Segunda-Feira, 02 de Abril de 2018 - 08:49 (Colaboradores)

L
LIVRE

CARTAS DA JU: NÓS E A COMUNICAÇÃO

No fundo, tem muito de egoísmo e vaidade. Não queremos ser esquecidos, não admitimos que não fazemos tanta falta assim para as pessoas.


Imprimir página

Querida pessoa, já começando a levantar acampamento rumo ao fim das minhas férias, é inevitável analisar o contexto. Depois que aprendi a pensar, é quase impossível deixar de fazer essas pequenas reflexões, de modo bem pessoal mas que sempre podem dar uma luzinha pra quem precisar. Ainda lembrando que, quando por um tempo que me pareceu longo demais, fiquei sem celular, percebi como estamos dependentes da comunicação das redes e facilidades dos celulares e internet, mas isso todo mundo sabe né... nem tanto.

Num resumo bem direto, tem a parte super chata, da agenda, contatos e aplicativos como taxi, por exemplo, e a parte positiva de um certo isolamento, com o qual a maioria de nós não concorda. No fundo, tem muito de egoísmo e vaidade. Não queremos ser esquecidos, não admitimos que não fazemos tanta falta assim para as pessoas. Não suportamos o silêncio, o tempo que temos a mais e não sabemos como usar. 

Observo em todos os lugares, casas, escritórios, consultórios, cada pessoa em seu mundo particular e individual, as vezes transformando o local público em terreno pessoal, causando quase sempre constrangimento geral. Reparo também que há uma linha tênue que quer fazer com que as pessoas saiam dessa letargia, que voltem a conversar, olho no olho, que considerem importante sentir o sabor dos alimentos, ouvir o que o outro tem a dizer, trocar ideias, opiniões, olhar as cores, valorizar o momento observando o que há ao redor, na natureza, com as pessoas ou mesmo sozinhas.

É preciso parar de supervalorizar essa dependência, é preciso ter vontade, e uma certa coragem, de parar mesmo, de forma bem consciente e entender quais áreas da vida estão sendo afetadas e até prejudicadas. Não vou nem falar sobre a diversidade de acidentes e perigo constante no uso principalmente do celular em momentos indevidos. Em São Paulo, nas plataformas do metrô, há avisos sob diversas formas, em anúncios impressos e gravados, mostrando o que acontece quando a pessoa caminha olhando para a tela do celular.

Sou uma eterna apaixonada pela boa comunicação e o celular com todas as suas convidativas comodidades certamente me cativa também, mas sou contra dependências, de qualquer tipo, especialmente quando nos tiram a liberdade do movimento amplo, fértil e saudável.

Convido você a sair dessa estatística, de cair fora dessa imobilidade, desse tolhimento dos sentidos e a olhar em volta, ouvir os pássaros, sentir o tempo, apreciar as cores e abraçar as pessoas.

Que tal?

Fonte: Ju Lauriano - NewsRondônia

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias