Segunda-Feira, 09 de Maio de 2016 - 18:00 (Colaboradores)

L
LIVRE

A PRESSÃO DA EXPECTATIVA X PESO DA REALIDADE

Nunca entendi porque não podia fazer o que queria sem receber críticas desnecessárias (faço BIBLIOTECONOMIA, gente!), que me dissessem que era um curso que não valia a pena.


Imprimir página

Precisamos falar dessa pressão (ou opressão?), que é escolher um curso de nível superior. O que é um bom curso? Por que, ainda hoje, com tantas possibilidades, existe essa pressão absurda sobre tal escolha?

Sair do Ensino Médio e cair direto na faculdade não é exatamente uma “tarefa” fácil. Sair de um sistema de ensino que te impõe uma série de regras pode ser libertador, porém, saímos de um sistema para cair em outro, com tantas quanto ou mais regras. Tudo isso sem entrar nos detalhes da qualidade do ensino que nos oferecem nas escolas públicas, mas isso é discussão para outro momento.

A maior tarefa dos professores é preparar o aluno para o mundo novo da universidade. É gente, é um mundo novo! O que não significa que sejam flores, mas você mergulha de cara em um mundo desconhecido. Adeus vida de escola. A importância da preparação no ensino médio por parte da equipe formada por professores, aluno e família, é fundamental para que a pessoa não seja obrigada a amadurecer “apanhando” do sistema no ensino superior. Não é apenas estudar para o vestibular, é preciso também se preparar para o que virá por aí.

A universidade vai te cobrar o tempo todo, cada dia, cada momento, independentemente de sua escolha. Não temos nada de “mão beijada”. É correr atrás ou correr atrás. Um bom aluno deve se dedicar. Mas vamos por etapas, não é?

Tudo começa quando você entra no colegial e surgem as perguntas: O que você quer cursar? Já escolheu a faculdade? Nossa, ainda não decidiu?

Os questionamentos começam a atormentar logo cedo. E estamos aqui para dizer: Você, aluno, não é obrigado a saber de cara qual o curso da sua vida. Sua escolha só diz respeito a você. Não há vergonha em dizer que não escolheu, que está em dúvida ou que não quer entrar em uma graduação ainda. Aprender durante toda a vida escolar é o essencial, não apenas estudar para passar e obter nota, vai muito além disso.

O ideal é aproveitar o período escolar com o máxima dedicação aos estudos e ao aprendizado, absorver conhecimento e aprender como empregá-los, além, é claro, das vivências necessárias. É assim que amadurecemos, abrindo os olhos o quanto antes para o mundo ao nosso redor, que vai além dos metros quadrados da sala de aula e dos colegas de turma. Quando falamos em amadurecer não é querer transformar jovens em formação em adultos com opinião formada. Esse amadurecimento é apenas um processo necessário a qualquer pessoa, que consiste em nada mais que estar aberto a novas experiências, novas opiniões, novos olhares.

É nessa “permissão” durante o período escolar que nós teremos base para escolher um curso (ou não escolher nenhum), nossos interesses irão nos auxiliar nessa escolha, então o primeiro passo é conhecer as áreas e perceber em quais delas você mais se identifica e a partir disso, filtrar as opções. Claro que é preciso levar em consideração sua localidade e as disponibilidades, estudar um possível deslocamento, mas isso pode ser feito mais para frente, por isso, um passo de cada vez.

Conhecendo as opções fica mais fácil, com o passar do tempo as escolhas vão se fechando e tudo fica mais nítido. Eu sei que nem sempre a identificação acontece de forma efetiva, dessas que você olha e diz “É ISSO!”. Leva tempo, pesquisa, conhecimento (externo e interno), até você ter “afeto” pela área escolhida.

Quando você se apega a uma área e decide que é aquilo que quer, as coisas parecem mais fáceis, mas nem sempre é assim. Se você não escolhe uma área de status, que “dá muito dinheiro” (isso é muito relativo), ou que seja algo que sua família não apoie, se você não tiver firmeza o buraco negro aparece.

Nunca entendi porque não podia fazer o que queria sem receber críticas desnecessárias (faço BIBLIOTECONOMIA, gente!), que me dissessem que era um curso que não valia a pena. Tive de adotar o mantra “serei boa profissional fazendo o que gosto” durante todo o ensino médio até chegar o vestibular.

É normal que a família questione suas escolhas, que se preocupe com seu futuro, o problema é quando ela impõe ideias falsas de que você só será bom estudando determinada faculdade ou fazendo determinado curso. Isso não é verdade. Independente do curso, você será péssimo profissional se não tiver gosto pela profissão que escolheu e provavelmente será ótimo profissional se trabalhar com o que realmente gosta.

Então o conselho fica para os pais, tios e qualquer membro de qualquer parentesco: não dê “pitaco” nas escolhas do seu filho/parente, não diminua ou ridicularize sua opção. Aconselhe-o se estiver perdido. Incentive. Mas nunca, nunca mesmo, diga a ele que não terá futuro porque quer ser professor ou quer seguir uma profissão menos conhecida. Infelizmente, em nosso país, ainda existe a supervalorização de alguns cursos em detrimento de outros. É por isso que vemos vários jovens escolhendo curso X apenas por acreditar que dará dinheiro no futuro. É realmente uma pena, pois muitas vezes somos atendidos por profissionais que pensaram assim e hoje são visivelmente frustrados, ganham bons salários, mas trabalham de mau gosto, adoecem ou são infelizes pelo simples fato de que ganhar muito é melhor do que ganhar pouco, será? E ser feliz, tendo saúde e amor pela profissão, não é melhor?

Agora o conselho é para os nossos queridos estudantes que estão entrando na faculdade:

Não importa sua escolha. É o que você quer ser? O que isso vai te custar? Horas de estudos? Dedicação? Você sente prazer em estudar para sua futura e sonhada profissão? Esse é o tipo de pergunta que o estudante deve fazer para si mesmo. Não importa se a faculdade é pública, particular, se o curso é novo, antigo ou se é “fraco”, isso não existe, quem faz o curso é você. Quem faz a diferença é você.

Não tem nada de errado entrar em um curso e trocar por outro. Escolher também é isso, é experimentar e ver o que mais agrada e satisfaz. Não escolher nenhum também não é errado. Errado é passar por cima dos seus sonhos, ser infeliz para agradar ou corresponder expectativas que não são suas. Optar por não fazer faculdade é só uma escolha que pode mudar com o passar dos anos ou não. Quem faz sua profissão é você!

Minha dica é: Sem desespero! Todos sabem que o sistema de educação no país é ultrapassado e que a mudança ainda tarda. Para passar no vestibular a maioria estuda horas absurdas e já chegam à universidade cansados. Isso é ruim, nós sabemos. Estudar 15 horas seguidas não é saudável. Então façam planos, tracem metas de estudos, revisem, busquem conhecer, abram suas mentes para novas opiniões e não fiquem fissurados em passar no vestibular. Isso é fechar a mente e não se deixar perceber que acabamos ficando refém do sistema. Estude para conhecer, passar no vestibular será uma consequência.

Escolher um curso não tem que ser difícil, não deve ser uma forma de punição e muito menos um sacrifício.

Adotemos o mantra: Não existe curso ruim, existe estudante que não quer fazer a diferença. Se você quer ser um bom profissional, estude e seja bom no que faz!

É isso, gente. Força nos estudos.

Fonte: Herta Maria - NewsRondônia

Noticias relacionadas

Comentários

Veja também

Outras notícias + mais notícias