Terça-Feira, 13 de Setembro de 2016 - 18:33 (Colaboradores)

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ENSINO MÉDIO COM MEDIAÇÃO TECNOLÓGICA

Uma ferramenta pedagógica para educação a distância, em áreas remotas do estado.


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A Era da Informação e a rápida evolução das tecnologias digitais têm transformado consistentemente a forma como as pessoas se comunicam entre si, cujos efeitos têm sido sentidos por todos os setores da sociedade. No caso da educação, os alunos começam a chegar às escolas com uma cultura mais participativa e dialógica, em função de seu intenso contato com essas novas mídias, demandando uma revisão das práticas pedagógicas. E percebe-se ainda uma dificuldade por parte da escola em entender como planejar e desenvolver dinâmicas que considerem o uso de uma ou mais dessas tecnologias.

A revolução tecnológica das ultimas décadas modificou definitivamente as formas de comunicação entre as pessoas e promete deixar marcas profundas no mundo educacional.

A mediação das Tecnologias de Informação e Comunicação aplicadas a Educação (TIC) livre, concretizadas em redes e ambientes vêm ampliando significativamente as possibilidades de apropriação de conhecimento, a interatividade e a interação e Rondônia não poderia ficar de fora deste novo modelo de Educação que se constitue enquanto prática de liberdade, bem como potencializa que recursos e atividades sejam constituídos hipermidiaticamente.

O Projeto de Ensino Médio com Mediação Tecnológica tem como base legal a LDB n.9.394/96. Foi estabelecido por meio da Portaria N. 680/2016-GAB/SEDUC, de 08/03/2016 nas escolas da rede pública do estado de Rondônia de ensino, visando a concomitância com a Educação Profissional,  para oportunizar a inserção do jovem no mundo do trabalho, continuidade dos estudos e o exercício da cidadania.

Em Rondônia, existe também o ensino médio com mediação tecnológica para indígenas e já funciona nos municípios de Alta Floresta, Pimenta Bueno e Vilhena o Ensino também chega Via satélite, em Guajará-Mirim, na fronteira Brasil-Bolívia, em áreas distantes mais de 360 quilômetros de Porto Velho.

Sabemos que a Educação é um direito educacional subjetivo adquirido, sendo, portanto, obrigação do estado promover o acesso e a permanência dos estudantes no espaço escolar. Destaca-se que essa modalidade de ensino é contemplada pelo disposto no artigo 28 e incisos da LDB/1996, que aduz que:

“[...] na oferta de Educação Básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região [...]”, com destaque para o inciso I: “[...] conteúdos curriculares e metodologias apropriadas às reais necessidades e interesses dos alunos da zona rural” e o inciso III: “[...] adequação à natureza do trabalho na zona rural” (BRASIL, 2013, p. 21).

O disposto legal embasa a iniciativa que foi tomada pelo governo de Rondônia, destacando as especificidades naturais e sociais da região, utilizando-se de procedimentos metodológicos que trabalham o currículo do Ensino Médio contemplando a natureza da vida dos estudantes.

Assim sendo, o Governo de Rondônia por meio da Secretaria de Estado da Educação/SEDUC, tem como meta a ampliação do ensino a distância para todo o Estado,  universalizando  a mediação tecnológica, tendo em vista os excelentes resultados que já estão sendo obtidos e a possibilidade de suprir a necessidade de professores em regiões onde há carência destes profissionais

A mediação tecnológica é o que há de mais moderno no Brasil. Os Estados do  Piauí, Bahia, Amazonas,  Alagoas e agora Rondônia têm a possibilidade de ter os melhores professores ministrando aulas para milhares de salas espalhadas pelos seus  Estados em milhares de  municípios. As salas com a mediação têm um professor presencial e aulas transmitidas das Capitais, capacitando assim melhor os alunos.

EM RONDÔNIA

Por meio de umaparceria firmada entre o Governo do Estado e IFRO - Instituto Federal de Rondônia, que  disponibilizou o seu estúdio em Porto Velho para gravação das aulas, estão sendocriados 176 polos de EaD em escolas estaduais, que vão possibilitar a oferta, pelo IFRO e SEDUC, de até 22 mil vagas em cursos de nível médio e superior para a população do Estado. A iniciativa também pretende levar a Educação Profissional mediada por tecnologia a regiões de difícil acesso, como zonas rurais, áreas carentes e áreas indígenas.

Com o objetivo é ofertar o Ensino Médio aos estudantes que concluem o Ensino Fundamental e que necessitam continuar seus estudos em suas localidades de origem, a implementação do Projeto atende também a demanda reprimida de estudantes que já haviam concluído o Ensino Fundamental e que, por diversas razões, não puderam se deslocar de suas comunidades rurais para os centros urbanos. Em Rondônia a Mediação Tecnológica conta com o professor mediador o docente em estúdio, notebooks, geradores e internet móvel.

