Sexta-Feira, 24 de Junho de 2016 - 12:12 (Colaboradores)

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APRENDA A IDENTIFICAR E LIDAR COM DIFICULDADE DE APRENDIZAGEM DAS CRIANÇAS

Os problemas de aprendizagem atingem uma de cada dez crianças em idade escolar.


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A criança com problemas específicos de aprendizagem tem padrões pouco usuais em perceber as coisas no ambiente externo. Seus padrões neurológicos são diferentes das outras crianças da mesma idade. No entanto, têm em comum algum tipo de fracasso na escola ou em sua comunidade.

Não é nada difícil detectar quando uma criança está tendo problemas para processar as informações e a formação que recebe. Os pais devem estar atentos e conscientes dos sinais mais frequentes que indicam a presença de um problema de aprendizagem, quando a criança:

- Apresenta dificuldade para entender e seguir tarefas e instruções.

- Apresenta dificuldade para relembrar o que alguém acaba de dizer.

- Não domina as destrezas básicas de leitura, soletração, escrita e/ou matemática, pelo que fracassa no trabalho escolar.

- Apresenta dificuldade para distinguir entre a direita e a esquerda, para identificar palavras, etc. Sua tendência é escrever as letras, palavras ou números ao contrário.

- Falta-lhe coordenação ao caminhar, fazer esportes ou completar atividades simples, tais como apontar um lápis ou amarrar o cordão do sapato.

- Apresenta facilidade para perder ou extraviar seu material escolar, como os livros e outros artigos.

- Tem dificuldade para entender o conceito de tempo, confundindo o 'ontem', com o 'hoje' e/ou 'amanhã'.

- Manifesta irritação ou excitação com facilidade.

Características dos problemas de aprendizagem

As crianças que têm problemas de aprendizagem, com frequência apresentam, segundo a lista obtida do “When Learning is a Problem/LDA (Learning Disabilities Association of America)”, características e/ou deficiências em:

Problemas de Leitura (visão)

A criança se aproxima muito do livro;

Diz palavras em voz alta;

Assina, substitui, omite e inverte as palavras;

Vê duplicado, pula e lê a mesma linha duas vezes;

Não lê com fluidez;

Tem pouca compreensão na leitura oral;

Omite consoantes finais na leitura oral;

Pestaneja em excesso;

Fica estrábica ao ler;

Tende a esfregar os olhos e queixar-se de que coçam;

Apresentam problemas de limitação visual, soletração pobre, entre outras.

Escrita

A criança inverte e troca letras maiúsculas;

Não deixa espaço entre palavras e não escreve em cima das linhas;

Pega o lápis desajeitado e não tem definido se é destro ou canhoto;

Move e coloca o papel de maneira incorreta;

Trata de escrever com o dedo;

Tem o pensamento pouco organizado e uma postura pobre, etc.

Auditivo e verbal

A criança apresenta apatia, resfriado, alergia e/ou asma com frequência;

Pronuncia mal as palavras;

Respira pela boca, queixa-se de problemas do ouvido;

Sente-se enjoado;

Fica branco quando lhe falam;

Depende de outros visualmente e observa o professor de perto;

Não pode seguir mais de uma instrução por vez;

Põe a televisão e o rádio em volume muito alto, etc.

Matemáticas

O aluno inverte os números;

Tem dificuldade para saber a hora;

Pobre compreensão e memória dos números;

Não responde a dados matemáticos, etc.

Emocional/comportamental

Baixa autoestima;

Elevado nível de ansiedade;

Não se percebe como capaz de aprender, sempre solicita ajuda do professor ou da família;

Desvaloriza-se e desvaloriza suas produções;

Não tem persistência nem autonomia;

Frustra-se com facilidade;

É uma criança inquietas, costuma perturbar a classe;

Tende ao isolamento, não tem a sensação de pertencer a um grupo;

Possui pouca competência social, com um atraso de 2 a 4 anos em relação aos seus colegas.

Dentre os Distúrbios de Aprendizagem, atualmente o que mais tem sido discutido e abordado é a Dislexia, Disgrafia, Discalculia e TDAH.

DISLEXIA:

A Dislexia caracteriza-se por uma dificuldade na área da leitura, escrita e soletração. A dislexia costuma ser identificada nas salas de aula durante a alfabetização sendo comum provocar uma defasagem inicial de aprendizado.

