Sexta-Feira, 22 de Setembro de 2017 - 11:55 (Cultura)

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EXISTE ÍNDIO GAY? - DO PROFESSOR DA UNIR, ESTEVÃO B. FERNANDES

Uma das coisas demonstradas aqui é como os vários povos indígenas no País aceitavam, sem maiores problemas, um conjunto de práticas às quais o colonizador viria a se opor por não se enquadrarem em seus modelos de sexualidade, moral, religiosidade ou ciência.


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Por Sílvio Santos

“Existe índio gay?” - a colonização das sexualidades indígenas no Brasil” é o título da mais recente obra publicada por um pesquisador da Fundação Universidade Federal de Rondônia (Unir) sobre o tema da “colonização das sexualidades indígenas”.

O lançamento oficial do livro está previsto para outubro, com data a ser divulgada posteriormente, mas os interessados já podem acessá-lo no endereço eletrônico da Editora Prismas.

A publicação, inscrita no ISBN sob o número 978-85-5507-889-7, é a primeira sobre o tema sexualidades indígenas escrita em língua portuguesa, segundo informações do autor. Possui cerca de 250 páginas e não se direciona somente ao público acadêmico e especialista, mas também aos interessados em questões referentes à história do Brasil, colonialismo, gênero e antropologia, por exemplo. A obra compõe parte da Coleção “História das sexualidades brasileiras”, da Editora Prismas.

Este livro é uma tentativa de entender o percurso por trás da pergunta “Existe índio gay?”, tantas vezes ouvida durante a ampla pesquisa feita pelo autor, focando na colonização das sexualidades indígenas na história brasileira. O livro, voltado também para não especialistas, busca fazer com que pessoas interessadas no tema possam pensar questões relacionadas às origens da homofobia e do racismo no Brasil.

Uma das coisas demonstradas aqui é como os vários povos indígenas no País aceitavam, sem maiores problemas, um conjunto de práticas às quais o colonizador viria a se opor por não se enquadrarem em seus modelos de sexualidade, moral, religiosidade ou ciência.

Em resumo: a homofobia chegou nas caravelas, e por aqui ficou.

Assim, a colonização impôs a esses povos um sistema moral no qual a sociedade colonizadora se baseava; e ainda se baseia. Nesse sentido, a sexualidade possui um papel fundamental para a compreensão desses mecanismos de dominação sobre a vida cotidiana, do imaginário e da memória. Dito isso, fica claro que este livro não é apenas sobre homossexualidade indígena, mas sobre o que podemos aprender com o percurso que levou à heterossexualização forçada desses povos.

Fonte: Diário da Amazônia

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