Quinta-Feira, 03 de Novembro de 2016 - 08:52 (Colaboradores)

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LIVRE

A CAÇADORA - Por Max Diniz Cruzeiro

Uma viajante do tempo veio de Corinto para resgatar seu amor eterno que ficara aprisionado no planeta paraíso por um processo de penosa involução.


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Uma viajante do tempo veio de Corinto para resgatar seu amor eterno que ficara aprisionado no planeta paraíso por um processo de penosa involução. Ela planejou um vasto estudo sobre como os princípios universais de consciência eram distribuídos para as populações terrestres e se espelhou em seu principal pensador, Sigmund Freud, para tecer uma relação de aproximação que permitisse identificar o estágio de desenvolvimento de seu amado.

Estava diante de um aparelho psíquico primitivo, mas bastante estruturado em que os habitantes tinham uma vaga noção de inconsciente e consciente. Onde as ações eram adotadas a partir de um modelo perceptivo consciente que ditava aquilo que era interno que tocava o plano real… responsável por mediar a percepção pelos sentidos. Sabia a caçadora que na ausência do sentido o seu amado, e ao ouvir a relação do Eu com o mundo externo haveria uma mudança de sentido em relação ao observado.

A caçadora sabia que se fosse descoberta pela Ordem deveria dar explicações de sua intrusão neste sistema, porque a interferência não era bem-vinda, já que os seres de Paraíso estavam sob judicie por suas ações destrutivas contra a própria criação que no passado os fizeram explodir um planeta vizinho.

O problema central do atraso civilizatório era que o eu tinha desdobramentos em suas porções inconscientes tão enraizadas que a parte do eu que se destinava a consciência era praticamente inexpressiva diante de um plano real em que o ambiente sinalizava quase sempre a forma de agir e a conduta dos indivíduos aprisionados em suas próprias psiques.

A caçadora ficou triste, porque percebeu que os mecanismos de defesa estavam tão enraizados inconscientemente que era quase impossível fazer o resgate de uma mente sana para um planeta que fosse mais evoluído em termos de consciência.

Processos de negação onde os sujeitos faziam constantes alterações da realidade e eram facilmente percebidos. Onde um delírio fantasmagórico, do termo fantasia, repercutia na forma de desencadeamento de percepções em que as perspectivas passavam a gerenciar uma realidade projetiva distanciada do tridimensional (plano real).

Porém a Ordem era implacável e passou a fazer exigências à caçadora para que não tivessem a mínima noção de perigo das atividades de regência no planeta. Queriam ter certeza que nenhum ataque inesperado partiria por parte do ser de Corinto, já que este dominava a temporalidade dentro de um padrão de consciência elevado.

Então a Ordem, como para testar impôs restrições ao deslocamento, restrições ao convívio e restrições à comunicação. E quando sobre o cérebro da caçadora desencadeava um indício que podia levar a manifestação de uma pista pela apropriação do Akáshico, explicações adicionais eram requeridas pelo modelo a fim de que nenhuma penalidade fosse administrada contra a caçadora.

O estudo do tópico, do segundo ecossistema psíquico permitiu avançar sobre o alcance dos mecanismos de defesa da pessoa amada. Mesmo quando a ecologia social partia de uma inserção inconsciente, porém observou-se que os mecanismos de defesa da pessoa amada estavam distantes cada vez mais do bom senso e da realidade.

Pobre seres paraisanos! Os eventos pulsonares estavam cada vez mais demandantes e as variações em termos de estrutura reativa exigiam profundas transformações do Eu, que concentravam elementos vivificados de experimentações anteriores que exigiam uma demanda por transformação toda vez que um elemento novo era incorporado.

Embora Freud tenha construído a teoria para a clínica era possível observar o quão próximo da clínica estavam todos os seres paraisanos. Onde muitos elos de afetação eram repassados coloquialmente na forma de percepções-diálogos distorcidos de temores, medo e privações que se poderiam estabelecer um nexo causal com algum acontecimento passado. O planeta Paraíso, portanto, era uma imensa clínica à céu aberto. Onde não existia nenhum indivíduo que em menor ou maior grau era num mínimo momento do dia afetado por alguma estrutura que vicia a psique no distanciamento da realidade expressa.

Muitos passaram por processos dolorosos de anulação, onde o comportamento agia para magoar outra pessoa, mas em seguida era introjetado outro comportamento que compensasse um agravo, onde uma lei de compensação privava o sentido do indivíduo opressor no sentido de uma visualização “abstrata” de uma dor, em que um mecanismo de compensação se supunha quitar a dívida kármica. Num processo de adormecimento e continuação da ciclicidade em torno do mesmo princípio de erro que elevava o conflito e consequente atrito entre os seres humanos.