DISGRAFIA:

Falha na aquisição da escrita; implica uma inabilidade ou diminuição no desenvolvimento da escrita, é também chamada de letra feia. Atinge de 5 a 10% da população escolar e pode ser dos seguintes tipos: Disgrafia do pré-escolar; construção de frases; ortográfica e gramatical; caligrafia e espacialidade.

DISCALCULIA:

Falha na aquisição da capacidade e na habilidade de lidar com conceitos e símbolos matemáticos. Basicamente, a dificuldade está no reconhecimento do número e do raciocínio matemático. Atinge de 5 a 6% da população com DA e envolvem dificuldades na percepção, memória, abstração, leitura, funcionamento motor; não entendem enunciado dos problemas nem a seqüência lógica.

TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade):

O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade é um transtorno neurobiológico, de causas genéticas, que aparece na infância e frequentemente acompanha o indivíduo por toda a sua vida. Ele se caracteriza por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade.

Características: Não consegue prestar muita atenção a detalhes ou comete erros por descuido nos trabalhos da escola ou tarefas; tem dificuldade para organizar tarefas e atividades; distrai-se com estímulos externos; mexe com as mãos ou os pés ou se remexe na cadeira; interrompe os outros ou se intromete (p.ex. mete-se nas conversas / jogos).

As dificuldades de aprendizagem constituem o principal desafio para os educadores. O fracasso escolar atinge as crianças em desenvolvimento, derrubam sua autoestima, promovem dificuldades de relacionamento, distúrbios de comportamento e a marginalização daqueles que não se adaptam a regras sociais que não o reconhecem como sujeito em processo de aprendizagem.

Do enorme contingente de crianças com fracasso escolar, apenas uma minúscula fração consegue ser encaminhada a um recurso que permita compreender suas dificuldades, para obter algum atendimento a respeito da dificuldade que apresenta.

O diagnóstico precoce do distúrbio de aprendizagem é fundamental para a superação da dificuldade. Desta forma se verifica a área mais comprometida e se encaminha para a abordagem terapêutica mais adequada.

Tratamento

Para se tratar as dificuldades de aprendizagem é imprescindível a observação dos pais. Ao menor sinal das características acima, ou se você tem dúvida de algum comportamento ou dificuldade escolar de seu filho, procure uma avaliação fonoaudiologia. Ou, se tiver acesso, até uma equipe multidisciplinar composta por fonoaudiólogo,psicopedagogo, psicólogo e, por vezes, até um neuropediatra.

Não se esquecendo do papel importantíssimo do professor, que além de observar os alunos em sala de aula, também pode auxiliar no processo de aprendizagem, tornando a aula mais motivada e dinâmica, não rotulando o aluno, mas dando a oportunidade de descobrir o seu potencial.

Agredir, seja verbal ou fisicamente, não ensina ninguém sobre a importância dos estudos. É natural que, às vezes, os pais se sintam cansados e até irritados diante dos problemas dos filhos, entretanto, nessas horas e importante se acalmar antes de qualquer atitude. Embora clichê, a máxima de “uma boa conversa resolver tudo”, é verdadeira.

Professores

O erro precisa ser considerado como fonte de aprendizagem, pois só assim viabilizará um caminho de descobertas e desafios que estimulará no aluno o prazer do saber.

Nesta perspectiva, o erro das crianças não pode ser desprezado, pois é um reflexo da construção do conhecimento em que ela está aprendendo e revela o que conquistou. O professor precisa instrumentalizar-se no sentido de fazer uso dos erros como materiais para a construção do conhecimento.

Quando o aluno erra dentro de uma lógica, erra tentando superar um desafio. Cabe ao professor compreender como o estudante está construindo seu conhecimento, suas hipóteses, suas competências. Se ao contrário, o educador fizer do erro como fonte de castigo, o aluno deixa de criar hipóteses, com medo de ser punido.

Portanto, a atitude do professor diante do erro deve ser, sempre que possível a de transformá-lo em situação de aprendizagem. Enfim, o erro faz parte do processo da aprendizagem. Ninguém aprende sem errar. Como foi visto, é por meio do erro do seu aluno que o educador vai identificar o que ele já sabe e o que pode vir, a saber, sobre o conteúdo em estudo e reconstruir o conhecimento a partir dele.

Por Zecca Paim
Professor e Jornalista
Psicopedagogo Clínico e Institucional
MTB 1453/RO

Fonte: Zecca Paim

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