CRÔNICAS DO VELHO PORTO: MOINHOS DE VENTO – POR RENATO GOMEZ - News Rondônia Não havia nenhum Dom Quixote, menos ainda um Sancho Pança, mas aqueles Moinhos de Vento eram dragões cuspindo fogo e ceifando a vida da sociedade daquela cidade.

Porto Velho,

Terça-Feira , 05 de Março de 2013 - 17:35 - Colaboradores


 

CRÔNICAS DO VELHO PORTO: MOINHOS DE VENTO – POR RENATO GOMEZ

Não havia nenhum Dom Quixote, menos ainda um Sancho Pança, mas aqueles Moinhos de Vento eram dragões cuspindo fogo e ceifando a vida da sociedade daquela cidade.

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Eram as grandes engenhosidades da cidade. Visavam o aumento da produção de energia para todo o país. Fora devastada uma área de preservação ambiental e com grande patrimônio histórico e cultural para a construção do empreendimento. Muitas vertentes da sociedade civil organizada foram contra a instalação. Para os governantes os recursos obtidos foram um agravante causador de cegueira deliberada, uma vez que possibilitariam um falso crescimento econômico ao Estado. Falso, porque ao acabarem as obras e os empregos gerados virarem desemprego e os migrantes partirem ou virarem um fardo na sociedade. Mas o fato é que os Moinhos de Vento estavam sendo construídos na cidade.

Não havia nenhum Dom Quixote, menos ainda um Sancho Pança, mas aqueles Moinhos de Vento eram dragões cuspindo fogo e ceifando a vida da sociedade daquela cidade.

Os trabalhadores, que ali se empenhavam, circulavam livremente pela linha tênue do antagonismo ao protagonismo, ora rebelados, ora vitimados, ora consumindo o nicho social do álcool e da prostituição, ora sendo utilizados como bode expiatório em justificativas quanto à economia local.

O impacto da construção em si causava problemas sociais e ambientais ao seu redor, e em larga escala quando o assunto convergia para a mesma economia citada anteriormente. A alta do setor imobiliário, só para citar um exemplo, foi impactante para todo o povo. Os imóveis triplicaram de valor tanto para venda como para locação.

E mesmo com boa parte do povo contra, os órgãos fiscalizadores cobrando transparência e emitindo pareceres contra a isenção fiscal concedida, os governantes silenciavam e mantinham sua posição pela construção dos Moinhos de Vento. A administradora do fornecimento de energia elétrica se mantinha omissa à boa parte da discussão em torno do empreendimento. E na cidade a energia elétrica oscilava e às interrupções no fornecimento eram constantes, era a cidade com mais moinhos de vento e que mais sofria com quedas de energia.

O tempo passou, os Moinhos foram inaugurados e, após alguns anos, a cidade foi ficando deserta. Os trabalhadores se foram... Os nativos, sofrendo com o aumento do custo de vida, se foram... Todos, por algum motivo decorrente da grande obra, se foram... Abandonado, o lugar mais parece cenário de um filme de bang-bang, quando são apresentadas as cidades fantasmas.

De resto, o que se comenta é sobre um velho ribeirinho que ali já estava na época da construção dos moinhos e ali continuou residindo até o fim de sua vida, que sempre foi contra e morreu impondo sua bengala como um verdadeiro Dom Quixote, diante daqueles dragões que devastaram toda uma população.

Fonte: RENATO GOMEZ

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