Terça-Feira, 28 de Maio de 2013 - 08:30 (Colaboradores)

JÁ VIROU ROTINA - VÍDEO MOSTRANDO BRIGAS ENTRE ALUNOS

Os constantes atos de violência praticados dentro e no entorno das Escolas é preocupante.


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É raro o dia que ao abrirmos as redes sociais, não encontrarmos nas mesmas os tais vídeos de Alunos brigando dentro e fora do espaço Escolar, fardados, de mochila nas costas, adolescentes e jovens se estapeiam, se esmurram dentro e fora das Instituições de Ensino.

Os constantes atos de violência praticados dentro e no entorno das Escolas é preocupante. Esta questão tem ocupado um espaço cada vez maior do cotidiano escolar no país. A violência nas escolas do Brasil preocupa cada dia mais. Casos que envolvem brigas e desrespeito têm preocupado não somente os alunos, pais e professores, como também o Poder Público, principalmente, pela forma como estes conflitos tem se configurado, esse tipo de violência tem atingido proporções inaceitáveis e, o que não existia antes, hoje se tornou comum, com jovens que depredam a escola, agridem fisicamente e até fazem ameaças aos mestres.

Ou se muda as leis ou formaremos um País de pessoas descumpridoras delas. Um colega Professor relatou essa semana em uma conversa comigo: “... sei que estamos de mãos atadas em sala de aula. Sabemos que alunos às vezes estão armados em sala de aula, mas não podemos olhar a bolsa do aluno, pois é constrangimento. O aluno pode xingar, ameaçar o professor, mas o professor não pode nem falar alto com o aluno. ou seja, ou se muda ou iremos ao caos.”

A polícia precisa investir em ações em todas as localidades em que há aglomerações de estudantes fora do horário de aula, outra saída é a polícia dar mais segurança na entrada e saída dos estudantes. As ameaças e brigas entre grupos rivais de estudantes são marcadas por meio das redes sociais. Quem sabe um dia, teremos câmeras nas salas de aula ou nos pátios das escolas ou pelo menos um policial militar na frente das escolas.

Precisamos de mais atenção a este fato, que tem tomado conta do Universo Escolar, há necessidade de projetos que têm por objetivo orientar para combater a violência nas Escolas, de termos ainda medidas urgentes de combate e repressão à criminalidade nas Unidades Escolares.

Há ainda as ameaças de alunos aos professores que são constantes, docentes que tiveram seus veículos riscados e depredados, quando não são atacados.

Volto a repetir que a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal das cidades precisam reforçar a segurança no entorno das Escolas, os agentes de segurança e Educação, também necessitam ir aos colégios para fazer um trabalho de orientação, esta ação preventiva, de tratar assuntos como a convivência em sociedade, direitos e deveres e também relatar os procedimentos que são tomados quando uma briga ou provocação passa a ser crime, precisam ser discutidas junto à Comunidade Escolar.

Profissionais preparados nas Escolas, para uma orientação pedagógica adequada sobre como os professores e demais profissionais da educação podem lidar com esse tipo de situação também já surtiria efeitos enormes. Nossas Instituições não podem, não suportam e não devem mais conviver com estas barbaridades, é preciso ter um regimento interno com punições de suspensão ou até mesmo transferência dos alunos envolvidos para outra escola. Às vezes temos isso tudo, mas na prática não funciona. Lembro-me da minha época de Escola, não faz muito tempo, mas as normas eram seguidas e no início do Ano, no primeiro dia de aula, davam para nossa leitura e conhecimento o Regimento da Instituição Educacional.

O Conselho Tutelar de cada Município precisa ter conhecimento dos fatos, ou só nós internautas vemos isso? Se há ações para inibir tais práticas eu as desconheço. Vídeos mostrando tais brigas, tem se tornado comum na internet – Redes Sociais. É necessário fazer uma leitura de tudo isso, monitorar as Redes Sociais, partir para as ações que inibam tais atos, muitos desses vídeos são postados pelos próprios envolvidos nas brigas.

No caso de hoje, no vídeo que assisti, enquanto os dois adolescentes se agridem, nota-se os colegas de todos os lados filmando, outro colega intervém e pede pra parar a briga, mas entre palavrões, outro garoto grita incentivando o conflito. Outro vídeo que vi também na Rede Social mostra que, enquanto as jovens se agridem a socos, tapas, chutes e puxões de cabelo, outros estudantes incentivam a violência dizendo “pega ela, destroça”.

Apontar a existência de uma lógica interna aos fatos, que ofereça uma pista para encontrarmos alternativas pedagógicas de negociação com os conflitos. Discutir como as relações entre os indivíduos se faz presentes quando o contexto é a escola, parto da concepção de que na vida diária escolar os afetos se entrelaçam na complexa rede de relações institucionais. Isto é, no dia-a-dia do funcionamento da escola se confrontam diferentes indivíduos com suas histórias de vida, com suas concepções de mundo, cada qual com seus objetivos e intenções. Estes encontros e desencontros - o conjunto das diferentes ações e reflexões daqueles que participam desse funcionamento escolar – propiciam novas relações, que produzem o sucesso ou o fracasso no processo ensino-aprendizagem.

O debate sobre a violência escolar deve levar todos nós profissionais da educação a abdicar do hábito de se postarem como vítimas de um a "sociedade inadequada", e a atentar para nosso compromisso com a construção de um a escola verdadeiramente inclusiva e de qualidade. Algo perfeitamente viável, se assim o desejarmos e fizermos. Dessa forma, o espaço escolar talvez possa vir a ser o que já é em essência: uma experiência fundamental na edificação de um mundo mais pensante, mais pacífico, mais livre enfim.

Não basta apenas punir os culpados. Precisamos reeducar. Exemplos de políticas públicas nesse sentido não faltam. Um exemplo ótimo para este problema está acontecendo na cidade de Campo Grande, onde a Promotoria Pública da criança e do adolescente entrou na briga junto com as Escolas para combater a violência no Ambiente Escolar. Lá, o aluno que comete algum ato inflacionário de Violência é punido com a prestação de algum tipo de serviço a escola e a comunidade. A dificuldade do trabalho aumenta de acordo com a gravidade do ato cometido. Pode variar de alguns serviços simples de limpeza, até semanas de trabalho.

Para o Promotor de Justiça, Sérgio Fernando Harfouche: “O estatuto não fala só de direitos, ele fala também de deveres e orientações. Nós estamos levando à escola a prestação de serviços em troca de maus atos. No lugar de registrar uma ocorrência policial contra esse jovem que não é infrator ele não é um delinqüente ele é um indisciplinado”.

Uma escola que sabe a que veio, que consegue mostrar o valor do conhecimento, despertar a paixão e o interesse do aluno pelas coisas do mundo, que consegue decidir coletivamente seu projeto, é uma escola que terá um eixo, conseguirá resgatar – construir – a autoridade do professor (uma autoridade democrática, aberta ao novo) e cumprir com a realização do direito humano à educação. Será uma escola não violenta.

Fotos: Google e acervo pessoal Prof. Zecca Paim
Finalização: Fabiano Coutinho

 

Fonte: Prof. Zecca Paim

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