Numa dupla reação assintótica (ambivalência) os seres começaram a se contradizer no rol das ações, onde para alguns indivíduos o comportamento era restrito a uma sequência de comportamento na frente de alguns, e para outros o ancoramento da excitação era programado para outro tipo de comportamento que não era possível distinguir um sujeito do outro, na relação com outros indivíduos, numa psique compartilhada com mais de um polo que exigia segmentação psíquica e social, a fim de manobrar as vontades segmentadas existentes dentro de um só indivíduo.

Então essa força, essa energia, este movimento pulsionar, na forma de Id que é integralmente inconsciente e muito ligado à vivência do corpo fazia do Eu no estado de melancolia um carrasco, e quando o indivíduo devaneava num fenômeno psicótico desencadeava um conflito com a realidade.

Mas como resgatar um amor nestas características? Deveria a caçadora voltar para Corinto e deixar que o efeito da evolução em sucessivas ondas de vida e de morte firmassem o ensinamento para que seu amado pudesse progredir e enfim entrar nos portões celestiais?

Eram relacionamentos muito primitivos, em um Eu que não se desenvolveu para se ajustar conforme a demanda da realidade. Num processo sintomático, daquilo que surge na psique que é mais alheio ao Eu. Que não tendo outra alternativa para ser evidenciado utiliza o próprio corpo como forma de verbalização do que se sente, através de uma lógica de sintomas que a própria carne passa a reclamar do processo que não pode ser transcrito e instanciado na forma de um Eu que se apropria de algo legitimado no seu tempo e localidade, para ser sombra de si mesmo, num evento que sinaliza que processos somáticos não validados, e que estão transformando o indivíduo dentro de uma lógica de afetação que não foi possível construir uma noção de identidade que satisfizesse as leis da física, química e da biologia humana.

Porém a vida eterna estava em Corinto. Aqui a caçadora haveria de padecer como qualquer outro para retornar a sua vida alada. Onde o conflito era somente a espera de o raiar de um novo sol minutos ou horas depois de um entardecer, num momento de cântico e louvor para a transcrição de um saber infinito de contemplações. Livre de todo tipo de tormento, livre de todo o tipo de intolerância, onde é um porto seguro, onde reina a tranquilidade, onde a prosperidade e desenvolvimento já são.

A caçadora sabia que se partisse dos sintomas, o caminho para a cura estaria sinalizado e assim poderia levar seu amor para outra dimensão em momento oportuno, porém o problema era como fazer o ser amado perceber que os sintomas estavam sendo reproduzidos sobre e sob a pele, e mesmo assim, não lhe retirar o equilíbrio dinâmico cerebral de seus sentimentos, sentidos, desejo e libido.

O amor como em Corinto, poderia ser transladado para esta tridimensionalidade num acionar da telecinese e da telepatia, porque os seres de Corinto conseguem facilmente se comunicar através da força do pensamento sem serem notados no ambiente, não causando distúrbio no habitat, onde a perturbação sonora não seria objeto de aresto por parte de outros seres.

Então levar o seu amor para uma zona habitável mais próxima, - fronteiriça -, e mais desenvolvida como Órion passou a ser a solução adotada para provocar uma aceleração do processo evolutivo da pessoa amada.

Porque o ser humano adoece graças ao conflito entre as exigências pulsionares (energia que circula pelo corpo) e a resistência do Eu que resiste, rechaça e reprime. E a coexistência do conflito que sempre se estabelecia com o Eu estando inserido no modelo de privação ou afastamento da realidade, onde ora, a reprodução do sofrimento era um abastecer entre um fenômeno pulsionar (Id) num desencadeamento de forças que não eram convergentes ao Eu já instalado, ou ora, o social (Superego) era tirânico ao ponto de fragilizar o Eu e desencadear conflitos de realidade. Ou ora, a realidade era cruel, e o Eu não tinha outra solução que lidar com a “verdade” que estava sendo escrita através do ambiente.

Então aqui coexiste um senso de que há algo dentro do Eu que está sempre vigiando este Eu. Isto dói, isto faz gozar, o superego goza de certa autonomia, persegue seus próprios objetivos e possui energia independente do eu.

Era preciso alcançar o ideal do Eu da pessoa amada, a sua instância na qual o seu Eu se mede. Essa instância que é uma rede neural, como um trato cortical que estabelece um vínculo com as regiões efetoras, onde os espasmos musculares, os eventos psíquicos, ou sejam, os movimentos e os comportamentos se tornam expressos respectivamente.

