Sabado, 31 de Outubro de 2015 - 12:02 (Colaboradores)

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LIVRE

FILME: CISNE NEGRO

O cisne negro representa o seio mal, esta mãe manipuladora, centralizadora, castradora do desejo de manifestação do narcisismo primário no avanço de uma personalidade dissociada desta mãe cuja filha deseja voar para se libertar,...


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Uma mãe que nutre o desejo de realização do não concretizado sobre a filha que representa a pureza de um propósito passado. Esta mãe está presente de forma onipotente dentro da bailarina que necessita de dar vasão para sair do casulo em que sua mãe a gestou. Porém a personagem principal se sente prisioneira desta mãe ao mesmo tempo que seu desejo é realizá-la como sendo uma autorrealização própria sua.

Então em um movimento persecutório, a bailarina passa a sair em fuga em relação a tudo que pode afastar ela desta mãe manipuladora e má, mas ao mesmo tempo é lançado o conflito em torno de si que uma parte sua deseja agradar esta mãe boa que lhe deu sentido à vida. Ela passa a fazer cisões em sua mente para fugir da agonia que lhe abate.

O cisne branco representa este seio bom, esta mãe boa que compartilha da felicidade e do sucesso desta filha.

O cisne negro representa o seio mal, esta mãe manipuladora, centralizadora, castradora do desejo de manifestação do narcisismo primário no avanço de uma personalidade dissociada desta mãe cuja filha deseja voar para se libertar,... e em sua fuga rumo ao infinito celestial não encontra outra forma senão partir em movimento persecutório para tudo que afasta desta mãe opressora para se encontrar o lado bom, o cisne bom que ao represar todo o sofrimento não vê outra alternativa do que tirar de dentro de si tudo o que é ruim e provocar a morte de seu suplício e martírio existencial.

O evento persecutório gera o distanciamento desta mãe, ao mesmo tempo que distancia a bailarina do princípio de realidade. A alucinação sofrida é o resultado desta fuga que lança sobre o psíquico uma projeção paralela das consequências que a apropriação de uma ideia concentradora da mãe sobre si representa um avanço sobre a identidade do cisne (personagem).

A posição esquizoide-paranoide é evidenciada toda vez que a personagem busca e encontra motivos para se manter distante desta mãe, como por exemplo: a dedicação excessiva ao balé que a faz ficar mais horas longe de casa, o não atendimento das chamadas telefônicas, na madeira que provoca uma barreira para que esta mãe não entre no quarto, nas diversas tentativas imaginárias de afrontar esta mãe como que diz: “Oi, estou aqui, eu existo também!”.

Então o personagem se introjecta e quando sente que está sendo sufocada passa a projetar uma fuga constante ativadora dos delírios e alucinações que transformam a trama num enigma que dificulta distinguir o que é realidade do que é alucinação da personagem.

Num dado momento o sentido de fuga é tão intenso que a personagem passa a delirar esta mãe ampliando sua afetação quanto ao fato de ser manipulada de uma forma mais intensa ao ponto de alucinar esta mãe má que a detém de sua vontade de existir sem a sua presença.

Resenha de Max Diniz Cruzeiro

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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