Terça-Feira, 04 de Agosto de 2015 - 20:51 (Colaboradores)

ACESSIBILIDADE NO TRANSPORTE PÚBLICO, POR JÚNIOR CAHULLA

Algumas cidades proporcionam essas condições, como é o caso da cidade de Curitiba que tem o percentual mais alto de acessibilidade para o transporte público que é de 95,6%. Já a cidade de Porto Velho é possível observar o contrário.


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A acessibilidade é um tema que sido muito discutido, mais agora a acessibilidade não pode ser discutida somente como acessibilidade no conceito geral mais sim a acessibilidade nos transportes públicos, pois os cadeirantes como outra pessoa tem o direito de ir e vir, tem muitas reclamações de que eles não tem as adaptações adequadas como rampas e elevadores  e quem precisa utilizar esse tipo de transporte passa por dificuldades para  ter acesso para esse transporte de massa que na maioria das vezes não oferecem condições, e isso acontece em diversas cidades brasileiras.

Já na cidade de Porto Velho é possível observar o contrário. Mesmo com as recomendações do Ministério Público  pedindo que o município garanta acessibilidade e transporte coletivo gratuito a idosos e pessoas com deficiências, a realidade acaba sendo apenas no papel, já nas ruas acontece exatamente o oposto.

Lembrando que a prefeitura teve que mudar todo o processo licitatório para que as novas empresas pudessem fazer parte da licitação.

Entrevista com o cadeirante Marcinho Mendes

JUNIOR CAHULLA: COMO QUE É PARA PEGAR ÔNIBUS NOS HORÁRIO DAS 7 DA MANHÃ, 12:00 E 18:00Hs?

MARCINHO: Para mim é difícil, inclusive no horário de pico, quando a gente vai pro trabalho, é super lotado e são poucos ônibus que são adaptados, e quando são adaptados, eles não tem horário fixo para passar na parada e tem aquela questão das rampas estarem estragadas ou quebradas.

JUNIOR CAHULLA: QUAL O PROCEDIMENTO QUANDO O ÔNIBUS CHEGA NA PARADA?

MARCINHO: Já cai várias vezes, cai com a cadeira e tudo, machuquei o braço e a boca.

JUNIOR CAHULLA: QUANTO A PONTUALIDADE PARA O DEFICIENTE CHEGAR NO TRABALHO, COMO É?

MARCINHO: Bem, vou citar o pensamento do jurista Guilherme Madeira que disse que "cadeirante estagiário não pode ser demitido,” mas no meu caso acabei sendo demitido do meu trabalho, pois não tinha condições de chegar no horário, e por esse motivo tive vários processos administrativos lá dentro do tribunal de justiça onde trabalhava. A maior delas foi quando cai e quebrei minha cadeira, acabei ficando sem transporte.

JUNIOR CAHULLA: COMO O PÚBLICO ENCARAVA A QUESTÃO DENTRO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA?

MARCINHO: Não estou mais lá no Tribunal de Justiça.

JUNIOR CAHULLA: COMO ERA NA EPOCA QUE VOCE TRABALHAVA LÁ?

MARCINHO: Me tratava muito bem, visivelmente, mas as oportunidades não são iguais para que nem uma pessoa normal, pois a gente tem uma delimitação não é isto? Então eles geralmente deixa a gente assim ah, você tem que superar seus limites né verdade e na hora que você trabalhar em certas funções, então a gente fica tipo assim, delimitado.

JUNIOR CAHULLA: COMO ELES TE TRATAVAM LÁ DENTRO DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA, COMO FUNCIONÁRIO OU COMO UM COITADO?

MARCINHO: Olha, na verdade, eu fiz muitas amizades lá, pois tenho muita facilidade para fazer amizades, mas no entanto, tipo assim, é uma empresa pública, entendeu?

Essa empresa pública visa dinheiro, então eles querem economia, entra muito trabalho, mão-de-obra e como a gente não oferece muitas dessas coisas, então a gente fica delimitado em certas situações. 

JUNIOR CAHULLA: COMO VOCÊ SE VÊ TENDO QUE PASSAR POR DIVERSOS PRECONCEITOS COM ACESSIBILIDADE E A FALTA DE ÔNIBUS ADAPTADOS?

MARCINHO: A gente tem que ter muita paciência, pois sabemos de nossas delimitações. Eu já passei de 2 a 4 horas na parada de ônibus, quando eu chegava já era 16h, esse era o horário em que eu ia almoçar.

