Quinta-Feira, 21 de Março de 2013 - 17:03 (Colaboradores)

CRÔNICAS DO VELHO PORTO: O RIBEIRINHO

CONFIRA!!!


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Morava em um casebre à beira do rio de águas barrentas que via o sol acordar escaldante e a lua dormir amarela com a poeira que pairava no ar. Comia o que o rio lhe trazia à isca e passeava em seu leito com a voadeira que o pai havia feito e lhe deixou a herdar. Bebia a água barrenta fervida e nunca adoecia pois os anticorpos eram de candiru matar.

Antes de levar a vida de Ribeirinho, viveu desde a borracha, passando pelo ouro até a cassiterita a explorar, ganhou alguns calos no dormente e nos trilhos da ferrovia que ajudou a fundar. Era gente da gente daquela se com frio, fome ou doente sabe que tem que trabalhar.

Ocorre que agora sua casa decidiram que vão na mão grande tomar. Acontece que a tecnologia, que aqui nunca chegaria, chegou e resolveu lhe despejar. Por causa da falta de energia, perderá sua moradia e vai ter que se acostumar. Pior que a casa que iria, a que lhe fora prometida, nem pronta está. E nessa terra viaduto até tem, mas não estão prontos pra embaixo morar.

Mas ele é guerreiro, é caboclo e decidiu que não sai dali sem lutar. Armado com a teimosia, sentou na cadeira e pôs-se a balançar. Matutou três dias e três noites para uma estratégia montar. Armou os antigos canhões do antigo presídio, que ali perto um dia existiu. Esperou seus algozes famintos, como urubus rodearem seu ninho para surpreender-lhes com bolas negras no ar.

Balançava na cadeira tranquilamente quando ouviu o ranger de um dos dormentes, eram os homens da lei armados até os dentes para cumprir ilegalmente a desapropriação de nossa gente. Ele correu e pegou o fósforo, não era dado à tecnologia, nem isqueiro utilizaria, mas pagou caro pela rebeldia, a mira a laser penetrou-lhe à nostalgia de sua mente, os tempos de guerra que já não vivia.

O herói de nossa gente, se foi num repente, agora a fonte de energia não é mais o sol potente, mas sim um assassino emergente que mata os peixes,. Mas há quem diga que ouve ainda, o seu caminhar nos dormentes enquanto adormece essa gente, que sofreu, sofre e sofrerá com tanto governo incompetente.

Fonte: RENATO GOMEZ

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