Sexta-Feira, 03 de Novembro de 2017 - 13:30 (Colaboradores)

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CONCEITOS FUNDAMENTAIS DE NEUROCIÊNCIAS: [021] – NEURÔNIOS MIGRANTES - Por Max Diniz Cruzeiro

Existem várias formas para que um neurônio juvenil venha a fazer um caminho de migração.


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Quando a divisão das células precursoras pára de agir, o movimento migratório passa a levar o neurônio juvenil para seu local definitivo, este mesmo fato ocorre para as células do tubo neural que formarão o sistema nervoso central e as células da crista neural que formarão o sistema nervoso periférico.

Existem várias formas para que um neurônio juvenil venha a fazer um caminho de migração. Lent explica que a forma da locomoção mais frequente é a locomoção onde a célula se movimenta arrastando o seu corpo celular numa direção estabelecida. Um prolongamento-líder é formado a partir da extensão de uma membrana do neurônio juvenil (como um caracol) que puxa um prolongamento menor e caudal.

Outra forma é a translocação nuclear onde as células se prolongam em duas direções, uma vez ancoradas no tubo neural e o núcleo, onde as organelas passam a se deslocar parar dentro dos prolongamentos, movimentando o corpo celular.

Uma vez preso os prolongamentos quando um se solta, o outro passa a puxar o corpo celular para a outra direção e causa um posicionamento diferente. Os grandes responsáveis pela migração são as proteínas do citoesqueleto do neurônio.

Neste fenômeno de migração neuronal as áreas até o momento mais estudadas e de maior conhecimento do sistema nervoso embrionário são o rombencéfalo (cerebelo) e o prosencéfalo (córtex cerebral). Onde as camadas de neurônios se apresentam de forma bem definida, com características funcionais e morfológicas distintas.

Lent explica que durante a neurogênese o prosencéfalo apresenta uma parede simples de uma única camada de células precursoras que se divide sucessivamente. Desta relação surge uma segunda camada (pré-placa cortical) e surge uma nova camada de neurônios no meio da pré-placa (placa cortical). Esta última se subdivide em inúmeras camadas de neurônios para a formação do córtex cerebral maduro.

O Americano e pesquisador Richard Sidman em 1960 descobriu que as camadas de neurônios se formam pela migração de neurônios juvenis. O experimento consistiu em injetar em camundongas gestantes timidina, em pequenas doses, e em diferentes fases da gestação, marcada com um isótopo radioativo de hidrogênio, onde esse marcador era sensível apenas para os precursores neurais da fase S do ciclo celular, que é a fase de síntese de novo DNA, e apenas os precursores neurais de último ciclo incorporavam a quantidade máxima de timidina radioativa, devido os outros neurônios sujeitos a divisões fragmentar a radioatividade na formação de outras células-filhas.

Os filhotes de camundongo do experimento do parágrafo anterior após atingirem a fase adulta, depois do nascimento eram sacrificados para o estudo histológico do córtex cerebral a fim de colher a posição dos neurônios radioativos.  

O Croata Pasko Rakic, neurobiólogo, estudou o modo que os neurônios migrantes encontram o trajeto certo até o seu ponto final. Ele observou que no tubo neural existe um congruado de células de glia radial (estas formam posteriormente astrócitos e neurônios) onde os neurônios migrantes estavam aderidos ao prolongamento da glia radial. Onde essa paliçada radial serviria de trilhos para que os neurônios migrantes pudessem chegar ao ponto de destino (migração gliofílica ou radial). Mas tarde ficou conhecido um outro tipo de migração que se batizou como tangencial que o mecanismo é ainda desconhecido.

Lent esclarece que as células do trajeto devem sintetizar e secretar moléculas que ficam incrustas na sua membrana, mas exposta ao exterior para o reconhecimento das células migrantes e moléculas pequenas para se reproduzir um gradiente a ser percebido pelos prolongamentos líderes dos neurônios migrantes.

Na etapa de migração as células da crista neural podem encontrar com células mesodérmicas para formar a parte mais externa da glândula suprarrenal (córtex). Chegado este ponto a migração é interrompida para dar vazão a uma associação para a formação da medula suprarrenal. As células do córtex suprarrenal secretam hormônios glicocorticoides, que possivelmente é o sinal de parada da migração. E estabelecem, ao mesmo tempo, fatores indutores para transformação, na medula suprarrenal, em células glandulares.

No córtex cerebral a migração não permite que uma camada ultrapasse a outra em ritmo de crescimento. Esse crescimento é sincronizado e simultâneo para todas as camadas e quando o ponto de finalização da migração é sinalizado, todas as camadas param de crescer ao mesmo tempo.

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

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