Segunda-Feira, 15 de Agosto de 2016 - 10:09 (Colaboradores)

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GEMIDO - POR MAX DINIZ CRUZEIRO

O gemido é um som gutural profundo geralmente assessório de um mecanismo de dor que visa sintetizar alívio a uma sensação entorpecente geradora de sofrimento, podendo estar associado ao prazer.


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O gemido é um som gutural profundo geralmente assessório de um mecanismo de dor que visa sintetizar alívio a uma sensação entorpecente geradora de sofrimento, podendo estar associado ao prazer.

O gemido é uma válvula de escape do prendimento de energia sobre a área de descarga servindo como mecanismo de atenuar a frequência em que os impulsos sensoriais transmitidos são geratrizes da sensação de dor.

A sensação de dor psíquica é transmitida através de um impulso de origem externa, onde o indivíduo associa uma imagem hostil a uma sensação de entorpecimento que causa atrito e fissura, em que a percepção se encontre armazenada na forma mnêmica como lembrança ou que venha a constituir uma lembrança de uma experimentação vivenciada originária do torpor ou aflição.

A dor psíquica é represada egoicamente, e por cataxia sofre influência de quantidades de carga que afetam o nível energético do agrupamento de neurônios.

A imagem hostil é logo associada a sensação produzida pela anatomia corporal, e a resultante é um nó de informações que será deslocado como elemento mnêmico a ser incorporado como fator associado à lembrança do indivíduo.

O gemido surge como expressão deste vivenciar egoico em que a expectativa para a fruição da dor é tão elevada que um desprendimento da energia deva ser equilibradamente desmembrado sobre o centro motor da região bucal a fim de que uma contenção progressiva possa gerar alívio no decorrer do processo de subjetivação da experiência dolorida.

A fruição do gemido é percebida como um movimento estendido geralmente vivenciado sem breves pausas. A razão deste fracionamento é um regramento contínuo da sensação negativa que está sendo descarregada sobre as partes motoras.

A canalização gutural do gemido é um mecanismo assessório e geralmente dista da verdadeira região aonde o processo de dor está se irrompendo sobre a estrutura corpórea do indivíduo.

Este mecanismo serve para deslocar em parte a atenção do indivíduo de toda a região onde a emanação de dor repercute sobre a pele, a fim de que uma diluição dos efeitos e afetações possa melhor canalizar o indivíduo para a retomada do equilíbrio sobre a sensação entorpecedora.

Este movimento de retardo da subjetivação da dor, por meio do gemido, resolve em parte a intensidade com que o fenômeno de dor é deslocado sobre o indivíduo que sofre.

A ordem primária da excitação é o instante em que o movimento ou ação do indivíduo estabelece um vínculo direto com a reprodução do rompimento da estabilidade em que os sinais são transmitidos para o sistema nervoso central a fim de informar sobre lesão ou afetação ambiental que torna a estrutura corpórea instável perante as condições morfológicas encontradas sobre a descrição do ambiente.

As sensações opioides são obtidas graças a liberação química de substâncias sobre as áreas afetadas, que sob condições estressantes mantém níveis de transmissão de dados diferenciados do aspecto normal, do corpo periférico para o sistema nervoso central, graças a níveis e concentrações de hormônios específicos para o desempenho desta atividade de preservação.

Uma vez que o estímulo se concentra na região mnêmica, a intensidade, níveis e gradação com que as informações deslocadas irão determinar a área propensa a taxização das quantidades de energia sobre a região endógena que deverá se agrupar para corresponder a uma rápida reação como resolução do conflito corpóreo que esteja estabelecido sobre a sensação de dor.

Uma solução encontrada para aliviar a tensão antes que toda a informação seja processada é o gemido como forma de atenuar parte dos efeitos que a dor possa provocar de entorpecimento para o indivíduo sofredor.

Ao mesmo tempo, a correspondência cerebral vai dotando o indivíduo de mecanismos que o permitam voltar a fase de homeostase cerebral e corporal a fim de que o equilíbrio possa ser reestabelecido tão breve cessado o instante de eminente perigo.

A externalização do gemido é obtida graças a apropriação de uma imagem tecida pelo indivíduo de descarga em que o desprazer possa ser contido pelo rearranjo de estruturas de prazer que impeçam a canalização excessiva de energia de correspondência à reação a fim de que o indivíduo possa entrar em um estado de funcionamento por leis de compensação que não o impeçam da gestação do equilíbrio.

O momento da descarga foi associado por Freud como o instante em que o prazer é liberado, e o momento de carga o instante em que o desprazer, sentido pela fissura funcional, que gera o acúmulo de energia em determinadas regiões em detrimento de outras, gera uma inércia de ação em várias áreas antes abastecidas por energias regulares.

Assim, o gemido como contenção, visa abastecer o organismo com descargas que geram nivelamento da quantidade de energia alocada para a finalidade de contenção da dor.

Subsequentemente estas pequenas liberações de energia contínuas deslocadas a partir da canalização do gemido servem para equilibrar o grau de correspondência à lesão ou fissura emergida de um ápice de tensão em que o indivíduo passa a se apropriar de grandes quantidades energéticas para corresponder a uma reação requerida pelo organismo.

Portanto as áreas adjacentes afetadas pela fuga de energia para a área de concentração de correspondência, passam a “sofrer” menos fissura quanto à falta de energia proveniente do sequestro de energia necessária para a resolução do conflito imediato.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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