Sexta-Feira, 25 de Agosto de 2017 - 15:35 (Colaboradores)

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A PRIVATIZAÇÃO EXIGE TRANSPARÊNCIA ABSOLUTA

O governo antecipou, mesmo sem ter ainda uma estratégia de vendas, que pode injetar em investimentos pouco mais de R$ 40 bilhões com ativos que precisam ser minuciosamente avaliados.


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A privatização de 57 empresas do patrimônio do Brasil é a notícia mais marcante da semana. O governo antecipou, mesmo sem ter ainda uma estratégia de vendas, que pode injetar em investimentos pouco mais de R$ 40 bilhões com ativos que precisam ser minuciosamente avaliados.

São aeroportos, rodovias, portos, empresas estatais, linhas de transmissão, a Casa da Moeda  entre outros, que terão seu capital desestatizado.

A privatização é um caminho, mas exige transparência absoluta e seriedade.  Equipe competente para levar adiante algo complexo, ainda mais um pacote que inclui tantas empresas como agora, em momento dramático da situação fiscal do país. Não se pode fazer tudo a toque de caixa.

No livro “Tancredo Vivo – Casos e Acaso”, de Ronaldo Costa Couto, Tancredo Neves sobre privatização afirmou: “Tem de haver. O Estado entra e o Estado sai. Nem sempre tem de ficar, é claro. Mas isso exige muito cuidado, há muito interesse em jogo.” 

Sem reparos. É preciso zelo na avaliação patrimonial, rigorosa análise sobre os compradores, cuidado com os empregados, sem contar os enormes riscos de corrupção.

Aí reside o maior perigo: conduzido por mãos erradas, o patrimônio vira fumaça, alguns enriquecem e a sociedade mais uma vez é roubada.

Limite da irresponsabilidade

Como a falta de memória no Brasil é sintoma de uma debilidade que entre outras coisas impede reação persistente contra a penúria moral e corrupção, vale lembrar que em 98 Ricardo Sérgio, ex-diretor do Banco do Brasil, grampeado, disse ao ministro das Comunicações Luís Carlos Mendonça de Barros que teriam chegado “ao limite da irresponsabilidade.”  

Eles combinavam a participação de fundos das estatais na privatização da Telebrás, fundos também usados na compra da Vale do Rio Doce, um ano antes. Negociações prejudiciais aos cofres públicos e aos trabalhadores das estatais.

Cartas marcadas

Vendida no governo Fernando Henrique Cardozo por R$ 3,3 bilhões, a Vale do Rio Doce valia 28 vezes mais: R$ 92 bilhões. Esse era o valor estimado no leilão à época. As acusações sobre o processo: propina no leilão, vícios no edital de venda, subavaliação, acusações de que a empresa americana Merrill Lynch teria repassado informações estratégicas aos compradores meses antes da venda; e que parte do dinheiro utilizado pelas empresas para a compra foi obtido por meio de empréstimos ao Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).  Tudo indicou um jogo de cartas marcadas. 

Algum juízo

Se parlamentares da situação e oposição tiverem ainda algum juízo, fiscalizem a venda desse conjunto de 57 empresas com serenidade, seriedade, argumentos técnicos e sem paixão política. A política do quanto pior melhor afunda cada vez mais o país, e o PT, depois de ter ultrapassado o limite da irresponsabilidade na gestão das estatais e fundos de pensão, não tem moral alguma para se contrapor à desnacionalização do maior pacote já feito no Programa de Parcerias de Investimentos (PPI), anunciado na quarta-feira (23).

Fonte: 010 - Mara Paraguassu

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