Quinta-Feira, 16 de Novembro de 2017 - 09:53 (Colaboradores)

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CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE NEUROCIÊNCIAS: PROCESSOS REGRESSIVOS: ELIMINAÇÃO E MORTE ANUNCIADA

Os experimentos de Hamburger em aves (pintos) possibilitou-o descobrir que que o desenvolvimento normal incluía uma fase de morte celular natural, regulada pela quantidade de tecido-alvo presente no embrião.


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O neuroembriologista alemão Viktor Hamburger (1900-2001) em 1940 descobriu que era a partir das etapas ontogenéticas que resultavam o excedente de neurônios, circuitos neurais e sinapses em um indivíduo. O número de células cresce na fase de embriogênese e decresce após o nascimento e também para os neurônios dos gânglios espinhais.

Os experimentos de Hamburger em aves (pintos) possibilitou-o descobrir que que o desenvolvimento normal incluía uma fase de morte celular natural, regulada pela quantidade de tecido-alvo presente no embrião.

Rita Levi-Montalcini, bióloga e colaboradora de Hamburger trabalhou sobre a existência de fatores neurotróficos, substâncias capazes de garantir a sobrevivência dos neurônios juvenis. Ela identificou o primeiro fator neurotrófico sobre os neurônios dos gânglios espinhais, no qual o batizou de fator de crescimento neural (NGF). Atualmente outros fatores neurotróficos foram descobertos e mapeados.

Lent afirma que este princípio ocorre em invertebrados e vertebrados. Nos invertebrados a morte celular é programada geneticamente e não é regulada pelos alvos como nos vertebrados. Na maioria dos casos a morte celular é parcial, a aparenta ser um mecanismo de controle das populações neurais em relação aos alvos.

Os alvos produzem os fatores trópicos e se supõe que também seja função das fibras aferentes. Que quando secretados são capturados pelos neurônios para que possa se converter em um crescimento que permita a realização de um movimento sináptico.

Os fatores tópicos atuam sobre os neurônios evitando a morte celular (opoptose) e também atuam sobre a síntese de enzimas que podem matar um corpo neural. Os neurônios que são encaminhados para uma posição alvo competem com outras células a projeção de seus axônios.

As células que estabelecem conexões sinápticas se estabilizam, as que não conseguem concluir a missão entram em apoptose e desaparecem. Essa morte programada é o único processo regressivo observada no desenvolvimento do sistema nervoso. Onde também uma eliminação seletiva ocorre de axônios e sinapses produzidos em excesso com seus neurônios, que não sinaliza a morte do neurônio, mas apenas um processo de poda onde os ramos colaterais são controlados; em macacos este índice de descarte pode chegar à 70%.

O desenvolvimento não é um fenômeno de etapas lineares como processos que se seguem em: divisão celular, migração, organogênese e crescimento. Os fatores neurotróficos coordenam a programação de morte das células neurais durante o desenvolvimento neural de um indivíduo.

Assim um neurônio tende a morrer quando um fator neurotrófico não é mais liberado pelo seu alvo. Como se a sua finalidade de existência deixasse de ter funcionalidade.

Rita em sua pesquisa notou que alvos maiores pareciam manter mais neurônios vivos do que alvos menores com a chegada dos cones de crescimento ao local de destino a fim de realização de conexão sináptica.

Não se sabe quando de fato o sistema nervoso se torna adulto, porque transformações mesmo na fase adulta costumam a ocorrer, mas se considera que o processo de mielinização é demarcador do estágio de maturação ontogenética do SN. Constituída de lipídios e gordura, a mielina é um material isolante que é constituidora da membrana da maioria das células da neuroglia: os oligodendrócitos. Quando a membrana glial toca as fibras nervosas, as capas de mielina vão se enrolando em espiral em torno das fibras nervosas (fenômeno conhecido como mielinização) ganhando como propriedade uma condução mais veloz que as células não mielinizadas, onde a informação, no caso das fibras mielinizadas, é migrada com maior fluência.

O estudo de mielinização é realizado atualmente por técnicas de neuroimagem por ressonância magnética. Foi descoberto em virtude deste procedimento que a mielinização inicia nos grandes feixes de fibras do tronco encefálico ao final da gravidez e nos primeiros dias após o nascimento, conforme Lent, ascendendo feixes diencefálicos de 1 a 3 meses após o nascimento. Para aos 6 a 8 meses de vida de um bebê ascender à capsula interna e ao restante do corpo caloso, para alcançar no primeiro ano de vida a substância branca dos hemisférios cerebrais, prolongando até o final de puberdade de forma mais lenta.

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro

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