Porém para se chegar ao amor não poderia ser evasiva, tinha que deixar que o ser evoluísse por si próprio. Se por um acaso o amor se perdesse, tinha que demonstrar através da estrutura do próprio comportamento da caçadora que o retorno era possível caso desejasse, e mesmo com a distância, que era possível em um nível de consciência elevada a reconciliação.

Então este aparelho mental que se coloca entre o estímulo e a reação-resposta estava a síntese de todo o conflito dos seres de Paraíso. Quem conseguia se libertar era senhor de seu próprio destino, sinal que o perdão celestial havia sido conquistado. Aqueles cujas penas eram mais duras demorariam mais tempo a compreender de fato como recobrar o controle de suas próprias vidas. E não era permitido pela Ordem algum senso de ajuda ao paraisano que fosse mínima possível que soasse uma intervenção, pela falta de merecimento de se chegar a ter a consciência do que deveria ser feito para a liberdade tão desejada pelo indivíduo.

Muitos preferiram se moldar em um modelo de descarga que quando a afetação chegasse num nível avançado tudo era despejado sobre outros seres sem o mínimo comprometimento de que aquela atitude poderia prejudicar a escala de evolução do indivíduo onde a ação fora desencadeada.

E todos esses laços e afetações estavam presentes sobre todos os paraisanos, e em grau maior ou menor, alguns repetiam os mesmos erros e atitudes sempre que uma situação de conflito era estabelecida. É uma realidade aterradora, mesmo quando o conflito está deslocado apenas internamente, o que corrobora para sintetizar de que o conflito interno possa dar saltos com frequência para sua porção exterior, e de uma hora para outra toda uma estrutura civilizatória vir a ser desintegrada em virtude de não terem aparado suas arestas internas.

Os seres de Corinto se ressentiram, porém, nada podiam fazer que contradissessem os preceitos universais. Porém da ordem de um ressentimento que se solidariza com quem ainda se engatinha, para lhe mostrar a “verdade”-síntese sobre o caminho que deve todo o paraisano percorrer para ser um ser celestial.

Porque assim como um pai ensina o seu filho a engatinhar e depois a dar os primeiros passos, e este a se locomover freneticamente de forma procedural, esse pai deve estar atento para que o ensinamento passado para seu filho lhe sirva como benefício para si mesmo e para os demais. Assim é Corinto, entrega todos os ensinamentos que são necessários para este desenvolvimento psíquico, porém espera que o seu filho se molde socialmente (superego) para corresponder com responsabilidade, que lhe é exigido sobriedade, para que a vantagem seja relativizada entre todos em sistema de interação, porque um não é mais querido que os outros, pois todos somos parte e herdeiros de um mesmo agrupamento, e que devemos todos ser inseridos em uma comunhão de propósito que o amor universal deva prosseguir e avançar dentro da espécie.

Senão um modelo para uma reação nefasta poderia ser uma paralisia, como quem se finge de morto, para surpreender o ofensor e assim se projetar o desarme de um perigo eminente.

Ou encontrar uma autoridade parental (superego) que é despertada quando o Eu está se locomovendo, a fim de que o mecanismo parcial do eu com funcionalidade diferenciada possa gestar critérios de parada, limites, torções sobre os deslocamentos das forças (Id), inibição de atividade quando o real se mostra a necessidade de uma atitude diferente. Assim, o obstáculo externo é internalizado. O superego toma lugar da instância parental e dirige a ameaça sobre o Eu.  Num processo que foi migrado/herdado da intervenção dos pais no processo de incorporação social de seus filhos quando introduzidos através do nascimento até a fase adulta.

Ser racional como processo de intelecção como Jacques Lacan ou agir com foco mais emocional como Bion podem ter suas ações de comportamento social orientado para o sistema cultural de cada civilização. A caçadora sabia que para atingir o seu objetivo precisava mesclar atitudes que incorporassem o amor ora racional, ora emocional, mas que fosse de dimensão eterna. Porque os seres que verdadeiramente se amam nutrem um evoluir constante dentro de uma progressão geométrica em que um não deixa o outro para trás jamais, mesmo que haja necessidade de distanciamento, este distanciamento provisório servirá para o amadurecimento da alma para que a criatura amada possa ter o mérito da evolução conquistada por suas próprias pernas e vontades.

Num mundo rico de vaidades, a depressão está associada à agressividade, podendo parecer na relação transferencial e contratransferencial. Então para amar também há que se ter cuidado, porque não se sabe qual o modelo de reação que o ser amado se encontra no momento em que se manifesta apoio, compreensão e carinho, como também a receptividade contratransferencial sinalizar a melhor opção de partilha para que o amor seja eterno e perene em situações onde a vida é escassa e o encontro por processos dolorosos da morte é descontínua e insegura o reencontrar.