Considero ainda que, nessa modalidade de ensino, a atuação do Professor Presencial como mediador do processo educacional é de suma importância. Este profissional é o responsável pela funcionalidade do Projeto e pela mediação tecnológica e pedagógica no lócus de cada sala de aula. A ele cabe orientar e incentivar os alunos sobre o cumprimento das normas pedagógicas e sobre as especificidades do cotidiano da sala de aula nessa modalidade de ensino.

O esforço da Secretária de Estado da Educação de Rondônia Professora Fátima Gavioli em implementar o Projeto Ensino Médio com Mediação Tecnológica com o propósito de encurtar as distâncias geográficas do estado, e de superar as adversidades naturais, regionais e sociais para garantir o direito constitucional aos estudantes do interior de cursarem o Ensino Médio, será lembrado em um futuro bem próximo como um Projeto inovador, que trouxe Educação de qualidade as mais distantes localidades deste Estado, culminado com o bom desempenho de nossos alunos e universalizando a oferta do Ensino Médio em Rondônia, resgatando assim a dívida histórica com a educação às populações ribeirinhas e distantes dos grandes centros que, por muito tempo, ficaram sem acesso a este nível de ensino. Em muitos casos estas populações estiveram isoladas pela distância geográfica ou pela condição natural da região.

Não fosse a possibilidade de alcance simultâneo de várias áreas e de transmissão das aulas para os locais distantes através do Centro de Mídias, Porto Velho/RO, o estado teria muita dificuldade em cumprir com os dispositivos legais que determinam a obrigatoriedade da oferta e da universalização do Ensino Médio pelos entes federativos. Com a implementação do Projeto, as distâncias estão relativamente encurtadas, levando a oportunidade de acesso ao Ensino Médio há milhares de cidadãos que se encontravam alijados do processo educacional.

APOIO

O governo de Rondônia para implementação do Projeto de Medicação Tecnológica, contou com a colaboração do Estado do Amazonas, que doou torres e antenas para que o Projeto fosse implantado, contribuindo, ainda, com a experiência da Central de Mídias da Educação, em Manaus, onde técnicos da Secretaria de Estado da Educação de Rondônia/SEDUC, de Rondônia fizeram visitas técnicas para conhecer projeto desenvolvido pelo Estado vizinho.

PARABÉNS

Parabenizar a SEDUC, através de sua Secretária Fátima Gavioli pela implementação do Projeto que com certeza reacendeu a esperança acerca da educação desses estudantes, oportunizando o retorno de homens e mulheres que estavam fora de sala de aula há muito tempo por falta de oportunidade, bem como jovens e adolescentes que concluíam o 9ᵒ ano do Ensino Fundamental a cada ano, promovendo a inclusão educacional e social dos estudantes do interior do estado e que reflete um exemplo de boas práticas de uso das tecnologias para a oferta de educação com qualidade.

Com certeza, a implementação deste Projeto facilitará ainda a vida de milhares de pessoas que estão sem estudar por não poderem se deslocar para a sede do município, por possuírem família e propriedade agrícola na zona rural e por não terem com quem morar na cidade.

Gosto deste trecho da Secretária Fátima Gavioli, em artigo recente escrito onde ela Escreve: "...Resta a todos os educadores de Rondônia somarem esforços para que esse “filho” cresça, tenha vida longa e venha ser uma referência para o Brasil, assim como o Amazonas foi para Rondônia. Demos o primeiro passo com o 1º ano. No próximo ano, que venha o 2º ano e que em 2018 possamos, todos, vibrar com a implantação definitiva do “Ensino Médio com Mediação Tecnológica” no 3º ano. Um projeto que avançou além dos rios e floresta e uniu dois governos e seus povos em um só objetivo!...", escreveu Fátima Gavioli.

Entendo que a educação não pode mais agir sobre estruturas estáveis e que não possui o pretendido controle sobre o seu destino, precisa buscar novos espaços de legitimação através de possibilidades múltiplas. Na atual sociedade, denominada sociedade do conhecimento, não há lugar para uma instituição de ensino que unicamente reproduza saberes e forme homens passivos, é necessário formar homens que saibam pensar e agir com autonomia, usar a criatividade em um mundo cada vez mais exigente e competitivo. E, a familiaridade com o desenvolvimento da tecnologia vem a ser uma exigência de sobrevivência, pois já afeta todas as esferas sociais.

Por isso, a utilização das tecnologias na educação pode ser uma resposta inovadora, como recurso educativo capaz de contribuir para a integração plena de alunos na atual sociedade. Pois, com a explosão das novas tecnologias no campo educacional surgem novas formas de ensino, e dentre estas a Educação com Mediação Tecnológica.

José Carlos Paim
Professor e Jornalista
MTB Nº 1453/RO

Fonte: José Carlos Paim

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