Terça-Feira, 15 de Março de 2016 - 15:36 (Colaboradores)

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A LUTA CONTRA O VÍCIO DAS DROGAS: COMUNIDADE TEM SIDO VISTA COMO SALVAÇÃO NA VIDA DE DEPENDENTES

É domingo e nós chegamos num dia de festa. Um dos internos está de aniversário. A mesa repleta de pães é mais uma habilidade oferecida pela ressocialização no centro. E vem do tempo de sobra que esses homens têm.


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Há sete anos o centro de ressocialização confrontando gigantes busca reintegrar dependentes químicos na sociedade. Desde 2009 que a comunidade terapêutica, “Confrontando Gigantes”, distante cerca 50 quilômetros de Porto Velho trabalham para dá uma nova oportunidade na vida de dependentes químicos. Uma chance que parte de quem também um dia precisou. “Desde 2009 ‘Deus’ me colocou no coração de que eu deveria montar um centro de recuperação. E este centro particularmente deveria ser a Deus mesmo. Com esse chamado resolvi fazer cursos voltados à área de atuação com dependentes químicos. E hoje trabalho integralmente doando o meu tempo a pessoal. Usamos com os internos a filosofia ‘Deytop’ que é dividida em três partes”, esclarece o coordenador e fundador da Comunidade, o missionário da Igreja Batista Carlos Augusto.

É domingo e nós chegamos num dia de festa. Um dos internos está de aniversário. A mesa repleta de pães é mais uma habilidade oferecida pela ressocialização no centro. E vem do tempo de sobra que esses homens têm. O último curso ampliou o conhecimento deles na área da panificação, além do manuseio de alimentos. “Todos que saem daqui são encaminhados para o mercado de trabalho”, lembra o coordenador.

Neste ambiente o que não faltam são histórias. E cada tem a sua em particularidade. Dos 23 anos o Lucas Peres, um rapaz de porte alto e de boa aparência gastou nove deles nas drogas. Foi um rebelde sem causa como bem afirma. E tudo pela curiosidade no convívio das más companhias. A overdose em agosto do ano passado o fez repensar sobre vida que levava.

“Me acharam jogado ao chão. Quase morri. Foi quando me apresentaram ao centro de reabilitação ‘Confrontando Gigantes’. A princípio eu não queria vim. Achava que estava bem, sem noção de que estava mesmo realmente era ‘doente’ das drogas. Cheguei pra passar apenas 15 dias. Quando vi o cronograma, o modo de trabalho deles comecei a gostar e completei meu tratamento”, relata o ex-interno Lucas Peres.

Fora da reabilitação do tempo previsto de nove meses o Lucas agora tem se mantido firme. Afastou-se das más companhias e já não usa mais drogas. Está limpo, com uma nova fisionomia e mais contente. Vez outra tem seus altos e baixos, más, busca na palavra de ‘Deus’ o alimento espiritual. Agora ele paga a ajuda que teve na comunidade trabalhando voluntariamente. “Em janeiro com o fim do tratamento comecei a ajudar na comunidade trabalhando como voluntário”, declara.

Num grande refeitório onde os internos se reúnem a cozinha estava movimentada. O fogo a lenha queimou cedo. Da granja de galinhas e patos criados no local o almoço era preparado. A empresária Marlene Ramos que é esposa do fundador da comunidade, o pastor Carlos Augusto também se ocupava nos afazeres.

“Pra nós eu vejo isso como gratificante mesmo. A gente se doa. Fazemos isso por amor. Meu esposo (pastor) fica contente por cada um deles. E quando um sai recuperado e volta para o convívio da sua família. Isso é muito lindo é muito bonito”, enfatiza ela.

Todos os dias os cerca de 30 homens atualmente internos do lar ocupam o seu tempo desenvolvendo atividades que fazem parte do cronograma ditado na comunidade e que garante a permanência deles aqui. Acordar cedo, ouvir o ensino bíblico, além de cuidar da granja e da plantação. Cabe ao ex-interno Evandro da silva a aplicação das regras aos ingressos.

O Evandro é natural do Acre. Veio para Porto Velho (RO) muito cedo e aqui também encontrou a sua ‘derrocada’ nas drogas. Assim como o Lucas ele também resolveu ficar e ajudar no que ele chama de uma obra divina, o que não deixa de ser. A consequência vício das drogas na vida do ex-interno Evandro é visível. Hoje ele tem dificuldade em falar. Além aparentar um envelhecimento precoce para um homem que tem somente 36 anos. Mas o Evandro hoje é um novo homem. Se livrou daquilo que tirou metade da sua vida.

Reportagem: Emerson Barbosa
Imagens: Raimundo Brito
Edição: Fabiano Coutinho

Fonte: Emerson Barbosa

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