Segunda-Feira, 29 de Janeiro de 2018 - 15:15 (Colaboradores)

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CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE NEUROCIÊNCIAS: A DOR É CONTROLÁVEL, SEGUNDO LENT?

O que não significa que ele seja inexistente, apenas não foi racionada pelo soldado.


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O contexto psicológico e social afeta a percepção da dor, bem como, fatores de intensidade correlacionados a sua manifestação. Um exemplo clássico em que Lent torna evidente este ensinamento é a manifestação da dor em soldados feridos em um front de batalha. Onde a motivação de lutar, fatores psicológicos como a expectativa, medo, perda, frustração e ansiedade atenuam ou ampliam a experiência dolorosa. Observa-se neste contexto de guerra que o efeito modal é a atenuação da sensação dor, devido ao grau elevado de ocupação mental necessário para a sobrevivência que não deixa o soldado associar-se a percepção da dor. O que não significa que ele seja inexistente, apenas não foi racionada pelo soldado.

Nos casos de acidente doméstico, os fatores psicológicos e sociais são canalizados para a afetação de um indivíduo em associação com o estímulo nocivo, onde sua consciência se afasta do seu padrão de comportamento social, para cuidar do fator nocivo que é prejudicial para a sua existência ou manutenção. Neste segundo caso o deslocamento sensorial sinaliza para a ampliação da percepção da sensação de dor.

Porém, é importante estabelecer que tais contextos não são essenciais para determinar se a dor será incorporada as funções psicológicas de um indivíduo ou não. Existem muitas ressalvas e outros fatores condicionantes que podem ser colocados em um modelo de comportamento sensorial.

No efeito placebo uma âncora é administrada a um paciente, no qual ela não possui efeito ou relação direta com uma sensação de dor. Como, por exemplo, uma pomada que não irá gerar refrescor na região lesada, mas que sua aplicação, é suficiente para sugerir para os mecanismos inconscientes do cérebro humano, que uma medida reparadora fora aplicada, e que, portanto, a área cerebral ativa para manifestar que a sensação de dor deve ser desativada para que o funcionamento de rotina seja desempenhado dentro de outros condicionantes ambientais, e não mais ao represamento da dor. Assim, o efeito placebo é um sinalizador de sugestão de efeito cognitivo capaz de abrir ou fechar comportas cerebrais.

Os mecanismos analgésicos endógenos dos seres humanos constitui em um sistema de conexões neurais conectadas às vias aferentes nociceptivas capazes de modular ou bloquear a passagem das informações de dor, no trajeto ascendente em direção ao córtex cerebral.

O primeiro mecanismo atua na entrada das fibras nociceptivas na medula onde as sinapses que abastecem os neurônios de segunda ordem ficam localizadas no corno dorsal. Outros mecanismos auxiliares estão distribuídos ao longo deste processo e recebem também sinapses inibitórias de interneurônios, em que estão presentes as fibras Aβ que vinculam as informações táteis.

O circuito intramedular que gera impulsos táteis ao serem canalizados na medula, como também os impulsos dolorosos podem inibir a transmissão sináptica entre o neurônio de primeira e segunda ordem.

Ronald Melzack e Patrick Wall propuseram a teoria da comporta da dor, no qual sugere que existem passagens que devem ser abertas para a canalização da dor, isto é, sinapses inibitórias que abrem e fecham em determinadas condições.

Outras vias descendentes moduladoras da dor cuja origem é o córtex somestésico e no hipotálamo, projeta-se pela região mesencéfálica em torno do aqueduto cerebral, conhecida como substância cinzenta ou grisea periaquedutal. A projeção passa a se estender para os núcleos bulbares, como o: núcleo parabranquial e os núcleos da rafe. O trajeto segue para o corno dorsal da medula.

Lent explica que a estimulação elétrica ou farmacológica experimental desses núcleos inibe a transmissão sináptica nociceptiva na medula, provocando o bloqueio da dor.

A descoberta dos peptídeos opioides foi um grande avanço para esclarecer os mecanismos analgésicos endógenos e seus efeitos. Estudos concentrados em torno da morfina (planta papoula) parente genealógico do ópio foi o campo de abertura para os seus efeitos analgésicos e euforizantes na geração de drogas ministradas pelos médicos.

O estudo da morfina foi possível identificar componentes opioides, tais como: encefalinas, endorfinas e dinorfinas. Todas possuem peso molecular diferenciados e compartilham uma mesma sequência de aminoácidos com ação analgésica. Todos os peptídeos são encontrados na substância cinzenta periaquedutal, nos núcleos da rafe e no corno dorsal da medula.  Eles exercem funções moduladoras bloqueando a liberação de neurotransmissor excitatório pelo terminal pré-sináptico para hiperpolarizar a membrana pós-sináptica.

A dor que sentimos pode ser controlada através da razão, pela influência do córtex cerebral e pela emoção pela influência do hipotálamo. Tudo isto para corrigir os fatores evasivos e nocivos que um ser humano tem contato num modelo compartilhado de existência ambiental.

Fonte: 012 - Max Diniz Cruzeiro

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