ENQUANTO O DINHEIRO DO PAC-1 NÃO É GASTO PELO GOVERNO, POPULAÇÃO DE PORTO VELHO BEBE ÁGUA DE ‘BICA’ DA CAERD - News Rondônia A atual presidente da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), Iacira Azamor, afirma que a obra está em andamento.

Porto Velho,

Quinta-Feira , 19 de Maio de 2016 - 10:11 - Colaboradores


 


ENQUANTO O DINHEIRO DO PAC-1 NÃO É GASTO PELO GOVERNO, POPULAÇÃO DE PORTO VELHO BEBE ÁGUA DE ‘BICA’ DA CAERD

A atual presidente da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), Iacira Azamor, afirma que a obra está em andamento.

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Na segunda parte da série saneamento básico, entre o investimento e a corrupção, o jornalista Emerson Barbosa mostra o resultado do não investimento no setor na vida dos portovelhenses. Você vai saber que o Estado de Rondônia foi classificado numa reportagem da Revista Exame como a terceira federação do país que mais gasta, a oitava que mais tem perdas na distribuição e a quinta com o menor índice em melhorias por habitante.

Embaixo de centenas de ruas da capital Porto Velho, principalmente na Zona Sul existe uma canalização para abrigar o ‘sistema de água e esgoto’. A canalização foi construída há oito anos, na gestão do ex-prefeito Roberto Sobrinho. Mas até hoje, nenhum morador dos bairros da região sabe informar o que de fato se deu para o atraso da obra, que recebeu recurso do PAC- 1.

A atual presidente da Companhia de Águas e Esgotos de Rondônia (Caerd), Iacira Azamor, afirma que a obra está em andamento. Os processos referentes à construção do sistema de água e esgoto dos setores Norte e Sul totalizam R$ 162 milhões de reais. Ainda segundo a gestora, a canalização vai passar por ajustes por conta do tempo em que esteve embaixo da terra. No mês de maio, com o início das obras, é possível a finalização de alguns trechos e atender alguns bairros. "A previsão é que até 2017 o sistema (ET/SUL) estará atendendo a 100% dos bairros de Porto Velho”, afirma Azamor.

O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC) previa tirar o Brasil de uma pobreza que tem perambulado há séculos. O programa segue um eixo amplo de várias obras, que inclui investir no saneamento básico nos municípios brasileiros. O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixou a gestão do Brasil 2011, e logo em seguida assumiu sua sucessora Dilma Rousseff. Cinco anos se passaram e muito dos investimentos nestes estados não se concretizaram, mas não por culpa do Executivo Federal, mas pela má aplicabilidade de alguns estados da federação.  

O Estado de Rondônia é um exemplo.Há quase dez anos, os mais de 502 mil moradores de Porto Velho já deveriam está usufruindo de um sistema de capitação de água e de esgoto. Muitos dos projetos anunciados pelo Estado ainda estão em fase de análise dos processos pelo Ministério das Cidades. Mesmo que as autoridades municipais e estaduais tenham respostas na ponta da língua para a população, não há justifica para a delonga nos serviços e o atraso.

 

Com investimento em R$ 21 bilhões de reais na área de saneamento básico, o Brasil previa chegar em 2020, como a 5ª maior economia do mundo, mas sabe muito bem que pra alcançar esse topo, a partir de agora, o país terá que conduzir suas ações de forma linear e objetiva. Um balanço feito pelo Instituto Trata Brasil revela que 52% das obras de saneamento básico, com recurso do PAC estão atrasadas. Afinal, três séculos separam o país de um problema relatado no romance “O cortiço” do escritor brasileiro, Aluísio de Azevedo, no século xix. Um deles é fazer com que os brasileiros usufruam o tão mencionado sistema de saneamento básico.

Da Zona Leste vamos desembarcar na Zona Sul. A renda salarial das famílias nas últimas décadas com o Plano Real e o fortalecimento da moeda brasileira deu poder de compra aos moradores.  As casas que antes eram de madeira deram lugar a imóveis sofisticados, com uma arquitetura mais arrojada. Ainda assim, o contraste com a falta de melhorias públicas nessas regiões chega a ser um quadro escandaloso. Na região a ‘indiferença’ é uma palavra que caminha lado a lado. Casa com boa aparecia contrasta com imagens de ruas sem asfalto onde o esgoto corre a céu aberto.

Abica d’água que fica na rua Aquiles Paraguaçu, no bairro Cidade do Lobo é um bem coletivo. E parece até mentira, mas há vinte anos a bica é o único meio de saciar a sede dos habitantes dos bairros da Zona Sul. Durante o dia, o movimento de pessoas e de carros é intenso. Nos horários de pico, chega a formar até filas na busca de encher os vasilhames.

Há cinco anos essa é a rotina do Davi Bernardo, que faz o trajeto duas vezes ao dia. Um problema que poderia ter deixado de existir há dez anos, caso o recurso do Plano de Aceleração do Crescimento, voltado para a construção de uma subestação de água e esgoto na região, tivesse sido prioridade pelos governantes. “Até hoje não apareceu essa água tão prometida pelos governos. Só escavaram os bueiros e enterram os canos, mas nunca chegou lá em casa”, denuncia o comerciante.

As Zonas Sul e Leste, juntas concentram população de aproximadamente 200 mil pessoas. Nas regiões, a água usada para os afazeres domésticos, como lavar a roupa ou até mesmo para beber vem de poços cavados nas frentes ou fundos das casas. O que é uma cultura Amazônica. Mas, a triste realidade é que a água consumida pelos moradores vem justamente de um lençol freático contaminado, segundo a Secretaria de Estado do Desenvolvimento, (Sedam).

 

O cano exposto do lado de fora da casa da Cecília da Silva deixa evidente um dos maiores males da falta de saneamento básico no Brasil. A água usada vai parar justamente no ‘valão’ a céu aberto e que inclusive separa a residência da dona de casa da rua que passa logo à frente.

O ambiente insalubre virou costume. A galeria que ela sonha passar em frente da casa dela nunca chegou. Resta à moradora conviver com animais peçonhentos, e hoje, a proliferação do mosquito da dengue. “Fico muito triste em ver uma situação que poderia ter sido resolvida continuar desta forma. O município cresceu, nos, como população evoluímos. Menos os administradores públicos que ainda fazem do poder público a extensão de suas empresas”, lamenta a dona de casa.

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Fonte: NewsRondônia

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