JUNIOR CAHULLA: ACESSIBILIDADE?

MARCINHO: A dificuldade maior, é que muitas pessoas querem ajudar, entende? E podem ter a boa vontade mas na hora de ajudar eles não sabem. Só quem é deficiente sabe o que passa.

JUNIOR CAHULLA: VOCÊ TEVE SITUAÇAO DE TEREM QUE TE PEGAR NO COLO E TER QUE TE CARREGAR PARA DENTRO DO ONIBUS?

MARCINHO: Isso eu não gosto de jeito nenhum, mas eu já passei quando não tinha as rampas. Quando tinha que chegar na faculdade eu pedia para um colega colocar a cadeira dentro do ônibus e depois o mesmo me levava até o interior do mesmo, o que muitas vezes tirava a minha roupa no meio dos outros, geralmente quando você vai ser carregado puxa roupa né, sai embaixo, a gente fica, até desnudo, ai a gente fica com vergonha né verdade? Isso é constrangedor!

JUNIOR CAHULLA: QUERIA QUE VOCÊ DEFINISSE COMO FOI PARA VOCE TER PASSAR POR ESSA SITUAÇAO DE QUE IR DE ÔNIBUS PARA FACULDADE E COMO VOCE VÊ O QUE O PREFEITO TA FAZENDO PARA MELHORAR?

MARCINHO: Bom o que eu vejo, agora o prefeito no momento, ele, nos quatro anos de mandato, ele não está fazendo nada! Só conversa que vai colocar as empresas que tenha todas adequações, porém fica apenas nesse jogo de pôr a culpa uns nos outros.

JUNIOR CAHULLA: COMO VOCÊ VÊ ESSA QUESTÃO DA LICITAÇAO DAS EMPRESAS E DA CPI DO SHOWS?

MARCINHO: Deixa eu te definir essa questão da licitação: A lei licitatória é clara, quando existe uma empresa que não tem em definição os pré-requisitos necessários, ela tem ser destituída, né?

JUNIOR CAHULLA: VOÇÊ ACREDITA QUE VIRÁ 160 ÔNIBUS PARA PORTO VELHO?

MARCINHO:  Vem? Só tem dois anos que está isso ai!!! Existe a lei estadual e existe também uma lei federal dizendo que tem que ter acessibilidade em todos os ônibus coletivos. Eles tiveram um prazo para se adequar, mais tem mais de 8 anos, e eles nunca se adequaram corretamente para colocar todas as frotas adaptadas.

JUNIOR CAHULLA: COMO VOCE DEFINE A PREFEITURA HOJE? ELA É DE UM PREFEITO SÓ OU LÁ ELA É REPARTIDA ENTRE CARGOS?

MARCINHO: Eu sei que eu conheço esse pessoal todinho, eu estava até conversando com um amigo meu aqui que ele é sobrinho de um vereador, eu estava comentando inclusive da questão do asfaltamento que está previsto no bairro lagoa, porém as máquinas estão num jogo de empurra-empurra, como outras obras paradas aqui em nossa capital.

Essa entrevista foi um pouco do que o deficiente físico passa no seu dia a dia na cidade de Porto Velho com dificuldades para ter acesso a frota de ônibus adaptadas. O que me causa indignação como eleitor é que a gente vai para  a urna votar achando que vai mudar algo, mas na verdade não muda em nada.

Falamos muito em mobilidade urbana, em ônibus adaptados, mas na verdade quando a gente passa na rua não vê isso acontecer na realidade, essas ideais não passam do papel. Essa é realidade de Porto Velho.

Sabe porque não tem melhorias na questões do transporte público da nossa capital? Porque os políticos daqui visam simplesmente em se dar bem em cima da população. Um exemplo claro disso foi a operação Moridios, que foi deflagrada pela polícia federal na semana passada e essa operação investiga os shows superfaturados realizados pela prefeitura através da fundação de cultura do município, a Funcultural que está sendo acusada de superfaturamento nos shows realizados  e está sendo acusada também através de desvio de verbas públicas.

Se não fossem desviadas, poderiam estar ajudando nos projetos que a cidade precisa realmente no caso de encascalhamento de ruas e reforma de pontes de madeiras que precisam ser substituídas por de concreto.

Nosso objetivo foi mostrar um pouco das dificuldades enfrentadas por um deficiente, principalmente no que tange ao transporte público!!! Até a próxima.

Fonte: Junior Cahulla

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