Sexta-Feira, 19 de Agosto de 2016 - 08:28 (Colaboradores)

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GRITO - Por Max Diniz Cruzeiro

O grito é um efeito de projeção vocálico que se propaga em elevada vibração associado geralmente a um conteúdo emocional.


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O grito é um efeito de projeção vocálico que se propaga em elevada vibração associado geralmente a um conteúdo emocional.

A extensão vocálica do grito tem seu desejo primitivo em afugentar um oponente ou opressor como um sinal de alerta que objetiva causar estranheza perante o impacto que uma cena forte impregna por sobre o ambiente.

O grito é, portanto, um obstáculo de que algo precisa ser elaborado para que o indivíduo saia de um quadro de opressão. Ele instiga o auxílio através de um indicador ambiental de que alguma coisa não vai bem, fazendo com que o agrupamento passe a se organizar para auxiliar o indivíduo em estado de perigo.

Como componente emocional ele serve como ferramenta auxiliar para a retomada de forças a fim de que o processamento neural possa se organizar rapidamente a fim de corresponder à demanda ambiental.

O grito está intimamente relacionado à manifestação da glândula pituitária, no sentido de exigir desta uma produção hormonal rápida para corresponder à necessidade de reequilíbrio do organismo.

O efeito calmante minutos depois do grito serve para aliviar o excesso de tensão gerada pelo deslocamento sensorial do estado limítrofe.

O grito é um preenchimento lacunar num estado de tensão, entre o desencadeamento de forças de conteúdo simpático, para uma adequação de conteúdo parassimpático do indivíduo se adequar na tentativa de acomodar a tensão sofrida pelo excesso de atividade sensorial.

Visto como um surto, na visualização de um sinal motor do organismo que nomeia através da expressão vocálica profunda, ele é um mecanismo de expressão do sofrimento geralmente auxiliar do superego, calcado no consciente coletivo, que tem sua função principal de informar a urgência de uma providência do agrupamento do indivíduo que não consegue por si só moldar o seu comportamento para que ele permaneça em homeostase.

Este equilíbrio que se rompe, é como uma panela de pressão em que o pino de pressão começa a chiar repentinamente fazendo com que toda a carga somática que se acumulou deste indivíduo venha à tona na forma de um indicativo sonoro.

E somente o pino da panela de pressão irá parar de fazer o ruído quando toda a pressão exercida for minimizada a fim de que a normalidade venha a compor o ambiente de uma inércia em que se atribui a um estado de equilíbrio.

Embora o grito possa estar associado ao sofrimento, também pode estar subjetivado em torno do prazer.

Quando associado sobre o prazer, ele também tem a dizer do sujeito o avanço relativo a uma pressão positiva exercida pelo sujeito que não encontra outra alternativa para extravasar do que fazer da expressão vocálica uma válvula de escape para manifestar o seu contentamento, felicidade e alegria.

Extravasar através do grito aproxima ondas parassimpáticas momentos depois em que a energia começa a ser recomposta e a migrar para diferentes centros tirando a acumulação que se forma sobre os grupos neurais de onde partem a tensão.

A estrutura fisiológica ativa os neurônios percentuais (conforme Freud), após o grito, provocando um reposicionamento que permita o fluxo neural redistribuir por recanalização as forças que se concentravam em uma determinada região.

Como se o centro emocional despertasse para intensificar as funções circadianas, e assim fazendo emergir forças que permitem uma pronta reação do organismo, a fim de organizar rotas de fuga para que a homeostase possa novamente ser retomada dentro do organismo de um indivíduo.

Um agitar interno é produzido pelo comando primitivo do grito, e deste fator vibracional irá causar em termos de memória um ajuizamento da intensidade e nível de correspondência que deva o sistema nervoso central corresponder sobre o tom da resposta devida para sanar o problema em que o nível de pressão interna não pode suportar à princípio.

Por outro lado, o grito também tem sua função de canalizar por redistribuição parte da energia estressante, diminuindo a erupção da dor provocada pela extensão do problema sobre a região que de fato venha a canalizar o incômodo sofrido pelo indivíduo.

Outra função do grito é colocar o agrupamento em estado de alerta, com a finalidade de auxiliar a proteção do grupo como ferramenta de aviso, uma vez que ele extrapola o senso comum, rompe a barreira das prisões psíquicas em que os indivíduos se encarceram, para fazer com que a atenção e foco se volte para a região de onde o sinal de alerta fora observado.

Ao grito se pressupõe um ordenamento hierárquico uma vez que quem se expressa através dele torna-se o centro diretivo da atenção, e passa a mover as consciências dos indivíduos “alertados” sobre as perspectivas em que o sinal sintetiza para o grupo.

O grito expressa ordem, como um chamamento de alguém que clama por notoriedade, e assim sendo, deseja ser por breves instantes o centro da atenção, para ser ouvido em pronunciamento, ou vir a ser objeto de foco por breves instante quando se pressupõe ser de fundamental interesse que a informação seja disseminada para todo o grupo.

O grito também pode expressar pressão por abstinência de algo que se desejava incorporar e não possuindo se despeja sobre o ambiente a aflição e a angústia por não possuir a coisa desejada.

Pode também ser associado à perda, ou à falta, sendo o primeiro quando irreparável, e o segundo quando se pressupõe temporário. Por meio dele se pretende conter aflição e elevada angústia de um vazio que se rompe e não tendo por outro lado como encontrar auxílio, sintetiza-se um sonoro ruído a fim de encontrar forças para que o organismo possa voltar a se reequilibrar.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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