Segunda-Feira, 24 de Junho de 2013 - 12:46 (Colaboradores)

COM PMS DA CHACINA SOLTOS, TENSÃO E MEDO RETORNAM A JACY-PARANÁ

A quadrilha, de acordo com o bojo do processo - já encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça com Pedido de Providências – vai a Júri Popular, em data e local ainda não estabelecidos.


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Jacy-Paraná, Mesorregião de Porto Velho – Um ‘revolução’ na história policial e do Juízo rondoniense, foi o que pretendiam alguns dos delegados e policiais civis com a inesperada prisão de envolvidos no ‘Grupo dos Mais, Mais da PM’ na ‘Chacina de Jacy. Mas o sonho foi por terra com o retorno dos acusados às ruas e à farda da briosa Polícia Militar.

Apesar de aliviadas com o suposto fim de uma história de dor, tortura e assassinatos, as famílias das pessoas levadas à morte em varadouros e nas fundiárias da fazenda do ex-candidato a prefeito, Mário Português, no ‘Rio do Encontro’, a sensação, hoje, ‘é de que, mesmo com provas cabais, a 3ª Vara Criminal decidiu pela soltura prévia dos policiais’.

A quadrilha, de acordo com o bojo do processo - já encaminhado ao Conselho Nacional de Justiça com Pedido de Providências – vai a Júri Popular, em data e local ainda não estabelecidos. Contudo, a Comissão de Defesa Direitos Humano, da Câmara dos Deputados, está apelando a outras Cortes de Justiça para que esse cenário não seja alterado.

ROSÁRIOS DE CRIMES - São atribuídas à parte dos policiais militares do Destacamento deste Distrito, além de chantagem a traficantes, prisões arbitrárias, crime de concussão, advocacia administrativa, cobrança a bordéis e pontos de prostituição, uso ilegal de armamentos poderosos da PM, assassinatos de camponeses e de uma família inteira, inclusive de crianças e do dono de bar alcunhado de Zé da Vaca’.

Solto, De Assis, aquém são atribuídos a maioria dos crimes contidos do rosário apresentado pela Polícia Civil á justiça, ‘transita com desenvoltura na comunidade e de quando em vez, visita linhas, ramais e carreadores onde os crimes foram cometidos’. Vítimas potenciais temem que a presença do militar venha a se constituir em ameaças a testemunhas.   

PIOROU COM AS USINAS - Jacy-Paraná, antes um vilarejo pacato e constituído por agricultores e nativos, ficou conhecida no cenário mundial depois da chegada das usinas. E mais ainda com o triste episódio da ‘insurgência dos operários que lutavam por melhorias das condições de trabalho nos canteiros de obras’. Na ocasião, negados os benefícios, atearam fogo nos alojamentos.

Com o desgaste causado pelo aumento populacional, esse antigo Distrito da Capital Porto Velho, tornou-se em pouco tempo ‘um verdadeiro barril de pólvora’. Alimentada pelo sonho dourado, turba de brasileiros aportaram às portas das empreiteiras em busca de oportunidade e outros, de negócios escusos ao que determina a legislação.

VENDE OU MORRE - A maioria da população, diante dos cenários macabros perpetrados por policiais militares envolvidos em crimes de mando e circunstanciais, depois do ‘Caso da Chacina’, passou a conviver no entorno das usinas com a mudança de hábitos, inclusive com ameaça de incêndios a propriedades pertencentes à ex-soldados da Borracha de Mutum-Paraná, União Bandeirantes, Rio das Garças e Rio do Encontro, este onde Mário Português exibe parte do seu patrimônio.

O Distrito não é mais o mesmo de cinco anos atrás. Atualmente, do que sobrou do contingente contratado pelas usinas, existe apenas ‘o retrato apagado da rica história da passagem das Marias-Fumaça da EFMM [Estrada de Ferro Madeira Mamoré], da água limpa dos córregos, rios e lagos, bem como da vida livre no campo e do barulho, agora, silencioso, das corredeiras e da Cachoeira de Santo Antônio, atestam remanescentes dos Soldados da Borracha.

Com a repercussão da ‘chacina’ no cenário mundial, Jacy-Paraná, diante a decisão do Tribunal de Justiça de Rondônia [TJ-RO] em libertar os PMs comandados por De Assis, ‘o não cumprimento da  conclusão do IPM [Inquérito Policial Militar] pelo Comando Geral da Polícia Militar, pode configurar crime de prevaricação, diz um importante coronel da reserva contrário aos bicos feitos pelo acusados  a madeireiros e fazendeiro da região.

No belo e estratégico Distrito da BR-364, que liga Porto Velho a Capital acriana, as pessoas têm passado seus dias à espera de noticias da condenação dos membros da quadrilha de PMs em Jacy e em outras cidades, todos  acusados de matar agricultores. Para a maioria, ‘isso os juízes não contam, é um segredo, um dos mais fechados dentre os arquivos secretos do Juízo rondoniense’.

CARGA ROUBADA? - Jacy-Paraná também esconde, depois da chegada das usinas, segundo investigações independentes, cemitérios clandestinos com camponeses assassinados, de indígenas e adolescentes violentadas até ao limite dos seus afluentes com vilarejos da Ponta do Abunã. E outros.

Na região do Rio do Encontro, a Polícia Civil achou os corpos da família chacinada. No entorno,  a Polícia Federal chegou a efetuar abordagens de policiais militares portando armamentos poderosos do Estado rondoniense. A alegação foi que, ‘estavam no local para atender chamados de fazendeiros’. Foram liberados, inexplicavelmente, desabafam antigos moradores.

À altura do quilômetro 75, da BR-364, segundo um experiente policial aposentado, ‘há uma grande fazenda que abriga caminhões com cargas oriundas de outros estados’. Ele revela, contudo, que, ‘lá, equipes trabalham na limpeza das mercadorias e as reembarcam em outros caminhões que vão diretos a Guajará-Mirim e a Humaitá, no Sul do Amazonas’.

A região, de acordo com remanescentes de ex-soldados da Borracha, é o ponto-chave para o suposto esquentamento de Títulos de terras junto à Superintendência do INCRA [instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária]. E que tudo começou com a avalanche de migrantes nos anos 70.  

- As vítimas são de idosos aos familiares dos Soldados da Borracha que se recusam a vender por mixaria, as propriedades, eles disseram.

Xico Nery é Produtor Executivo de Rádio, Jornal, TV, Repórter Fotográfico e CONTATO de Agências nas Amazônias, Países Andinos e Bolivarianos.  

Fonte: Xico Nery

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