Quarta-Feira, 10 de Janeiro de 2018 - 17:50 (Colaboradores)

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ERA "TRADIÇÃO DO NOSSO CARNAVAL O GALO NA QUINTA-FEIRA"

Em 2017 o Galo desfilou por força de liminar e por boa vontade do prefeito rolou uma renegociação para quitar os débitos, mas foi impossível honrar o parcelamento.


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O título é trecho de uma marchinha do bloco Galo da Meia Noite, entoada por 25 anos em Porto Velho. Neste fevereiro o bairro Caiari não verá o desfile do segundo mais antigo e maior bloco carnavalesco da capital por causa de dívidas com o município.

Em 2017 o Galo desfilou por força de liminar e por boa vontade do prefeito rolou uma renegociação para quitar os débitos, mas foi impossível honrar o parcelamento.

Não se discute o dever da prefeitura em cobrar, nem se impede o choro com a ausência do bloco que tem um dos mais ricos acervos de marchinhas com fatos e personagens históricos do carnaval da capital.

O preço que o antigo ‘bloco de sujo’ com essência popular paga por se transformar num ‘superbloco’ é a morte.

Como o Galo, muitos blocos símbolos da nossa tradição momesca foram apagados do calendário cultural.

A burocracia para ocupar as vias públicas e a cobrança de taxas e impostos condenaram à morte blocos tradicionais, sem distinção.

E muito por culpa da desgraçada Lei que regulamentou eventos de grande porte que em seu Art. 1º sacramenta: “A promoção e realização de eventos de grande porte, com ou sem finalidade lucrativa, em espaços públicos ou privados, ficam condicionadas às disposições presentes nesta Lei.”

É importante destacar que muitos só conseguiram manter os desfiles com a pouca venda de camisetas/abadás, pois o apoio financeiro do poder público nunca foi perene.

Houve sempre mais intenção em atrapalhar que ajudar a manter as manifestações carnavalescas. A compensação social dos eventos populares vem sendo desprezada por uma arrecadação sem importância.

A renúncia a tão baixos valores deve ser admitida com um investimento, afinal, é de cultura que estamos falando.

O que fazer para que o poder público exerça seu dever constitucional de fomento à cultura para que patrimônios como o Galo não desapareçam?

O que sugiro é a isenção de taxas e impostos a quem promover atividades sem fins lucrativos relacionadas ao carnaval, como fazem as escolas de samba, blocos carnavalescos ou folclóricos, trios elétricos e semelhantes. Com garantia de apoio financeiro, claro.

Tanto é possível e vantajoso que o ex-prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, fez.

Fonte: Luciane Oliveira / NewsRondônia

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