COCHICHO - Por Max Diniz Cruzeiro - News Rondônia O cochicho é uma forma de comunicação que denota extrema intimidade em que um indivíduo posiciona os lábios bem próximos do ouvido de uma outra pessoa, ato que pode ser apoiado ou não pelas mãos.

Porto Velho,

Sexta-Feira , 23 de Setembro de 2016 - 10:58 - Colaboradores


 


COCHICHO - Por Max Diniz Cruzeiro

O cochicho é uma forma de comunicação que denota extrema intimidade em que um indivíduo posiciona os lábios bem próximos do ouvido de uma outra pessoa, ato que pode ser apoiado ou não pelas mãos.

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O cochicho é uma forma de comunicação que denota extrema intimidade em que um indivíduo posiciona os lábios bem próximos do ouvido de uma outra pessoa, ato que pode ser apoiado ou não pelas mãos.

Geralmente associado a emotividade, o cochicho predomina um tipo de excitação em que se pretende conectar diretamente a intimidade do outro.

Carícias, insultos, elogios e fantasias são conteúdos geralmente ajustados para que esta prática seja realizada.

Neste tipo de contato íntimo o desejo não é apenas informar, mas também de fazer parte do conteúdo como um oferecimento libidinal para o outro.

Então é comum além da transmissão de sinal audível em frequência branda, o oferecimento da boca como instrumento de apreciação nos ouvidos de quem se deseja narrar e construir uma história.

A língua pode ter papel de construção assessória dentro deste processo de elucubração, onde ela pode servir de instrumentação para provocar frisson sobre o indivíduo que se torna alvo de desejo.

Umas mordisquelas podem ser introduzidas como conteúdo imaginário para ativar ainda mais as sensações de quem recebe a comunicação em tom libidinal baseado neste porte de comunicação.

O som se propaga e se projeta onde o sentido da respiração pode vir condicionado a um rufar das narinas a fim de aproximar a sensação de desejo do indivíduo pela pessoa amada, quando o objetivo do encontro íntimo é o enamoramento.

A voz fica mais adocicada que o sussurrar e é possível notar que as partes erógenas do corpo passam a fluir uma leve excitação e as partes sexuais podem ocorrer o enrijecimento do falo e da vulva, como uma preparação para um coito que se aproxima.

Ao contrário do sentido sentimental o cochicho também pode ser orientado para uma percepção em que fatores de perseguição passam a orientar a psique de quem se vê excluído do processo de interação no ato de comunicação.

O cochicho é ativador da paixão, porque faz facilmente o indivíduo se conectar com o eixo de sua libido.

Como forma de intimidação ele visa romper o estado de equilíbrio de um indivíduo, semelhante a um processo de tortura quando o desejo do opressor é desestabilizar a vítima infiltrando tênues vibrações sonoras para simbolizar um sequenciamento bem prolongado de dor, aflição e sofrimento.

Este último conceito pode ser utilizado para desestabilizar um indivíduo em uma relação sadomasoquista, em que fatores de dominação e submissão estão atrelados no conteúdo afetivo que constrói o laço do casal de enamorados.

O cochicho se assemelha a um chiado que se pronuncia sem a preocupação do tempo de interação, em que se pretenda prolongar, como artificio, a retórica para que ela possa indexar nas profundidades do inconsciente humano.

Como se o cochicho tivesse a finalidade de transmitir um enraizamento, que se pretende fazer com que a vibração do outro faça parte do conteúdo do indivíduo que está sendo informado.

Uma expressão de incompreensão e exclusão bem antiga foi adotada para reclamar da privação da informação relativa ao cochicho: QUEM COCHICHA O RABO ESPICHA. E os mais criativos remendaram a frase: QUEM RECLAMA O RABO INFLAMA. E os não cochicheiros corrigiram a imperfeição da retórica em: QUEM RETRUCA O RABO INCURTA. Na construção de uma dialética cultural em que a linha do raciocínio entre incomodados e informantes passam a balancear as relações afetivas do comportamento grupal.

Existem segredos de ordens consagradas que somente é transmitido a forma de herdar a informação através de um laço íntimo de cochicho.

A Igreja Católica adotou como regra o recebimento da hóstia com uma expressão que mais se assemelha ao sussurro, onde o herdeiro da consagração deva zelar pelo segredo em que a palavra de iniciação indica para o Padre se a pessoa foi verdadeiramente consagrada para participar do ato e algumas comunidades bem isoladas adotam outras práticas semelhantes como forma de transmissão de ideias que devem ser permanecidas em segredo ou absoluto silêncio.

O cochicho é uma forma de comunicação muito comum em pessoas de avançado estado de debilidade em termos de saúde, quando as forças estão bastantes reduzidas e o indivíduo apresenta dificuldade no ato de comunicação, razão que os profissionais de saúde devem estar preparados para aproximarem seus ouvidos e propiciar um tipo de escuta para reduzir o sofrimento por parte dos convalescentes.

Crianças gostam também de fazer brincadeiras em relação ao cochicho a fim de despertar simpatias em relação a outras crianças ou demonstração de carinho pelos pais.

Nas fantasias das crianças e adultos, o cochicho pode ser uma forma de percepção de interação em que maus espíritos se aproveitam de suas vítimas para cutucar e invadir seus sonhos.

Onde se crê que tais entidades conseguem pronunciar instruções na mente dos indivíduos quando estes estão adormecidos.

Sendo a explicação atual mais racional (2016) é o estado de sono do indivíduo estar em um nível de interação ambiental em que uma conexão prolongada com o meio abastece os sensores do corpo e do ouvido, com os ruídos produzidos neste ambiente, em que os temores, e projeções aflitivas passam a tomar conta do imaginário do sujeito a conduzir o seu sono por um caminho que mais se assemelha a uma influência externa, que na realidade é percebida e distorcida dentro de seu aspecto interacionista com o habitat.

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Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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