Assim, o superego vai se formar pelas figuras de identificação. Onde o arquétipo, ou imagem angular de referência cognitiva de um indivíduo, a pessoa-modelo, de pensamento, que traduz o seu ensinamento de referência, irá influenciar este em um processo de identificação em relação as suas escolhas objetais, onde tais objetos são os relacionamentos que sua psique se relaciona consigo mesmo e com o que é absorvido das projeções do mundo externo. E se torna uma herança ancestral da introdução do pai e mãe sociais como imagem percebida pela criança em seus primeiros anos e fase de vida.

E o amor histérico da vida passada, onde os sintomas se projetavam sobre a pele, deu lugar na vida do agora, longe de Corinto, longe da eternidade, numa vida fadada ao falecimento e obstrução da continuidade numa tendência reacionária de limites, como uma clínica em que todos estivessem inseridos dentro de um fenômeno borderline.

Então este herdeiro da moral, o superego, do social dos pais, é visto como portador do ideal do Eu, no qual é possível traçar uma representação quantitativa da qualidade do estímulo a fim de fixar naquele aspecto-perspectiva que cabe o sujeito trilhar os caminhos do Eu dentro dos parâmetros desejados. E assim alcançar o amor, dentro das vicissitudes que o condicionamento psíquico permitem incorporar valores que inscrevem o sujeito dentro de uma retórica de austeridade que permita a incorporação do lúdico em parcelas sólidas de equilíbrio.

Porque é sabido que o sentimento de inferioridade tem fortes raízes eróticas. E quando uma pessoa não se sente amada um sentimento de inferioridade pode ser brotado como expressão de um sintoma que emerge para dizer algo ao sujeito de algo que não foi realizado.

Porque esta inferioridade é uma transcrição de funcionalidades sociais (superego) que se sobrepõem a funcionalidades internas (Eu), onde uma tensão se estabelece para ejacular adjacências como uma forma de ruptura de algo já sacramentado que não tem pleno consentimento biológico para agir dentro do sujeito.

Então esse superego observador, de consciência moral e de um ideal elevado passa a guiar e a dispersar este eu, na projeção de uma segmentação que permita ele agir por analogia, como na interpretação de um ditame: ou lei; que irá guiar o instinto do indivíduo para a elaboração da coisa perfeita, como lastro de amor. E assim a flecha do cupido poder ser disparada a partir de Corinto e sinalizar que a união já pode ser consentida e que não irá deslocar feições negativas e conflituosas sobre o ambiente.

Porque parte de Corinto a interligação entre a teoria e a realidade grupal. Onde é preciso discutir algo sério dentro de uma linguagem em que os amantes percebam, sem tirar o sentimento, mais enriquecer a alma de quem absorve a informação, para permitir fluidez e incorporações de outras reações que possam somatizar uma multiplicidade de saídas todas válidas para alcançar estágios cada vez mais elevados de níveis de consciência.

Assim o superego é o representante do limite moral: advogado do anseio da perfeição. E o amor para ter paz para eclodir deve ser elaborado em sintonia com este preceito. Porque é lúdico, porque é sensato, porque é reto e reproduz ondas que permitam que outras pessoas também possam galgar por caminhos que possam também induzir aos mesmos estados de contemplamento e afeição.

Ele (superego) se estabelece pelas exigências da vida, em que a lembrança das primeiras exigências afetivas que partiram dos pais serve de embasamento para que todos os fenômenos depositados posteriormente sirvam de suporte existencial. É um veículo que se vincula com a tradição. Por isto minha dor chega até Corinto para informar que a tradição é muito severa ao ponto da missão ser adiada, pois o resgate seria um processo muito dolorido e qualificado como insano. Porque aqui coexiste um superego que trabalha a serviço da particularidade do saber do indivíduo, que não é regido por um princípio universal, e sim paleolítico, em que moções de apego, apreço e realce estão muito enraizadas dentro da constituição dos seres e dos indivíduos desenvolvidos.

