Sexta-Feira, 09 de Março de 2018 - 10:23 (Nacional)

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LAVA JATO ACUSA DELFIM NETTO DE RECEBER R$ 15 MILHÕES EM PROPINA DO CONSÓRCIO DE BELO MONTE

Esse valor, segundo os investigadores, corresponde a 10% que a Andrade Gutierrez pagou para ser beneficiada na construção da Usina de Belo Monte, no Pará.


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O ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento Delfim Netto, alvo da nova fase da Operação Lava Jato, é suspeito de ter recebido R$ 15 milhões em propina. Esse valor, segundo os investigadores, corresponde a 10% que a Andrade Gutierrez pagou para ser beneficiada na construção da Usina de Belo Monte, no Pará. Os 90% restantes, de acordo com a investigação, foram repartidos entre MDB e PT.

Policiais federais cumpriram mandado de busca e apreensão na casa de Delfim e também em endereços do empresário Luiz Apollonio Neto, seu sobrinho, suspeito de intermediar a transação por meio de contratos fictícios. Flávio Barra, ex-executivo da Andrade Gutierrez, disse em sua delação premiada que repassou a quantia de R$ 15 milhões ao ex-ministro. O Ministério Público Federal relatou nesta sexta que rastreou valores superiores a R$ 4 milhões pagos pelas empreiteiras Camargo Corrêa, Andrade Gutierrez, Odebrecht, OAS e J. Malucelli, todas integrantes do consórcio Norte Energia.

“As provas indicam que o ex-ministro recebeu 10% do percentual pago pelas construtoras a título de vantagens indevidas, enquanto o restante da propina foi dividido entre o MDB e o PT, no patamar de 45% para cada partido”, diz a Lava Jato. A Lava Jato diz que agentes políticos favoreceram indevidamente empreiteiras integrantes do consórcio de Belo Monte em troca de propina.

O valor, segundo o delator, era uma gratificação pela atuação de Delfim na montagem do consórcio de empresas. A defesa informou que o ex-ministro sempre prestou consultoria e recolheu todos os impostos de acordo com a lei. ”O professor Delfim Neto não ocupa cargo público desde 2006 e não cometeu nenhum ato ilícito em qualquer tempo”, diz nota divulgada pelos advogados dele.

Em 2016, Delfim disse, em depoimento à PF, que recebeu R$ 240 mil da Odebrecht, que, assim como a Andrade Gutierrez, forma o consórcio Norte Energia, inicialmente constituído para tocar as obras de Belo Monte. Na ocasião, o ex-ministro contou que prestava consultoria à empreiteira há 20 anos mas que não havia assinado contrato. Disse, ainda, que recebera a quantia em espécie “por motivos pessoais, por pura conveniência”.

Em nota o MDB negou ter recebido recursos desviados do consórcio de Belo Monte e lamentou que “uma pessoa da importância do ex-deputado Delfim Neto esteja indevidamente citada no processo”. O PT ainda não se manifestou.

Fonte: 015 - Congresso em Foco

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