Segunda-Feira, 02 de Maio de 2016 - 22:24 (Colaboradores)

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A FOFOCA, A DETRAÇÃO! - POR NINA LEE

Mas não se engane o leitor, a fofoca é democrática: é partilhada por homens e mulheres, pobres e ricos, gente de imensa erudição e outros de formação mais rasa. Fazer fofoca é tentar estar por dentro de possíveis ataques de adversários.


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No Papo Rosa Choque desta semana, trago até você a síntese de um livro lançado no mês passado, que creio vai fazer cada um de nós refletir sobre o assunto polêmico: A fofoca, a detração!

“A Detração: breve ensaio sobre o maldizer” é o novo lançamento da Editora Unisinos que trata do famoso hábito humano de falar mal do que o outro fez, disse ou que pretende fazer. A obra do pensador Leandro Karnal aponta como a detração permeia o cotidiano das pessoas sem que se deem conta dessa prática. O autor aborda as variadas maneiras de se maldizer, através de uma narrativa leve e clara.

A serpente da fofoca tem muitos nomes: maledicência, difamação, mexerico, boato, babado, intriga e detração. Fofoca tem origem na língua banta, segundo o Dicionário Houaiss. A internet tornou-se o paraíso dos fofoqueiros. Perfis falsos, boatos, mensagens venenosas: o admirável mundo novo da técnica criou a proliferação do maldizer. Umberto Eco reclamava que a internet deu uma voz imensa aos idiotas. Talvez devêssemos acrescentar o termo fofoqueiros à ideia do recém falecido intelectual italiano. A criatividade maligna é quase infinita. A boca do "pasquino" onde se deixava o panfleto deu origem à palavra pasquim (jornal difamador).

Mas não se engane o leitor, a fofoca é democrática: é partilhada por homens e mulheres, pobres e ricos, gente de imensa erudição e outros de formação mais rasa. Fazer fofoca é tentar estar por dentro de possíveis ataques de adversários. Também estabelece laços e eles podem ser importantes. A fofoca é uma forma de preconceito que constrói uma rede política. Falo mal de um terceiro a um segundo para reforçar intimidade.

Também é uma maneira de lidar com minhas dores, já que o alvo de ataque é ambíguo na admiração/medo/desprezo que sinto. Envergonhada, a fofoca precisa se disfarçar com vernizes mais sutis: "Eu até gosto dela mas..." – e após esta adversativa flui o fel pestilento. "Ele é um bom homem, trabalhador, pena que..." Estes eufemismos, esses atenuantes são recursos para disfarçar o veneno e a própria dor. Por quê? Talvez a chave esteja nos telegramas entre Churchill e Bernard Shaw descritos na obra: "Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para primeira apresentação minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo, se tiver. Bernard Shaw." "Agradeço ilustre escritor honroso convite. Infelizmente não poderei comparecer primeira apresentação. Irei à segunda, se houver. Winston Churchill." Esta é a chave da insinuação maldosa. Amamos esta velocidade de língua, o único órgão humano que não cansa nunca, e nunca entra em exaustão. Amamos fofoca, desde que não sejamos o alvo.

Para adquirir a obra, acesse: http://goo.gl/oL1TUY.

Boa Leitura!

Nina Lee Magalhães

Fonte: Nina Lee Magalhães

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