Segunda-Feira, 28 de Novembro de 2016 - 08:27 (Colaboradores)

L
LIVRE

COMPILAÇÃO DE ENTENDIMENTO DO CONHECIMENTO OFERECIDO PELA LENDERBOOK COMPANY – Por Max Diniz Cruzeiro

Os familiares não são os carrascos que acabam com o tratamento. A renúncia do tratamento é devido ao inconsciente do paciente.


Imprimir página

Os familiares não são os carrascos que acabam com o tratamento. A renúncia do tratamento é devido ao inconsciente do paciente. Onde o paciente não é uma vítima que surge como integrante deste sistema.

Quando abrimos o consultório para cuidar do adoecimento devemos estar atentos com relação com o paciente na manutenção do setting analítico.

Um bom analista tem que estar em abstinência, e ter cuidado com o paciente. Não se envolver culturalmente na vida deste paciente.

Se a transferência por um lado viabiliza o trabalho do analista, por outro lado cria obstáculos à terapia, construindo-se como resistência, conforme argumenta Freud.

O paciente atrasa, a raiva que sente por um ente querido passa para a figura do analista, num processo de responsabilização e projeção da responsabilidade, a relação do sujeito adoecido torna-se dividida, então as condições para expressar o que está consumindo internamente surge através da transferência dentro do setting analítico, se tornando um material vivo onde a imagem do analista é a ponte para que o indivíduo consiga acessar o seu inconsciente.

A transferência provoca resistência, pois a pessoa cria uma estrutura de defesa, pois ela entra em contato com sua parte de medo, angústia, temeridade, vazio, em que a propagação destes elementos sustenta o indivíduo dentro do arcabouço que constitui o seu movimento aflitivo.

Quando a resistência não é superada, provavelmente se tornará uma transferência negativa que colocará em risco o sucesso do tratamento.

Tem características nossas que podem despertar tanto aspectos negativos e positivos na relação analista e paciente.

Nós transferimos pedaços de nossas relações na transmissão do convívio entre pessoas. Embora a prática enfatize a resistência oriunda de uma família, os membros sadios não hesitam muito tempo em escolher entre seus próprios interesses e a recuperação daquele que está doente. (Freud – 1917)

Se a esposa percebe nas mazelas da análise que tipo de influência o marido exerce sobre a mulher, logo o marido retira a mulher da sessão. A questão familiar é complexa.

Percebo que ao tratarmos principalmente com pacientes fragilizados emocionalmente considerados graves, ou aqueles que têm dependência financeira de seus familiares frequentemente nos deparamos com sucessivas tentativas de invasão do setting analítico.

A dependência do paciente seja emocional ou financeira, pode criar no familiar provedor, a ilusão que esse pode participar do processo analítico.

Tentativa de saber o que está sendo dito por parte dos familiares (sentido de invasão) no caso de violência e tentativa de suicídio são muito comuns.

Em caso de pacientes mais comprometidos emocionalmente, em que a dificuldade de delinear o limite entre ele próprio e o outro é muito severa, e o analista se vê constantemente obrigado a resguardar o setting das investidas do paciente e do seu grupo familiar.

Fazer o paciente perceber como ele está dentro de sua relação é importante para o processo de retorno deste paciente para uma construção social mais favorável.

Quando a ausência de limite transborda inundando a sala de análise, hipoteticamente uma paciente pode levar o marido que não acredita que a sua esposa esteja fazendo o tratamento de forma adequada.

O empenho do analista em preservar o espaço analítico sem intervenção externa é muitas vezes visto como desaprovação pela família evocando a resistência.

Os pretextos usados pelos familiares na tentativa de se aproximarem do analista em busca de informações acerca do tratamento tornam-se frequentes.Mas interações familiares existem desejos autênticos em relação ao bem-estar do paciente, visto que seu adoecimento provoca desgastes emocionais, e muitas vezes, financeiros aos membros da família, desde eu sua possível “melhora” não prejudique a dinâmica familiar.

As modificações internas provocadas pela análise no paciente ressoam no seio familiar, exigindo novos ajustes que, nem sempre, são convenientes a todos.

Daqui surge a ideia que a análise destrói casamentos. Por que se um elemento da relação ouve e se modifica o outro elemento dessa relação terá que se ajustar dentro da relação gestada.

Quando o membro da família que detém maior poder econômico tenta intervir na análise, as técnicas empregadas para esse fim são desde observações dos entes junto ao paciente com o objetivo de denegrir o analista e, ou o tratamento até a tentativa de intervir no processo analítico: redução das sessões, previsão da melhora; diminuição no tempo do tratamento, encerramento da melhora, diminuição no tempo do tratamento, encerramento da terapia, extinção imediata de determinados comportamentos do paciente, redução dos honorários do analista, anular o contrato, a internação do paciente, ação apenas medicamentosa onde aqui pode-se ter a intervenção dos orientadores espirituais, amigos e até psiquiatras que não acreditam na psicanálise.

