BAIRRO TRIÂNGULO: E A AMEAÇA DE SER VARRIDO DO MAPA - News Rondônia As barrancas que antes detinham a força do rio hoje estão cada vez mais fragilizadas, com as intensas erosões todas as vezes que as comportas da estatal energética Santo Antônio são destrancadas.

Porto Velho,

Quarta-Feira , 20 de Maio de 2015 - 10:13 - Colaboradores


 


BAIRRO TRIÂNGULO: E A AMEAÇA DE SER VARRIDO DO MAPA

As barrancas que antes detinham a força do rio hoje estão cada vez mais fragilizadas, com as intensas erosões todas as vezes que as comportas da estatal energética Santo Antônio são destrancadas.

ImprimirImprimir página

Por Emerson Barbosa

O mais antigo bairro de Porto Velho o Triângulo corre o risco de sumir do mapa do município. É que desde a enchente de (2014) o Rio Madeira nunca mais voltou ao seu nível normal. A ameaça tem feito famílias procurarem o poder público, que tem feito pouco caso delas. E caso os órgãos competentes não vejam o lado dos antigos habitantes, que inclusive são remanescentes de homens e mulheres que construíram a Estrada de Ferro Madeira Mamoré, (EFMM), eles terão que deixar o local que viveram toda uma vida direto para o olho da rua. confira na segunda parte da série, TRIÂNGULO: O FIM DE UM BAIRRO. Reportagem de Emerson Barbosa, e fotos de Raymundo Brito, para o NewsRondônia.

No bairro Triângulo a tragédia é um vilão que mora ao lado e uma ameaça que a cada dia coloca em cheque a existência do mais antigo bairro de Porto Velho, destacado como o berço da civilização local. O Rio Madeira mesmo recuando não vem dando trégua e aquilo que ele não levou na enchente passada e deste ano, a erosão está tomando conta do resto. Sessenta metros separavam a casa do contador Luciano ferreira da margem do Madeira.  Alguns meses essa metragem se resume a 30 metros. Uma situação bem preocupante. 

As barrancas que antes detinham a força do rio estão cada vez mais fragilizadas com as intensas erosões, todas as vezes que as comportas da estatal energética Santo Antônio são destrancadas.

Como não existe uma barreira de contensão impedindo que o barranco seja devorado pela força do manancial o risco agora é de tudo ser engolido de uma hora para outra. Uma ameaça que vem comprometendo não somente a vida dos moradores do Triângulo, más, também poderá trazer danos irreversíveis ao centro de Porto Velho.

Como o governo e o município nas gestões passadas do ex-governador Ivo Cassol e do prefeito Roberto Sobrinho não se preocuparam em construir juntos um planejamento que servisse de auxilio nos momentos de crise da cidade de Porto Velho, com a chegada das estatais  energéticas o que se nota hoje é que a falta desse entrosamento do executivo municipal com o executivo estadual tem feito a população que atualmente soma quase 500 mil pessoas a pagar um preço muito caro por autoridades que foram omissas com o compromisso de defender os direitos  dos cidadãos portovelhenses. “Eles não fizeram e continuam não fazendo nada pela gente. Estamos aqui à mercê. Abandonados a própria sorte”, denuncia a líder comunitária, Araci Silva,mas conhecida como ‘Eva’.

A coordenadora de operações do Sistema de Proteção da Amazônia – Sipam Ana Cristina Strava discorda que as hidrelétricas do rio madeira tenham relação na cheia ocorrida no ano passado. Para ela, a bacia do Rio Madeira não suportou tanta incidência de água vinda dos rios bolivianos e a consequencia foi o que vimos em 2014, onde parte do oeste de Porto Velho foi alagado. Prejuízo não apenas para capital, o Estado do Acre ficou isolado do restante do Brasil. Segundo a líder comunitária a afirmação da estudiosa coloca em cheque os investimentos do empresário Percival Farquhar (1864 -1953), com á Estrada de Ferro Madeira Mamoré que escolheu justamente as margens do Rio Madeira para construir o empreendimento por onde as locomotivas iriam passar. 

Na contramão o governo ainda contabiliza o que fazer com as pessoas da primeira enchente, tanto da cidade Porto Velho como dos distritos do Baixo – Madeira. É justamente essa morosidade, ou falta de interesse que vem fazendo muitas famílias perderem as esperanças.

“Meu pai foi o primeiro presidente da Câmara de vereadores de Porto Velho se fosse vivo, com toda certeza o ‘velho’ já teria visto o nosso lado”, comenta o morador Zildo Ferreira. Após a cheia do Rio Madeira, os bairros atingidos foram desvalorizados. Imóveis que antes eram alugados a preço de ouro, agora estão encalhados. Placas de vendas são o que mais se encontram na região. O sonho de morar em frente rio madeira, se tornou um pesadelo. 

O comercio do entorno foi prejudicado. Quem voltou ainda vive a sombra do pesadelo. “E sem ter o apoio das pessoas que nos colocamos no poder estamos aqui a mercê do tempo e da justiça de Deus”, finaliza o contador Luciano Barroso.

A vida das famílias do bairro triângulo hoje depende de ações que tramitam no Ministério Público Federal (MPF). As pessoas atingidas antes da enchente do Rio Madeira em 2014 quando o problema era somente a erosão foram transferidas para imóveis que o município foi obrigado a construir, pressionado pela lei. Más, nem todos ganharam casas, os remanescentes filhos de ex-ferroviários não entraram no projeto. É que as casas onde moravam naquela época ainda estavam fora da área de risco. O local para onde as famílias desejam ser levadas hoje pertence à união e está sobe o poder do exército.

“Não tem lógica isso, eu sair da minha casa que é grande para morar numa casa que não cabe nada. Eu estou neste lugar há mais de 60 anos, as autoridades precisam me respeitar, valendo o peso do nosso sacrifício, construindo essa Estrada de Ferro”, declara dona Leonilda Alves.

Fotos: Raymundo Brito

NOTICIAS RELACIONADAS

Fonte: Emerson Barbosa

Comentários do Facebook

Veja Também

Publicidade

  • Http://www.Auto-doc.pt