Sabado, 27 de Janeiro de 2018 - 10:52 (Colaboradores)

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CRÔNICA: O FILHO PRÓDIGO, O IRMÃO MAIS VELHO, E EU

A insensatez levou-o a gastar todos os seus bens com farras e esbórnias. Confira.


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A parábola está entre as mais belas e conhecidas da humanidade. Narrativa feita por Jesus e relatada no evangelho segundo Lucas no capítulo XV. Como sabemos, conta a história de um jovem que ao pedir sua parte na herança, recebeu-a de seu pai e depois de algum tempo foi para longe, um outro país. A insensatez levou-o a gastar todos os seus bens com farras e esbórnias.

Sua ruína foi agravada por uma severa seca que afligiu aquela região, passou fome nessa condição, sofreutanta necessidade trabalhando com o cuidar de porcos que cobiçava a comida desses animais. Houve nesse momento profunda contrição, momento em que decidiu voltar à casa de seu pai sabendo que lá os empregados tinham uma vida digna, no que ele pretendia ser apenas isso, um servo comum para ter ao menos o que comer e não mais um filho. Estava ainda ao longe, no caminho, quando o pai o avistou, correu e recebeu-o com grande alegria e ordenou uma grande festa e que todos os seus direitos lhe fossem devolvidos.

Devo confessar. Sempre fiquei desconfortável com essa história. Isso se deve ao fato de eu pensar no (e como o) irmão mais velho. O filho mais novo inconsequente e irresponsável sequer respondeu por seus atos. Poderia ser contratado como um empregado da propriedade que, segundo ele mesmo, eram muito bem tratados. Mas não vejo justiça na bonomia do pai em premiá-lo por ter desperdiçado sua parte na herança.

O filho mais velho, que chega ao final de um dia de duros trabalhos, ao dar-se conta do motivo da festa já em andamento, é tomado de grande consternação. Mesmo com osapelos amorosos do pai, não lhe é aplacado o furor. Eu o compreendo, e mais que isso, concordo com ele!

Naturalmente não era essa a intenção de Jesus, e muito provavelmente se eu o dissesse isso pessoalmente, ele me faria o convite a enxergar outras verdades nas entrelinhas da parábola. Verdades de um Deus amoroso sempre à espera da humanidade pródiga. Assim como o pai aguardando seu finório filho. O coração amoroso de Deus, o Pai, aplicou Sua justiça na pessoa de Jesus quando o enviou para morrer, pagando assim a dívida de uma herança perdida. À humanidade Ele aplicou Seu perdão, deu-nos privilégios imerecidos e promoveu festividade sem medida mas, a um caríssimo custo.

Penso que Jesus pausada e tranquilamente me diria essas coisas. Eu as ouviria atentamente e no íntimo talvez ainda restasse velado protesto e resistência. E Ele, sabendo, com afetuoso e sorriso, compreenderia que algumas verdades aprendemos apenas com o tempo, nas grandes estiagens da vida, e talvez, quando chegarmos ao ponto decobiçar o alimento dos porcos.

Fonte: 012 - Jefrson Sartori

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