Terça-Feira, 15 de Outubro de 2013 - 11:54 (Colaboradores)

CRÔNICAS DO VELHO PORTO: O PROFESSOR

Foi coroado pelo seu povo, virou O REI. Havia dominado praticamente todo seu país, restando apenas o vilarejo que lhe escorraçara como se fosse, de fato, o vagabundo. Resolveu ir até lá pessoalmente.


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Destinava sua vida a ensinar as crianças do vilarejo. Dos adultos poucos eram alfabetizados. Mas queria ver aquele lugar se desenvolver e sabia que o conhecimento era vital para isso, portanto passava tudo o que sabia aos poucos que se interessavam em aprender e que os pais não proibiam de andar com O VAGABUNDO. Infelizmente era assim que o chamavam na região.

Certo dia, ao ministrar suas aulas ao ar livre no melhor estilo Aristóteles, foi interrompido pelos comerciantes e líderes daquele povo. Estavam furiosos, gritavam sua ira dizendo que o vagabundo tinha que ser expulso, pois estava propagando ideias anárquicas às crianças. E assim fizeram: expulsaram o vagabundo dali.

Pouco tempo depois ele soube que o motivo de sua expulsão fora o contestamento por parte do filho do líder à matemática enganadora do pai em seu comércio.

Foi parar nas cavernas onde habitava um povo selvagem, de origem guerreira. Usando sua perspicácia e poder de observação foi aceito pelos selvagens e passou a exercer sua razão de existência dentre aquele povo. Com o tempo criou um código de linguagem escrita baseado na fala do povo, ensinou-lhes a ler e escrever,  matemática, contagem do tempo, um pouco de tudo o que tinha em sua bagagem intelectual.

Virou O LÍDER do povo. Uma liderança natural, aclamada por todos. E como o povo, apesar da aquisição de conhecimentos, não perdeu sua origem guerreira, continuou a batalhar por espaço. Porém uma dominação diferente, seus soldados eram encaminhados para passar conhecimento pelos arredores em nome de seu líder, realizavam a dominação cultural, propagando o conhecimento em todo o país.

Foi coroado pelo seu povo, virou O REI. Havia dominado praticamente todo seu país, restando apenas o vilarejo que lhe escorraçara como se fosse, de fato, o vagabundo. Resolveu ir até lá pessoalmente.

Alguns anos haviam se passado desde sua saída, mas o local permanecia tal qual deixara, não se desenvolvera em nada. Caminhou com seus soldados do conhecimento por todo o lugar até se deparar com o ainda líder que lhe expulsara por ter ensinado a honesta matemática ao seu filho.

Encararam-se por um longo tempo. Nos olhos do rei a redenção. Pensou em humilhá-lo, apedrejá-lo em praça pública, prendê-lo, enfim, mil castigos contra o comerciante passaram-lhe pela mente. Nos olhos do mercador o medo. Pensou que seria vítima de tudo que se pudesse passar pela cabeça do outro. Então o soberano resolveu por fim ao silêncio. Chamou um de seus soldados e lhe pediu que trouxesse a arma mais poderosa de seu povo. Todos olhavam atônitos. Rapidamente o soldado voltou com um embrulho. O monarca o tomou pra si e caminhou em direção ao ex-algoz que ajoelhou ao seu pés e suplicou pela vida. O rei retirou do pacote e atirou contra o peito do adversário  a arma com a qual conquistara todo o seu reino: O LIVRO.

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Fonte: Renato Gomez

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