Terça-Feira, 26 de Dezembro de 2017 - 18:55 (Colaboradores)

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AMARGURA - Por Max Diniz Cruzeiro

A sensação muda de nível e a dimensão ao qual o indivíduo percebe ser afetado eclode em uma esfera social. Onde um fenômeno relacional é responsável por ancorar a aflição em que o indivíduo se enclausura para representar a sua dor.


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Amargura é uma fissura que transpassa os esfíncteres do sistema digestivo ativando a vesículas biliar, o esôfago, pâncreas e o fígado que provoca uma mistura enzimática que pesa o estômago fazendo-o secretar gases que remetem uma sensação de amargor na região da garganta, que transformada em ente subjetivo leva a construção de muitos pensamentos e sentimentos densos, em que o indivíduo se vitimiza, colocando um agente como responsável de sua irritabilidade, aflição, rancor, ressentimento corporal e afetação emocional.

Geralmente as sensações são desencadeadas nos primeiros estágios, depois o efeito subjetivo da amargura perdura em grau de subjetividade na vida constituída do adulto, que não passa mais a reconhecer os sintomas fisiológicos, como desencadeadores da fissura corporal. A recordação ativa o ciclo subjetivo.

A sensação muda de nível e a dimensão ao qual o indivíduo percebe ser afetado eclode em uma esfera social. Onde um fenômeno relacional é responsável por ancorar a aflição em que o indivíduo se enclausura para representar a sua dor.

A vítima da amargura vê uma vida com o sol se pondo. E não acredita mais numa forma de reconciliar, como um estado perene de aflição. O objeto ao qual se lança a amargura é atribuído toda a responsabilização pela sensação infrutífera.

O indivíduo se desconecta da sensação irritante ligada ao fisiológico. Quando tem contato com o objeto no qual sua subjetividade atribui, em um evento reativo, a motivação para o seu sofrimento, o ressentimento da estrutura corpórea é novamente evocada como uma sensação que deve ser trabalhada e a partir deste contato consigo mesmo, a aflição novamente vem à tona na estrutura de um lastro físico para o sofrimento.

Então o corpo passa a se contorcer, os músculos ficam tensos, e novamente o fenômeno da amargura toma conta do indivíduo dentro da dimensão do laço social, como que se evocasse a culpa de todos os problemas afetivos e emocionais na imagem do outro em que um pretexto inconsciente do elo relacional justificasse toda a emanação de sensações e sentimentos sofridos.

A sensação gástrica gera uma falta que ecoa diretamente da garganta, no qual gera uma sensação que ativa pensamentos e sentimentos que fazem associar o objeto a um comportamento de embolia.

A respiração profunda alivia a dor, o estresse, a desesperança em evocar a culpa do sofrimento para a “coisa” nomeada como discordante do desejo, da necessidade e vontade do indivíduo.

E em um evento traumático reverberante o indivíduo passa a se ressentir cada vez mais e de forma cada vez mais profunda, onde se constrói um elo subjetivo com o negativismo, e com sentimentos e sensações em que transformações que possam retirar o indivíduo deste estado estão cada vez mais longes de serem desfeitas.

A conexão com o pesar cada vez se torna constante, e o indivíduo passa a cultivar seu sintoma fisiológico, sem se dar conta, apenas no nível da subjetividade.

A vida passa a ter um sentido repressivo, a alegria passa a se esgotar cada vez mais de forma material e consistente. O olhar pesado, a pálpebra como quem sofre e pede para repousar; completa o ciclo em que o indivíduo monta para si um mecanismo que retroalimenta no sentido do ressentimento.

As pessoas se afastam, porque socialmente falando os laços convergem para crenças e emanações de pensamentos onde o negativismo se torna uma constante mais forte.

O indivíduo passa a se perceber cada vez mais órfão, e atribui para si outros “objetos” para fazerem parte da sua construção subjetiva que o faz conectar com a amargura. Então existe inicialmente uma melancolia, que se cultiva dentro deste aspecto respiratório e pesado, depois pode surgir um luto como quem pede para a retirada deste sentimento tão vil e pesado.

Então um equilíbrio entre o fisiológico, a dor, o social cria uma atmosfera mascarada, onde não se percebe o efeito primário que faz despertar a sensação, e esta que mantém um elo com o núcleo semântico subjetivo.

A vontade de expulsar a sensação se conecta com os primeiros anos de vida, e os gases passam a fluir em direção aos esfíncteres que evacuam os excrementos conectando o indivíduo com uma sensação de letargia em que sua fragrância passa cada vez mais a depender de aromatizantes na forma de frascos de perfume.

Essa aproximação da quase morte, com que o cheiro do corpo passa a concentrar densas sensações desagradáveis é o estágio final da amargura. Em que toda a subjetividade está toda comprometida, e o indivíduo passa a se compadecer em seus próprios elos de pensamento, independentemente de sua relação para com o mundo a sua volta.

Muitos buscam uma forma de punir a sociedade, encaminhando-se pela via lenta e letal do suicídio, outros, em sua conexão com o fisiológico tentam compreender como o mecanismo fisiológico comanda o cérebro para afetar os seus próprios pensamentos.

Uma diferencial escolha que determina o quão um indivíduo que tenha canalizado intensamente a amargura é capaz de sinalizar para si uma permanência mais prolongada sobre este mundo.

Um suspiro, talvez, uma pausa, nos momentos de tensão possam sinalizar uma forma de repactuar o ressentimento do corpo, não permitindo com a conexão que faz perder traços de amor, união, felicidade e compartilhamento de vida.

E um profundo procurar se entender e se integrar consigo mesmo para interpretar os sintomas mascarados pela subjetividade do pensamento. Para cumprir o seu papel de existência: verdadeiramente ser feliz!

Fonte: 010 - Max Diniz Cruzeiro/NewsRondonia

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