Segunda-Feira, 26 de Setembro de 2016 - 15:57 (Colaboradores)

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LIVRE

BEIJO - por Max Diniz Cruzeiro

Minha língua serpenteia meu imaginário agora, em aéreas sensações de mim mesmo em conexão com sua libido, criatura do meu desejo alado.


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Minha língua serpenteia meu imaginário agora, em aéreas sensações de mim mesmo em conexão com sua libido, criatura do meu desejo alado.

E em convolações circulares meu desejo se encosta ao seu desejo, minha angústia de te devorar se encosta na parte reflexa dos teus lábios.

E minha boca fica suculenta de te possuir, e me mesclo em estado ofegante em que meu sintoma é ter você em meus lábios.

E a angústia, se foi. Porque é você extensão do meu beijo quando me acoplo a sua efervescência.

Porque neste exato momento sou a perversão de uma janela que te observa. E este observar-me te faz consumir em um beijo imaginário que fez perceber você como um objeto de consumo.

E quando em desejo me acoplo aos teus lábios o gozo farto se aproxima sem a necessidade sequer de tocar em sua pele. Porque meus poros transbordam diante de sua proximidade.

Porque a boca orquestra um sonho, um sonho de entendimento do que nutro de sintonia com o desejo de estar contigo numa única partitura, em que o elo é uma nota que se interliga com outra e num suspiro a melodia se funde num extravasamento do gosto de sua boca conectada a minha volúpia.

Porque o orgasmo é apenas um ponto em que a curva onde os raios ultrapassam uma vontade encadeada circunda minha alma acoplada a sua boca.

Porque somente você é capaz de entender o que estou te dizendo. Como se meus lábios sussurrassem ao pé do seu ouvido, e pense, em vez de sussurros se concentram uma infinidade de beijos beliscados, a te chamar para um coito que meu pensamento canaliza na visualização do seu corpo angelical.

Porque minha voz tenra não tem esperança de progredir em seus braços, na construção de um saber onde você está inserido, e estando presente dentro de mim nunca se ausenta da obrigação de revelar e informar, porque o beijo não sinaliza angústia, não sinaliza aflição, e nem uma espécie de possessão, mas uma vontade uníssima de me incorporar por propriocepção algo que se funde para tornar uno uma vontade dividida que converge para o infinito.

Porque o não desistir de fundir-se é algo que se incorpora a cada dia não como uma promessa, mas como uma verdade que está instalada, só a espera de que o encontro libidinal um dia seja permitido.

Porque nenhum tipo de ruína é capaz de vencer o amor, e o amor é paciente de sua cristalização, como o beijo que nos consome. Como a flor acariciada com os lábios e ofertada para o ser que verdadeiramente se ama.

Sê é cônscio, se sabe esperar pelo momento certo, sê é zeloso para corresponder ao desejo na hora indicada que as vontades e verdades se entrelaçarem.

Não é uma expectativa, não é um anseio, é uma configuração de algo cristalino já realizado num futuro não hipotético, que já se realizou no entrelaçamento do beijo, em uma atmosfera que tangencia a realidade sem ela estar presente na realidade consumida.

Porque está em construção, e é uma construção que se permeia muita areia e cimento, a fim de que a fundação fique cada vez um argumento mais sólido, porque não se deseja que o prédio se desabe.

Porque o tempo guarda, o beijo funde, e a alma se enriquece. O momento é sempre a hora de um despertar de um paradigma passado para uma ilustração presente, em que o barco está a caminho, entre ondas que oscilam e ora o beijo se aproxima, ora entra em deriva para longe do repouso de nossos lábios.

Como a metáfora do navegante que diz tudo mais ao mesmo tempo para a maioria não é sabedora de nada. Onde o aparente suplício do beijo, é algo se se transpõe à carne, mas que não está flutuante sobre o barco, e nem caminha sobre as águas, mas que também não está adormecido sem ser colocado, que se posiciona numa certeza que aparenta não ser construção de uma verdade, mas que se projetando se inspira, e se inspirando baila como esta frase entre muitas vindas e vindas na construção para simbolizar muitas voltas que meus lábios passaram a se tocar com os teus em circunvoluções desta leitura.

Porque você é meu porto seguro. Sempre estarei contigo mesmo distante, porque esta verdade não se derruba. Porque foi construída muitas gerações a fogo e ferro, para dar lugar um dia ao ônix de nossas existências, como um beijo que não cessa em ceder e tornar a repetir como conteúdo recorrente de nossa história construída de geração para geração.

Porque por onde meu desejo transcorrer, o teu desejo estará acoplado ao meu, não importa a terra que teu espírito aportar, não importa as pessoas com que teu desejo sinalizar conexão. Sempre minha alma irá guardar ocultamente a sua reflexa vitória.

Como um suspirar que não se finda, como uma energia que nunca se esgota, como uma vida que sempre transborda, e transbordando não se afunda. Pode ser no paraíso dos teus olhos, pode ser no paraíso de sua mente, sempre haverá um lugar que meu pensamento irá tocar na forma de um beijo o teu desejo.

E operante da sensação de volúpia a vontade de deixar tua felicidade ser extasiada trará para longe o seu suplício, para que se construa a vida dentro da retórica da verdade, sem imacular a tua imagem.

Porque o amor se constrói infinitamente, sem rancor, sem remorso, sem ressentimento. Sempre à espreita do momento certo para eclodir, não importa o século, não importa a era, não importa o planeta, sempre em expansão ao encontro do teu beijo, mesmo que ele se conecte em sentidos adjacentes.

Fraternalmente,

Max Diniz Cruzeiro

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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