Sexta-Feira, 19 de Junho de 2015 - 10:31 (Colaboradores)

CANDEIAS DO JAMARI SOFRE INTERVENÇÃO NA SAÚDE

Crise deve acender alerta no SUS do município.


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Porto Velho/RONDÔNIA – Até pouquíssimo tempo atrás ninguém diria que o Conselho Municipal de Saúde de Candeias do Jamari, a 20 quilômetros da Capital Porto Velho, fecharia questão em torno de uma intervenção imediata na secretaria de Saúde daquele município governado há 23 anos pelo grupo do ex-prefeito Lindomar Garçon [ex-PV e agora, PMDB].

Por cinco votos a quatro a entidade, na terça-feira [16], decidiu intervir no setor sob a alegação de que, ‘em 28 situações referentes ao atendimento o sistema municipal de saúde estaria comprometido com sérias irregularidades’, apontadas pelos conselheiros desde os programas de atenção básica à emergência.

De acordo com as denúncias, as unidades e o próprio Hospital de Pequeno Porte [HPP] funcionam precariamente, faltando remédios e medicamentos, bem como profissionais especializados aos vários setores do atendimento. Além de parte do quadro de pessoal apresentar antecedentes criminais, muitos dos quais ainda em estado probatório.

A questão das ambulâncias dominou a parte maior dos debates da semana que passou para, nesta terça, em sessão extra-ordinária, com ausência de representantes da Controladoria Geral da União [CGU], Ministério Público [MPE-MPF], Tribunal de Contas do Estado e da União [TCE-TCU] e do Controlador Geral do Município, Severino Ramos e da secretária Geral e Fazenda [SEGEFAZ], Liflávia Tíndale de Souza, terem contribuído facilmente pela intervenção no setor.

Uma das denúncias atestadas pelos conselheiros de pré-nome Sávio e Maysa, é referente á situação dos Agentes Comunitários de Saúde [ACS], de Endemias e do Programa da Saúde da Família [PSF], muitos dos quais, ‘não tem condições adequadas de trabalho’. Segundo o radialista Márcio Santos, ‘as unidades de saúde continuam sendo saqueadas, falta medicamentos e veículos são desmontados e equipam os de outras secretarias’.

Outro tema levantado é a inexistência de uma maternidade, fato que corrobora para o aumento do índice demográfico da Capital Porto Velho. Segundo Márcio Santos, ‘há mais gente nascida nas maternidades de fora do que em Candeias’, o que incide negativamente na perda considerável de dinheiro do Fundo de Participação dos Municípios [FPM] e outros repasses da União.

Com o novo quadro que os Conselheiros desenham à Saúde Municipal foi que, desde as audiências na Câmara e nas denúncias dos vereadores Brito da Bicicletaria [Partido Solidariedade], Neilton Bento [PROS], João Gadelha [PDT] e Cezar do Candeias [PCdoB], ‘a saúde tem jeito’, já que dinheiro não faltaria para se fazer as mudanças que a sociedade clama.

Segundo relatos e gravações feitas em sessões da Câmara de Vereadores, ‘a crise na saúde não é de agora, não’, diz um edil opositor sob anonimato. Para ele, ‘ninguém foi apanhado de surpresa com a notícia da intervenção’. Ela já era esperada a ponto de, em menos de seis meses, três secretários terem sido nomeados na atual gestão.

Ouvidos por este site de notícias, aliados da atual gestão municipal, acreditam que, ‘essa posição ainda possa ser revertida’, uma vez que, ‘prevaleceu uma maioria simples’. De acordo com a legislação, ‘as denúncias devem ser desdobradas para procedimentos investigatórios preliminares e apurados em sua forma cível e criminal pelos grupos de interesses’.

Servidores acusados de terem cometidos supostos crimes, entre os quais, de furtos, má conduta, apropriação indébita de bens do patrimônio, ou mesmo por terem sido mencionados, certamente, irão buscar a Justiça para que sejam confrontados com as decisões tomadas pelos conselheiros, informam parte de servidores lotados no Hospital de Pequeno Porte [HPP].           

Em conversada reservada, um dos participantes com assento na Câmara de Vereadores, disse que o motorista de ambulância, lotado no Posto de Saúde do Distrito de Triunfo, Paulo Edson Braga, vulgo ‘Paulo Moleza’, deve ser denunciado ao Ministério Público após a sessão da terça-feira [21]. Ele é acusado de abandono de ambulâncias na estrada da Linha 45, tendo uma delas sido depredada por supostos vândalos, além de ter sido flagrado pelo prefeito dirigindo visivelmente alcoolizado e não punido até agora.

Ela ocorre, justamente, no momento em que há alguma irregularidade comprovada, mas de forma robusta e técnica. Ela fala, ainda, que, ‘a intervenção pela intervenção não pode ocorrer apenas por razões empíricas adotadas por conselheiros declaradamente apontados como contra o sistema vigente’.

Para parte da população ouvida nas ruas de Candeias do Jamari, ‘a atuação dos conselheiros, agora, é para que busquem recursos à construção de um hospital regional [leia-se modelo de Vilhena e Guajará-Mirim], para maternidade municipal, reforma e ampliação do HPP, a doação de R$ 100 mil mensais pelos Vereadores para compra de remédios, além de irem a Brasília para buscarem as emendas prometidas, caso a intervenção ocorresse – como acabou de acontecer.

Fonte: Xico Nery/NewsRondonia

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