Os familiares não percebem ou não valorizam a redução de determinados vieses do paciente buscando negar os ganhos obtidos no tratamento.

Os comportamentos vigentes, identificados como problemáticos à convivência familiar, são assinalados como exemplo irrefutável de comportamento familiar do enfermo.

O apelo do grupo familiar dirigido ao analista em relação ao ser “enfermo” é o de ajustá-lo, sem provocar nenhum dano colateral aos seus membros, a realidade considerada pelos seus parentes como ideal, mesma que tenha um cunho de adoecimento para o analista.

A resistência familiar pode ser acrescida às transferências negativas já existentes no paciente, criando, muitas vezes, uma barreira intransponível.

Freud chama a atenção apenas quanto as experiências negativas do tratamento. Pois depende a transferência do momento do processo analítico, da qualidade da aliança terapêutica, do tipo de transferência dominante, da capacidade da dupla “dirigir” os incidentes, da capacidade do analista de manter o setting interno, de qual pulsão predomina no paciente (vida ou morte), do nível de dependência emocional que o paciente tem em relação aos seus familiares, das defesas emocionais que prevalecem no paciente, e da influência do ganho secundário sobre o paciente.

Naqueles pacientes os quais o ganho secundário domina seu funcionamento é provável que a resistência familiar surta o efeito pretendido: o abandono do tratamento.

Quando o ganho secundário, a serviço da pulsão de morte, controla a vida mental do paciente e se junta à resistência familiar, a impressão de duas pessoas distintas, como por exemplo um usuário de drogas e uma mãe-menina frágil e sensível, onde os honorários eram dependentes do estado emocional do paciente, onde o paciente passava por um estágio de busca de satisfação sexual através da busca de sites de bate-papo na internet, em que persistia um sonho de se prostituir a um grupo secreto, onde coexistia o incentivo ao abandono da análise em que existia um relacionamento firme e a interação com outro casal no intuito de se fazer um ménage à trois.

Nos casos em que o paciente se percebe como a peça defeituosa na engrenagem familiar, portanto isolado nas suas perspectivas e desconsiderado nas suas escolhas pelos demais membros, ao sentir-se acolhido em sua individualidade na análise, começa a questionar as opiniões dos pacientes e as tentativas da intervenção na sua vida.

Quando o paciente se beneficia da análise as investidas parentais contra o tratamento se tornam constantes e, muitas vezes, são radicalizadas com a exigência do término da análise.

O paciente, ao perceber a manipulação familiar, pode entender a resistência da família como mais uma intrusão na sua vida, tornando-a material para reflexão.

Quando a resistência familiar intervém na análise de forma construtiva, no caso de uma paciente, por exemplo, que possui características de bipolaridade, mas que na realidade sofreu um diagnóstico errado por se tratar de um caso de borderline, e que por esta razão estava consumindo remédios que não tratavam verdadeiramente o seu adoecimento e como resultado desta falha seu processo de adoecimento psíquico evoluiu em torno deste adoecimento levando este paciente a tentativa de suicídio aos 24 anos, onde o pai detinha o domínio emocional e financeiro sobre o paciente, sendo esse controle exercido através da pensão. O rapaz se graduou em sociologia e começou a ganhar os eu próprio dinheiro. Momento através da análise que começou a questionar atitude deste pai de manter e suspender a pensão para que a vontade do pai fosse satisfeita.

Em alguns casos, o fenômeno familiar pode vir a se instalar no processo analítico. Quando um membro da família desloca inconscientemente para a pessoa do analista os afetos, conflitos, desejos, e fantasias, relacionados a outro elemento do grupo familiar.

Seria o caso de um Pai advogado que ao interpor ao tratamento de um filho se dirija à analista com a identificação desta numa construção mental como se falasse com sua esposa.

A relação analítica e seus efeitos são de difícil compreensão para aqueles que se atrevem a deitar no divã.

É natural que um paciente ou um amigo íntimo, tenha a noção do que é discutido ao par com o analista.

Eficácia é a redução dos sintomas ou na extração do dos comportamentos considerados nocivos ao ser no meio pessoal, principalmente aquelas atitudes que são tidas como perturbadoras.

 

A modificação da conduta do paciente pode ser sentida como inconveniente para o seu grupo de convivência.

Dentro do contexto apresentado, a resistência parental entra na análise afetando a resistência negativa do paciente.

O curso que a resistência externa à dupla analítica irá tornar é uma incógnita revelada ao longo do tratamento.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias