarela Edson Fróes montada no Parque dos Tanques, isso que dizer, que vai entrar na Passarela as 20 horas. Parabéns Asfaltão!

Escola de samba Asfaltão comemora 45 anos

A escola de samba Asfaltão completou ontem quarta-feira (17), 45 anos como entidade carnavalesca. “É a única escola que viveu todas as etapas, de amadurecimento necessário para se firmar e conquistar seu espaço. Foi Bloco de Sujos, Bloco de Empolgação, Bloco de Enredo, Escola de Segundo Grupo e Escola do Grupo Especial”, informa diretora de comunicação Sílvia Pinheiro.

Ha alguns anos, entrevistamos um dos que participaram do primeiro desfile da agremiação o compositor Jorge Makumba que lembrou de como nasceu a entidade:

Tudo começou quando a turma que estava asfaltando as ruas da cidade de Porto Velho faturando hora extra durante os dias de carnaval! Ao ouvirem o som dos tambores das escolas de samba e blocos carnavalescos que estavam se apresentando na passarela do samba, resolveram dar um tempo no trabalho e do jeito que estavam foram para a avenida desfilar.

Esse do jeito que estavam, implica em dizer, todos sujos de pixe e “melados” (bêbados) de “mocoró” (mocoró é um preparo que leva vários tipos de bebidas alcóolicas e por isso é muito forte) e resolveram após degustar uma “Panelada” preparada pelo Zezeca na Usina de Asfalto da Prefeitura que ficava na Estrada da Penal ali nas proximidades do Conjunto Mal. Rondon, seguir para a avenida Sete de Setembro, local onde estava acontecendo os desfiles carnavalescos.

Até porque a dita “Panelada” regada a “Mocoró” foi em comemoração ao término do recapeamento do trecho aonde seriam os desfiles carnavalescos.

Pegaram pás, picaretas, vassourões, baldes e outros apetrechos utilizados no asfaltamento das ruas e seguiram para a avenida, com um estandarte feito de caixa de papelão – com os dizeres: “Bloco do Asfaltão”

Segundo José Araújo – Bacu, em recente entrevista também publicada neste matutino, saíram da Usina de Asfalto aproximadamente 50 integrantes e só conseguiram passar pela frente do palanque oficial, aproximadamente 10 brincantes do bloco, assim mesmo, alguns dentro do Jeep que levava a bebida (mocororó) dirigido pelo Gervásio

Este ano a escola vai apesentar o enredo “Não Sei se é Sonho, Utopia ou Ilusão... Vou Cumprir Minha Missão”. O Samba é de autoria da parceria Mávilo Melo e Waldison Pinheiro.

Trecho da entrevista com Bacu

 

Zk – Agora você vai nos contar a história de como nasceu à escola de samba Asfaltão, na realidade, o Bloco do Asfaltão?

Bacu – O Asfaltão surgiu através dos colegas da garagem da prefeitura que trabalhavam no asfaltamento das ruas de Porto Velho, era o Gervásio, João Natal, Zé Holanda, Jorge Macumba, entre outros. Como eu tinha boa intimidade com o Luiz Gonzaga que era o prefeito consegui uma verba para colocar o Bloco do Asfaltão. A história da criação do bloco foi assim: A gente estava trabalhando com asfalto e era tempo de carnaval, então começou aquela brincadeira de um melar o outro de piche e alguém sugeriu vamos desfilar como “Bloco do Asfaltão” e então fizemos rodo, vassoura e todos os apetrechos que a gente usava para asfaltar as ruas só que no caso do bloco, era tudo de madeira.

Zk– E o primeiro desfile como foi?

Bacu– O interessante foi que quando chegamos em frente ao palanque oficial, dos cinquenta brincantes que saíram da sede da SEMOB se passaram 10 foi muito, os demais ficaram bêbados pelo meio da viagem.

Zk – E o Mocororó quem inventou?

Bacu – Foi o José Fernandes Meireles, ele preparava toda aquela gororoba e empurrava na turma. O Zezeca foi o primeiro a capotar, lembro que pelo palanque estava eu o Parruda, João Natal, Zé Meireles, Gervásio e o Jorge Macumba. Depois do caso passado, do desfile terminado, fui soltar uns dez, que estavam presos na Central de Polícia por estarem aprontando bêbados no Mercado Municipal que hoje é Mercado Cultural.

Fonte: Zé Katraca

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