Existe a percepção de uma forte resistência em se mudar o conteúdo, mas ao mesmo tempo se sofre com essa apropriação de resistência e poucos se atrevem a fazer um trabalho lúdico para se compreender e a gerenciar suas deficiências e incompreensões. Porque paira a falsa impressão de invasão, de que a verdade sobre o próprio indivíduo deve permanecer através deste apenas, em sua sombra com medo do revide, retaliação e da segregação social. Sempre onde paira o medo da chegada de ondas de exclusão social para a coisa que não pode ser dita e que, portanto, deva ser ignorada. Razão da continuidade da aflição, do sofrimento e da perda da liberdade, porque a continuidade deste aspecto faz perceber todo indivíduo encarcerado psiquicamente, como pertencente a uma prisão psíquica. Onde sempre se fracassem inúmeras tentativas de ser tornar consciente parte do eu inconsciente. Em que processos de repressão e recalque passam a estar sempre presentes como forma de manter o indivíduo ainda lúcido para não fracassar o seu projeto de vida. Porque se o biológico não se estruturasse em torno desta “falsidade” da identidade, a melancolia iria se instalar com maior frequência e poucos atingiriam a maturidade biológica (idade avançada madura). As ideias espontâneas são mais difíceis de se aproximar de um dado tema, contudo, a resistência é inconsciente também, quando o elemento é reprimido.

O Eu pode ser expresso por meio da repressão em que se exige uma tentativa de influenciar este Eu para reproduzir os fenômenos em que as necessidades do plano real, do Id e do superego sinalizam para ele como demanda psíquica.

Se meu amado soubesse que o inconsciente é um descritivo encoberto que coexiste um sistema consciente, pré-consciente, inconsciente, em que é possível preconceptivamente consciente estabelecer um canal que aflora como atividade psíquica na expressão do indivíduo da sua constituição psíquica, compreenderia que o sofrimento é uma simples questão de filtrar aquilo que aprisiona para deixar fluir apenas aqueles elementos que o farão ter paz, harmonia e integridade em sua jornada. Porque o tempo é senhor de corrigir as imperfeições inconscientes, que pela falta de imersão do iceberg da consciência que deixa à tona apenas aquilo que é permitido, torna o indivíduo amparado para se organizar internamente enquanto os outros conteúdos não são lançados de forma objetiva, sensata e lúdica numa linguagem que cause harmonia existencial. Assim se alcançaria a liberdade.

Assim sua psique sempre estabelecerá uma formação de compromisso onde soluções em rede são evidenciadas para a resolução de problemas, onde os conflitos instalados emergem não na forma de ativação de atritos, mas como estímulos necessários para provocar o movimento que irá eclodir em habitação do corpo e da vida em abundância de sensações e estímulos.

Assim em sentidos dinâmicos o Eu e o superego possuem parcelas inconscientes em escala dinâmica de interação. Onde o Id é atemporal e segue um modelo de não contradição, porque é apenas a síntese de energias que se deslocam pelas vias aferentes e eferentes do indivíduo.

O sonhar e os sintomas neuróticos, na formação do pensamento aproxima o indivíduo por movimentos pulsionares. O pensamento é válido para o Eu. O Id neste esquema é a energia psíquica que move e é passível de descarga que gera explicação para os deslocamentos e condensações dos neurônios.

Porque o amor vive um revirie, um sonho não realizado, que transita em sua criatividade, mas que é incipiente de um calor e agir humano, porque uma mente aprisionada jamais irá compreender profundamente o que é o amor, apenas irá repercutir na sombra deste e ter a noção de que é algo producente e produtivo que vale apena investir. Porém é um sonho que somente pode ser despertado quando toda a psique for organizada, livre de devaneios, livre de temores, de perseguições e do medo.

Por isto o eu organizado é um bom executor pulsionar (Id). É um conduzir de um carro que se sabe com maestria, e a partir deste chegar no local desejado por impulso.

Ser perceptivo-consciente é se voltar para o mundo externo e intermediar as percepções deste dentro de escolhas que façam o indivíduo suavizar a sua relação com este mundo que se mostra em evidência para ele... é um refinar de algo que se introduz, e se trabalha para reproduzir no ambiente como forma ejacular de se melhorar algo que se absorveu e criar uma identidade em relação a coisa-objeto que se torna uma identidade-marca de si mesmo que deixa um registro neste mundo que nos hospeda.

A motilidade deve ser alcançada por este processo, onde ela reproduz fenômenos entre a necessidade e o ato, através da elaboração do pensamento, mesmo que de forma oculta procedural, segundo os princípios de realidade. Como disse Freud: o Eu representa a realidade para o indivíduo junto com o Id.

Se o sentido da vida é conter as paixões desenfreadas, o encontrar nelas a prudência e razão numa relação modificada da vizinhança do ameaçador mundo externo, os investimentos objetais vêm das exigências pulsionares do Id. O Eu é o mero registro daquilo que se experimentou e passou a nutrir dentro de um segmento temporal, no qual ele passa a guiar a libido do Id.

Onde há o Amor, há de ser Eterno! Que Corinto continue a nos ensinar a amar.

Fonte: Max Diniz Cruzeiro

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